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••••| AVISO nr. 3 à navegação – FH |•••

por Fernando Heitor

Meu Deus do céu … não consigo entender os meus colegas de formação ( economistas e financeiros) que têm a (des)sorte de serem nomeados para cargos ministeriais, em especial, da equipa económica.

Mais que professores “ celestiais” eles tiveram e que manuais “ mágicos “ eles estudaram para se absterem da realidade da vida, do contexto econômico e social, quando chega a hora de aconselharem o PR a gizar políticas e medidas de política, adequadas para resolver problemas reais que melhorem a economia e as finanças deste País e o bem estar dos seus cidadãos ?  

Francamente . 

Então, Angola tem uma dívida já próxima de 100% do seu PIB ( cálculos conservadores ). O seu principal produto de exportação ( petróleo mais de 85% ) que lhe assegura a maior fonte de receitas PIB ( acima de 60 %) está com o preço do barril nas ruas da amargura e com a produção em baixa , principalmente depois do surgimento do CoronaVirus . 

O Executivo do PR João Lourenço já foi ao mercado endividar-se em 3 mil milhões de dólares em 2018 a taxas consideradas altas ( 8 e 9 % ). Foi ao FMI buscar mais mil milhões de dólares, e outros tantos ao Banco Mundial, sem contar as várias linhas de crédito que tem recebido da China, Alemanha, França, Itália, Brasil etc etc . 

É um Governo claramente pedinte, aceita tudo o que lhe dão a crédito, sem medir consequências e pior ainda sem rentabilizar suficientemente bem o dinheiro que recebe . 

Qualquer análise custo/ benéfico chega a essa conclusão e os factos estão ali para provar isso. As poucas excepções, apenas confirmam a regra. Face a este quadro triste, pretende ainda o Executivo de João Lourenço voltar ao mercado livre com Eurobonds ( títulos de dívida pública) no valor de 3 mil milhões Usd ??? 

Com que garantias reais e a que taxas ?

E porque razão só escolhem este montante e não um mais pequeno ou maior ? Será este o nr. da sorte ? Pelos vistos não está a ser . 

O quadro macro-económico nacional está muito cinzento e pior ainda o da economia real. O Prodesi mesmo com os incentivos oferecidos ainda está longe de dar resultados palpáveis em temos de produção. As privatizações estão “ encalhadas “ numa burocracite, mesmo com anunciados concursos públicos mas de fragil credibilidade. 

O PIIM dos municípios tb parece estar comprometido e os prazos de execução dificilmente serão cumpridos. Para piorar tudo veio o diabolico CoronaVirus, complicar a já difícil situação das famílias, empresas e Estado angolanos. 

Como podem os  auxiliares do Titular do Poder Executivo, ousarem em aconselhar ( ou aceitar ) a via do agravamento da dívida pública ?  

Francamente .  

Esqueceram -se da renegociação da dívida ( prazos )? E do apoio que o FMI já prometeu aos países mais frágeis devido ao vírus ? A redução drástica das ainda muitas despesas improdutivas ( despesismo ) ?  

Ao emagrecimento da super- estrutura do Executivo, com várias dezenas de ministros e secretários de Estado e Directores Nacionais e Presidentes de Fundos autônomos, desnecessários porque pouco ou quase nada produtivos ? 

Da ineficácia de um Estado com poder demasiado centralizado e concentrado ? Da ineficiência de muitas empresas públicas; dos latifúndios que quase nada produzem ? Da alta informalidade dessa economia que sonega taxas e impostos ao erário público etc etc. 

Este País precisa urgentemente de uma profunda Reforma do Estado e restruturação do paradigma ( modelo ) economico. E não se perca mais tempo a discutir essas teorias, porque já não há tempo. Haja coragem e mais patriotismo, Sr. PR e chefe do Executivo e senhores dirigentes do Partido da situação ( MPLA ) e arregacem as mangas para tomarem as medidas certas no momento certo, adiante e não como estamos agora . 

Um passo à frente e dois a retaguarda …. paulatinamente devagarinho ora par frente ora para traz, exonerando e nomeando quadros , para que um maior número de camaradas, vão aproveitando um pouco da “ fesada “… ( nem que seja por apenas 6 meses)… mas no final o País e a maioria do povo não sai do subdesenvolvimento nem da pobreza. 

Não podemos continuar assim … nessa mesmice. 

Tardam em rectificar o OGE porqué ? Para aproveitarem individar mais este país numa altura tao imprópria e facilitar assim o “ neocolonialismo” ? Cadê recorrerem de novo ao Fundo Soberano para aliviarem o déficit orçamental ? 

Sei  que amanhã no Conselho da República irão mais  focar-se num Plano de Emergência pública por causa desta Calamidade viral … mas depois ? Como será ? Que outras desculpas surgirão para justificar este revoltante e reaccionário “Status quo “? … 

Precisamos de mais e melhores Acções governativas. Este povo e este empresariado angolano , exige e merece melhor . 

Bem hajam com Abrço 

Fernando Heitor

 ( Luanda , Angola)

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