Home Opinião Das greves cirúrgicas às greves individuais! ( Não há luta de classes?)

Das greves cirúrgicas às greves individuais! ( Não há luta de classes?)

por Joffre Justino

Teve Portugal o valor mais alto desde 2001 pois no ano passado foram emitidos 1,8 milhões de certificados de incapacidade para o trabalho com a Confederação Empresarial de Portugal a protestar contra o que diz ser “crime organizado”.

Na verdade, o número de beneficiários de subsídios de doença aumenta desde 2014 e assim no ano passado registaram-se 132 mil baixas a mais do que em 2018 com em 2019 a serem registados 1,8 milhões de certificados médicos de incapacidade para o trabalho.

Tal levou logo a Confederação Empresarial de Portugal, a pedir mais fiscalização à Segurança Social e “atenção redobrada aos médicos”. Diz mais: que há indícios de “práticas abusivas” com baixas fraudulentas.

“Dá a ideia de que há situações já montadas, esquemas bem organizados, e, lamento não conseguir fazer prova disto pois não há apanhados em flagrante, mas relatam-me casos, principalmente na zona de Leiria, no setor dos moldes e do vidro, de um crescimento no número de baixas sem controlos rigorosos”, afirmou à TSF António Saraiva, presidente da CIP/CEP 

E refere António Saraiva, “Os trabalhadores em baixa profissional acabam por estar a trabalhar aqui e ali, o que é uma fraude, numa prática que se condena e que tem vindo a aumentar como se houvesse aqui crime organizado, passe a expressão”, e curiosamente sem se questionar desta situação

Tambem o gabinete do Secretário de Estado da Segurança Social reagiu dizendo que este aumento nas baixas médicas é influenciado pelo aumento do emprego mas as contas da TSF, diz que o aumento da população empregada tem ficado muito abaixo do aumento dos beneficiários de subsídios por doença e dá exemplo – em 2018 a variação do número de beneficiários por baixa médica foi de 11,6%, enquanto a variação da população empregada foi de apenas 2,3% e em 2019 a correspondência também não foi verificada – 7,8% na intercorrência de baixas e 1,0% da variação de pessoas com emprego.

A Secretaria de Estado, citada pela emissora de rádio, reforça que “a despesa com o subsídio por doença encontra-se em linha com o crescimento de contribuições, que reflete o aumento de trabalhadores (logo de potenciais beneficiários do subsídio por doença) e o efeito do aumento da massa salarial (a qual tem impactos no valor dos subsídios a atribuir)”.

E diz ainda que o número de baixas depende diretamente dos médicos do Serviço Nacional de Saúde e que, comparando com 2015, em 2019 o número de exames de verificação subiu 45%, num esforço de combate a eventuais fraudes. As empresas com suspeitas devem ser comunicadas à Segurança Social.

Curiosamente ninguém relacionou a aprendizagem das “greves cirúrgicas” dos enfermeiros ( greves individuais) com estas greves individuais dos restantes trabalhadores  cansados de baixos salários, de horários flexíveis e de perda de Direitos dos coletivos aos individuais- na realidade bloqueados os sindicatos a luta ter-se-á individualizado – eis o resultado da “parceria” Antonio Saraiva/ Carlos Silva/ Vieira da Silva/ “Concertação social” à portuguesa ! 

Como disse Warren Buffett há mesmo luta de classes e, acrescentando, ela exprime-se pelos moldes que consegue ! 

Em Portugal via as baixas ! 

Querem reduzir as baixas? Fácil melhores contratos coletivos de trabalho, melhores salários, melhor democracia económica! 
Enfim é obvio que não será solução pois paga o justo pelo pecador e não se reforça com esta atitude individual a Democracia económica claro, mas mais valia ao patronato pensar as Relações Laborais de forma mais no mínimo cristã! Nada como ler mais atentamente o papa Francisco!

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