Home Opinião Tragédias climáticas no Brasil: colapso ambiental e solução ecossocialista

Tragédias climáticas no Brasil: colapso ambiental e solução ecossocialista

por Carolina Rodrigues

Desde meados de dezembro de 2019, o Brasil vem sendo assolado por fortes chuvas, que vêm causando estragos e mortes, principalmente na região sudeste do país.

Chuvas torrenciais, acima da média para o período, têm deixado rastros de destruição nas principais metrópoles do país – São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Só este ano, já foram contabilizadas mais de 60 mortes somente no estado de Minas Gerais, lugar mais atingido pelas tempestades. São centenas de pessoas desalojadas e desabrigadas, e o estado de alerta é constante. 

Fato é que a intensidade das chuvas vem batendo recordes ano após ano. Em Belo Horizonte, por exemplo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a chuva que atingiu a cidade  no dia 24 de janeiro superou registro histórico de 1978. Já em São Paulo, em 10 dias, foi superada a média histórica de precipitações do mês de fevereiro. Entre os dias 09 e 10, foi registrado o segundo maior volume de chuva em 24 horas no mês de fevereiro dos últimos 77 anos. E como esquecer do maior tragédia climática da história do Brasil, ocorrida em janeiro de 2011? O temporal que atingiu a Região Serrana do estado do Rio de Janeiro deixou mais de 900 mortos e cerca de 190 pessoas desaparecidas. 

Na  década mais quente da era moderna, vários recordes climáticos têm sido batidos, não só no Brasil. O colapso ambiental apresenta-se como principal fator responsávelpor esse fenômeno, e, indiscutivelmente, tornou-se o maior e mais urgente desafio global a ser suplantado. 

Nos últimos anos, o filósofo e sociólogo Noam Chomsky tem afirmado que a crise ecológica que estamos vivendo  é maior e mais importante que a crise econômica. Nesse sentido, ainda que as crises ecológicas e o colapso sócio-econômico estejam em consonância, a crise ecológica é algo muito mais importante e muito perigoso, porque ameaça as condições de vida da humanidade.

É inegável que a industrialização massiva ultrapassou a capacidade da Terra de absorver e conter a instabilidade ecológica. Michael Löwy, outro socialista e filósofo proeminente, uma das referências mais importantes do pensamento anticapitalista, chama de “ecossuicídio planetário” as consequências do sistema capitalista moderno. De acordo com Löwy, “o  processo de mudança climática e aquecimento global, provocado pela lógica expansiva e destruidora do capitalismo, pode resultar, nas próximas décadas, numa catástrofe sem precedente na história da humanidade: desertificação das terras, desaparecimento da água potável, inundação das cidades marítimas pela subida do nível dos oceanos etc.”

O sistema, com seu imperativo de lucratividade baseado na concorrência impiedosa, expõe ecossistemas a poluentes, dilapida recursos e apresenta-se como o principal destruidor do meio ambiente, responsável pelas mudanças climáticas e pelas catástrofes que delas resultam. Com sua lógica predadora a fim da acumulação de capital, o capitalismo não se compromete com o equilíbrio ambiental. Assim, o chamado “capitalismo verde” apresenta-se como um engodo, incapaz de superar as crises ecológicas que o próprio sistema deflagrou e que se mostram até mesmo necessárias a sua manutenção. 

Como proposta estratégica para tentar minimizar os impactos catastróficos do capitalismo no meio ambiente, o projeto ecossocialista faz frente à ecologia capitalista e reformista e implica uma reorganização do conjunto do modo de produção e de consumo, baseada em critérios exteriores ao mercado capitalista, se ligando às  necessidades reais da população e à defesa do equilíbrio ecológicoO ecossocialismo apresenta-se como resposta àquilo que Marx  chamava de “o progresso destrutivo do capitalismo”, defendendo um projeto radicalmente anticapitalista e antiprodutivista, sustentando a ideia de um novo modo de produção e de uma sociedade mais igualitária, mais solidária e mais democrática. 

O Manifesto Ecossocialista Internacional, redigido em 2001 por Joel Kovel e Michael  Löwy, foi uma primeira tentativa de resumir as ideias principais do ecossocialismo. No Brasil, parte dos partidos progressistas de esquerda possui cartas e manifestos em defesa do ecossocialismo. É o caso do PT e do PSOL. O PT possui um extenso manifesto ecossocialista, assinado pela Secretaria Nacional de Movimentos Populares do partido. Os pontos estão organizados em 41 tópicos contendo argumentações para a crise ambiental com origem no regime capitalista. Já o PSOL  elaborou sua carta ecossocialista  em 2011. 

Por Carolina Rodrigues 

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