Home Opinião Duas tendencias do PS em confronto? E com PSD no meio?

Duas tendencias do PS em confronto? E com PSD no meio?

por Joffre Justino

Na verdade,  Ana Catarina Mendes não concorda com a proposta de Pedro Nuno Santos, quanto à necessidade de rever o quadro legal para a certificação do aeroporto do Montijo pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) opção que o ministro das Infraestruturas e da Habitação assumiu esta quando confrontado com a notícia da TSF que dava conta de que a ANAC teria de chumbar o projeto, por não reunir o consenso de todos os municípios.

Num curioso debate ideológico feito fora do PS, a deputada e lider parlamentar socialista defendeu na TSF, que “as leis não se mudam a meio do processo” mas que entende que “uma coisa é ouvir os municípios, outra coisa é tal ser vinculativo” pelo que o Governo deve fazer tudo o que puder para avançar com a obra e para que o país não esteja “20 anos” à espera o que enfim, minimiza  a divergência inter socialistas l

Apesar de ver como “obsoleta” e “sem sentido” esta lei que inviabiliza o avanço da obra se autarquias não estiverem de acordo, a líder da bancada socialista argumenta que “o ministro disse que era preciso mudar a lei, mas não disse que era preciso mudar a lei agora” argumento curioso, sobretudo quando diz que “O que me parece irrazoável é que um município sozinho possa travar uma obra estrutural como esta… por teimosia.” Para defender o aeroporto do Montijo, Ana Catarina Mendes alega: “Há 50 anos que se fazem estudos, foram estudadas 17 localizações. Trata-se do desenvolvimento da região de Setúbal, e há estudos técnicos, nomeadamente da Agência Portuguesa do Ambiente.”

Além das 160 medidas para mitigação do impacto ambiental, Ana Catarina Mendes acredita que o “emprego qualificado”, uma “ligação à A-12, uma nova travessia, um shuttle no Tejo” são argumentos suficientes para que não se adie mais.

Alcochete não é uma opção “comparável”, para a socialista, já que se trataria de uma “construção de raiz” para substituir o aeroporto Humberto Delgado, e não para diminuir o “estrangulamento” naquele aeroporto. 

Já David Justino que esteve no debate deste programa Almoços Grátis não concorda, e defende mesmo que todas as opções, quando “racionalizadas, calculadas e sérias”, são viáveis.

O vice-presidente do PSD, diz que é necessário “tentar escolher a opção com menos impactos negativos” e refere não dispensar uma análise crítica a todos os pareceres técnicos porque “alguns são feitos à medida”.

Para o social-democrata, o primeiro erro que o atual Governo fez foi dispensar a avaliação ambiental estratégica. “Eu estranhei o facto de ter sido feito um acordo ainda antes do estudo do impacto ambiental. Sei que deixaram lá algumas almofadas, mas não é normal perante o investimento que era preciso fazer.”

Apesar de assumir que o Montijo é uma opção de responsabilidade partilhada entre PS, PSD e CDS-PP (lançada na legislatura de coligação à direita), e de o PSD não ter “por hábito rasgar contratos”, a resposta de Costa, de que não há um plano B para o aeroporto não faz sentido para David Justino. “É de um extremismo perfeitamente dispensável”, salienta.

Mas há um aspeto em que o social-democrata concorda com Ana Catarina Mendes: a lei não deve ser alterada a meio de um processo. “A lei é estúpida? É, mas é a lei. Alterar a lei em cima do acontecimento é um pontapé no Estado de direito.”

Portanto, a oposição de municípios como a Moita e o Seixal, do PCP, pode inviabilizar a obra e David Justino também realça que os municípios que estão de acordo com o aeroporto no Montijo são socialistas, e questiona se não haverá uma crispação entre os anteriores elementos da geringonça e o PS. 

“Não acho que haja um conflito na geringonça, mas acho que há interesses nacionais”, responde Ana Catarina Mendes, que estranha que se defenda o desenvolvimento do país e o aumento dos postos de trabalho e depois não se coloque em prática esta bandeira.

Enfim como é possível imaginar-se um projeto como um aeroporto de apoio ou dominante a servir Lisboa e o centro do país exige um pouco mais de criatividade e de perceção de longo prazo e nada como recordar que Ota fica a 47 km de Lisboa, Montijo a 34 km e Acochete também a 34 km o que na realidade dá, dados os impactos ambientais menores, razão à solução Ota  não dando razão nem a Ana Catarina Mendes nem a Pedro Nuno Santos, nem a David Justino! 

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