Home Opinião A quinta estação do ano: covid-19 e os efeitos psicológicos e sociais

A quinta estação do ano: covid-19 e os efeitos psicológicos e sociais

por Holta Bani

Em todos os lugares, reuniões e grandes eventos foram cancelados. Os funcionários foram instruídos a trabalhar em casa, as universidades mudaram todas as classes on-line e as escolas fecharam para saneamento. O mercado de ações sofreu quedas meteóricas.

Á medida que o numero dos casos confirmados da doença aumenta, também aumenta a incerteza coletiva. Psiquiatras e espertos de saúde pública dizem que a ansiedade do publico é alta e é amplamente alimentada por um sentimento de impotência. Quando não entendemos algo que nos faz sentir que não sabemos tudo o que precisamos saber para nos proteger, isso equivale a impotência, vulnerabilidade.

A disseminação do novo corona vírus não é apenas uma crise de saúde publica, também é crise social, emocional e de autocontrole. É um evento social que efetua todos os aspetos da vida das pessoas, fazendo que não se preocupem não apenas com adoecer, mas também com a saúde dos pais, avos e crianças. A ideia que que podemos reduzir as transmissões por meio de boas lavagens de mãos parece insuficiente. Parte que gera sentimentos de ansiedade é a falta de informação. Quando um perigo ou ameaça se aproxima gradualmente, tende de ser mais assustador para nós do que digamos, se o perigo aparecer de repente. Começamos com reportagens da média da China que pareciam muito distantes para nós, mas, ao longo das semanas vemos essa invasão, cada vez mais perto de casa.

Pessoas diferentes, reações diferentes

Nem todo mundo reage ás epidemias na mesma maneira, algumas pessoas lavam as mãos por 30 ou 40 segundos, alguns apenas uma rodada. Outros estão estocando alimentos e remédios como se um apocalipse fosse iminente.

Quando as noticias são misturadas, as pessoas podem optar por se concentrar no bem ou no mal. A boa é que, para a maioria das pessoas, o vírus é geralmente leve e a os sintomas gerais de tosse e gripe não duram muito. A má noticia é que o vírus é novo, é altamente contagioso e por momento não há vacina. Os idosos e aqueles com sistema imunológico comprometido ou doenças cronicas podem ficar muito doentes e, em alguns casos, morrer.

Se as pessoas se fixam nos bons ou nos maus tem muito a ver com que são. Há pessoas que estão particularmente preocupados com doenças – eles sentem uma sensação maior de sua própria mortalidade, tendo mais dificuldade em processar o lado das boas noticias.

A incerteza também abre espaços para alegações falsas – que no meio de um surto podem levar a comportamentos que ampliam a transmissão de doenças. As nossas memorias nos enganam, nos incentivando a acreditar nas coisas que lemos repetidamente: procurar informações que valide nossas crenças pré-existentes e lembrar coisas que provocam emoções fortes.

A media tem um papel muito importante nestes momentos, distribuindo informações precisas sem serem sensacionais. As pessoas também devem limitar sua exposição na media. O melhor é encontrar fontes confiáveis e ter cuidado com redes sociais, sem precisar estar constantemente buscando informações. Em tempos de incerteza, devemos buscar o equilibro emocional, manter as rotinas, não falar frequentemente com amigos frenéticos porque o medo e contagioso. Acho muito importante a não deixar o pânico tomar conta de nossos processos de tomada decisão e pensamento racional porque o preço a pagar poderia ser muito maior do que a ameaça que o vírus representa.

Acredito que esta situação terá consequências e mudará muito os comportamentos sociais, os relacionamentos familiares e a maneira como vemos o mundo. De uma rotina diária ativa e estressante, de repente nos deparamos com uma abundancia de tempo. Isso provavelmente nos ajudará a completar e fortalecer ainda mais os relacionamentos familiares.

Holta Bani

Lisboa, 18 de março 2020      

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