Home Opinião O “paralelo” Luanda Leaks em andamento, generais em jogo e não só

O “paralelo” Luanda Leaks em andamento, generais em jogo e não só

por Joffre Justino

Para os que convivem com esta Angola do MPLA, desde 1975, em especial desde 1992, sabe bem que a elite caluanda / angolana, quase toda ela, viveu de esquemas, desde o esquema 500 que significava que os deputados para viverem usavam os carros que o Estado dava e os colocavam a render no mercado “livre” de transportes das Pessoas, numa caótica cidade, Luanda…

Enfim, os esquemas menores, até aos maiores que viveram à volta dos petroleos e dos diamantes (hoje claro ninguém fala dos famosos “diamantes de sangue” que só serviram, globalmente, para bloquear a UNITA na sua necessidade de financiamento, da economia fora do esquema caluanda e das necessidades de uma guerra civil desde 1975 imposta pelo MPLA, primeiro com o apoio sovieto-cubano, depois sovieto-cubano-americano ( antes de 1992) e a seguir russo-americano-canadiano-empresas petrolíferas globais – a Israel dos diamantes e por aí fora…até às migalhas que chegavam a Portugal por vários carrinhos dos militares ao import-export!

Por isso a facilidade com que se guerreia em Angola e fora dela, contra esta elite que não larga de mão dos grandes negócios e põe “os da UNITA e os Outros…” a pugnarem pelos pequenos negócios, dando um ar benemérito até à srª Isabel dos Santos e seu pai, José Eduardo dos Santos, quando se põem a falar na criação de empresas e empregos em Angola…

Isabel dos Santos, ( e os irmãos…)  é pouco experiente nesta questão dos negócios discretos e na discrição na vida pública, não tendo aprendido com o falso austero pai, o ditador com uns bons 40 anos  feitos a partir do momento em que colou a Agostinho Neto aquando do congresso que dividiu o MPLA em 3 partidos – Revolta Ativa, Revolta de Leste a a linha Netista – mas que soviéticos, cubanos e a maioria dos países africanos conseguiram segurar no “único” o netista, pondo na prisão ou no exilio o restante. 

Com José Eduardo dos Santos ascenderam a elite caluanda vinda não das matas, da guerrilha, mas, na sua maioria do convívio com os portugueses, até nas forças armadas colonizadoras, e é esta elite, depois de “limpar” os apoiantes de Nito Alves que vai gerir o poder caluanda, e digo bem caluanda pois mais de 70%  de Angola era ou terra de ninguém ou Terras Livres de Angola, isto é, a parte angolana gerida  pela UNITA.

Os erros de apreciação quanto ao papel da dita cuja “comunidade internacional” ( ONU incluída), no caso Angolano levaram à derrota da UNITA em 2002, e à morte assassinato / suicidio do seu Lider Jonas Savimbi.

E a partir desse momento foi um “vale tudo” na venda dos Recursos Angolanos com uma UNITA que se refazia mal da derrota com uma má liderança, dividindo-se até com a CASA-CE, uma FNLA boa parte dela integrada no MPLA, um PRD algo nitista, e um Bloco Democrático / FpD abandonado pela Esquerda global, da comunista ( que colou a José Eduardo dos Santos), à radical que ainda nem entende o que é a globalização e se dedica ao se canto de 90 mil km2, e à democrática que se colou também a José Eduardo dos Santos, ( à exceção de Mário e João Soares),

É pois sem estranheza que se sabe via o presidente do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação que a empresária angolana Isabel dos Santos ainda não colocou nenhuma ação em tribunal no âmbito dos ‘Luanda Leaks’, conforme afirmou há algumas semanas, ao que consta proibida pelo pai que sonha ainda com um regresso nas mãos do generais caluandas, a sua real base social de apoio, pois ela representa na verdade o essencial das famílias caluandas e não com tribunais.

“Não recebemos nenhuma ação legal; houve, claro, uma acusação verbal, mas não nos chegou nada ainda”, disse Gerard Ryle, durante uma conferência de imprensa que decorreu hoje, em Lisboa, juntando figuras ligadas ao denunciante Rui Pinto, que defendem a sua libertação e que talvez em tom de desafio quer ver se Isabel dos Santos regressa ao tempo da vaidade e vai aos tribunais defender-se, na verdade estatelar-se se o fizer.

A 17 de janeiro, ainda antes de perceber as razões do pai que se esconde na penumbra e joga via a sua elite militar a ver se regressa a empresária angolana Isabel dos Santos anunciou, ameaçou, com ações em tribunal contra o consórcio de jornalistas que divulgou a investigação ‘Luanda Leaks’, reafirmando a origem lícita dos investimentos que fez em Portugal, contando com as inúmeras cumplicidades que por cá gerou, desde os meios empresariais aos politicos ( do CDS em diante…) ed também aos judiciais e até policiais.

“Refuto as alegações infundadas e falsas afirmações e informo que deram início as diligências para as ações legais contra a ICIJ [Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação) e parceiros da ICIJ, as quais serão conduzidas pela empresa internacional de advogados Schillings Partners”, disse Isabel dos Santos, antes do puxão de orelhas do pai.

Isabel dos Santos lamentou o que considera “ações irresponsáveis de alguns jornalistas que […] desencadearam uma tragédia humana e negligenciaram o respeito pelo direito à privacidade”, não se entendendo onde anda essa tragédia humana, à exceção da familiar e da corte agora enervada que a rodeava.

A empresária, posta na ordem pelo pai dedicou-se a tentar  alienar as suas participações em várias empresas portuguesas, procurando obter ganhos agora bloqueados e gerando ataques que até do Parlamento Europeu vêm, que decidiu atacar os lusos negócios com o clã dos Santos .

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou no dia de 19 de janeiro mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de ‘Luanda Leaks’, que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais e deixaram entalados os da corte santista, angolana, lusa, britânica, americana, brasileira….

E, infelizmente para o clã dos Santos, o mundo continuou a girar e sem contat com ele na gestão desse “gira-bola”  e assim o Serviço Nacional de Recuperação de Activos (SNRA), órgão adstrito á  PGR angolana, recuperou agora USD 280 milhões de dólares encontrados na conta bancaria de um militar das FAA, Daniel Sawa Mulato um  ajudante de campo do antigo chefe das telecomunicações da presidência, tenente-general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, que assim entra na lista dos postos na linha da frente dos “a cair”.

Esses 280 milhões de dólares surgiramn  das contas de uma tal  China International Funds (CIF), criada após ao fim do conflito armado, isto é pós 2002 e pós, claro, do afastamento de Jose Eduardo dos Santos do “campo americano”  e que  intermediava transações de crude para a China, aplicando os lucros, teoricamente, no financiamento de infraestruturas em Angola. 

Note-se que  as linhas de credito da China, que se substituiu aos EUA, que entendeu que não daria ao ditador angolano tudo o que ele pediu,  estavam sob comando do CIF, pelo que as autoridades judiciais angolanas, através do Serviço Nacional de Recuperação de Activos,  decidiram fazer regressar para o Estado Angolano , no inicio de 2019 essas verbas. 

Perante tal, os mentores do CIF, segundo fontes do Club-K, decidiram transferir a quantia acima para uma conta bancaria detida em nome de Daniel Sawa Mulato, natural da província da Huila, ( certamente do lobby bem santista), mas que à data dos factos era ajudante de campo de “Dino”, ostentando a patente de capitão e fazendo parte da muito conhecida Unidade da Guarda Presidencial.

 Em Março de 2019, o general Leopoldino do Nascimento foi notificado para ser ouvido na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), e não  compareceu porque justificou estaria  em Singapura.

A par dessa movimentação a  PGR notificou também o ajudante de campo, Daniel Sawa Mulato para tentar p+erceber qual o papel  deste capitão da UGP na receção dos 208 milhões de dólares e aparentemente depois de interrogado, o capitão passou segundo fontes do Club-K a manifestar intranquilidade pela situação que foi submetido e alvo que foi de  forte pressão, perante o  cerco que já envolvia o seu  general “Dino” que  deixou o país rumo a Barcelona, no dia 16 de Abril de 2019, acompanhando o chefe do gang, o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, o capitão Sawa Mulato  na manha do  dia 17 de Abrilsuicidou-se com  um tiro no peito, tendo deixado  na sua viatura,  um bilhete agora nas mãos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) para a devida analise.

Esclareçamos que a  filial em Angola da China International Funds (CIF), que fez a transferência dos fundos para a conta do citado capitão tem como empresa mãe, uma organização fundada em Hong Kong e que começou a implementar-se no país em 2006 financiando projetos de reconstrução nacional e desenvolvimento, sendo a  “empresa mãe” registrada em Hong Kong, em nome dos angolanos, os importantes Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, Manuel Domingos Vicente, Leopoldino Fragoso do Nascimento, o habitual santista francês Pierre Falcone, e o cidadão chines Xu Jinghua “Sam Pa”, sendo um essecial meio de gestão dos empréstimos chineses  a Angola, e a  gestora dos trabalhos de construção do novo aeroporto internacional de Luanda, dos imóveis das centralidades do Kilamba, e de outros projetos de iniciativa presidencial santista.

 Releve-se que com o desmantelamento dos projetos do Estado sob controlo do CIF, a PGR recuperou imóveis avaliados em mais de 500 milhões de dólares americanos nas centralidades (Kilamba e Zango 0) que estariam sobre controle desta empresa privada.

 Note-se que o cidadão Samora Borges Sebastião Albino o acionista formal do CIF-Angola é conhecido como sendo  o principal “testa de ferro” de Leopoldino do Nascimento em vários negócios sendo o PCA do Grupo “Media Nova”, que detém a TV Zimbo, Radio Mais e representa ainda  “Dino”, na empresa de alimentos NDAD, é também, o  Club-K, sócio do Grupo Cochan, onde o general detém 97% das participações. 

Os generais Dino e Kopelipa são mesmo nomes sobre os quais Hélder Pitta Gróz, procurador-geral de Angola, foi questionado pelo Expresso. “Em relação a essas figuras, ainda não temos matéria suficiente [para instaurar processos-crime]”, respondeu.

 Mas estes dramas que assustam Isabel dos Santos têm uma bem alargado percurso global que vai até empresas “offshor” abertas no Panamá, onde  mais de 70 milhões de dólares foram  desviados da companhia petrolífera angolana e investidos em hotéis de luxo e casinos, em Punta del Este e diga-se com “maus resultados”  pois os  défices terão somado mais de um bilhão de dólares, entre 2003 e 2015.

A cidade de Punta del Este, a 130 Km ao Sul de Montevidéu, capital do Uruguai, criada por um visionário maçon nos princípios do século XX, é uma espécie de  paraíso turístico, e um dos mais luxuosos da América do Sul, um refúgio discreto  de muita gente mundialmente famosa entre artistas, desportistas e “socialites” mais ou menos multimilionários, que mantém mansões por lá

Em 2002 foi no mínimo visto como curioso, para muitos observadores locais, que viesse de tão longe e sobretudo de um país devastado por décadas de guerra e figurado entre os mais pobres do Mundo um grupo de pessoas tão endinheiradas dispostos a investir neste nicho de elite.

E para tal nasceu  a empresa Vidaplan S.A., sediada  na região de La Barra, Punta del Este, centrada  no setor da hotelaria, resorts, linhas de cruzeiros, casinos e jogos em projeto aprovado  Ministerio do Turismo uruguaio e  classificado com a categoria “cinco estrelas”.

Credenciados, os novos investidores, associados com o empresário italiano Giuseppe Cipriani, perspetivavam dar uma guinada no mercado, renovando o Hotel Cipriani, que existia há mais de 20 anos, belamente localizado a 500 metros do mar e abraçado pela vegetação da floresta Manantiales e em Novembro de 2003 o complexo Cipriani Spa & Resort foi reinaugurado e além do casino com mais de duzentas máquinas de jogos, contava-se agora com um dos maiores e o mais completo “spa” da região, composto de programas personalizados para os aficionados em terapias, rejuvenescimentos e tratamentos de beleza.

Segundo os documentos, os proprietários da Vidaplan SA eram as empresas Solaris Equities (27,75%) e Rigate Holdings Inc. (72,25), sediadas no Panamá; sendo que a Rigate Holdings Inc. pertencia a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), com a Direcção Nacional de Casinos do Uruguai, a informar quem eram os constituintes da Vidaplan SA, apresentando-os  com  a prova notarial de um banco das Ilhas Anglo- Normandas – justamente onde fica a ilha britânica de Jersey – sendo que foi lá que a Sonangol tinha depositado os 50 milhões de dólares que serviram para investir no país sul-americano.

Desvendemos  agora um pouco do Luanda Leaks brasileiro deixando de lado a Odebrechet que serviu a ditadura militar e também parte das Esquerdas brasileiras para reforçar as suas relações Angola – Brasil.

Falemos brevemente dos 130 apartamentos do Solar Tambaú, empreendimento imobiliário de luxo à beira-mar em João Pessoa, na Paraíba sabendo-se que na construção do mesmo não houve um traço de austeridade com  os R$ 20 milhões gastos para erguer o condomínio a estarem à vista nos apartamentos com iluminação controlada pelo celular, esquadrias alemãs e mosaicos italianos, ou ainda  a 30 quilômetros dali um dos mais luxuosos resorts do litoral paraibano, o Mussulo, (não há angolano e ou luso angolano que não tenha amado o Mussulo…agora “brasileiro”…) cujos mais de cem bungalows a acentuarem  a pujança do investimento estrangeiro no Nordeste que não disfarçam a origem dos recursos, o desvio, sonegação e lavagem de dinheiro internacional, segundo a Polícia Federal brasileira, PF que investiga há sete anos, o homem por trás dessa rota de desvios e lavagens de dinheiros, o angolano José Carlos de Castro Paiva, figura de confiança do ditador que governou Angola por quase 40 anos – José Eduardo dos Santos. Que foi  durante 25 anos diretor-geral em Londres da poderosa estatal petrolífera angolana, a Sonangol.

Numa complexa trama de ocultação de dinheiros e patrimônio, através de uma série de empresas em paraísos fiscais, também com  a filha do ex-presidente de Angola, Isabel dos Santos, a investigação da PF aponta para indícios de peculato, desvio de verbas, gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro contra Castro Paiva com o inquérito ainda a correr em sigilo.

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