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Morreu Marcelino dos Santos

por Antonio Sousa

Morreu Marcelino dos Santos um dos lideres dos movimentos nacionalistas dos PALOP, e fundador da Frente de Libertação de Moçambique, a Frelimo, Marcelino dos Santos, aos 90 anos, na sua em casa, em Maputo, vítima de uma paragem cardíaca, anunciou o médico pessoal, Leopoldo da Costa à TVM, a Televisão de Moçambique afirmando, “Há uns anos eram frequentes os internamentos, nos últimos esteve mais estável, mas desta vez não suportou e acabou perdendo a vida: fez uma paragem cardíaca”

Sofrendo de diferentes enfermidades que o obrigaram a várias hospitalizações, “Já vinha sofrendo bastante nos últimos anos com problemas de saúde. Fui um dos médicos que o acompanhou e ele teve sempre altos e baixos no seu estado”.

Natural de Lumbo, junto à Ilha de Moçambique, na província de Nampula (Norte do país), fez parte com Samora Machel e Uria Simango do “triunvirato” que chefiou a FRELIMO após a crise aberta com o assassínio de Eduardo Mondlane, em 1969 e com Samora Machel afastou Simango da FRELIMO 

Foi depois  da independência, presidente da Assembleia da República de Moçambique, entre 1986 e 1994, último lugar institucional que ocupou, apesar de ter continuado na vida política.

Marcelino dos Santos, que morreu esta terça-feira de doença, aos 92 anos, viveu tão intensamente a sua ligação à causa nacionalista e à Frente de Libertação de Moçambique que afirmou: “Não sou da Frelimo, sou a Frelimo”.

Marcelino dos Santos esteve desde o inicio desta fase salazarenta e logo na juventude na causa da independência de Moçambique e logo em Lisboa, entre 1948 e 1951, destacou-se, na Casa dos Estudantes do Império e no Centro de Estudos Africanos, como militante anticolonialista.

Em 1951, para fugir à perseguição da PIDE, Polícia Internacional e de Defesa do Estado, rumou para Paris, onde estabeleceu forte relação com o nacionalista angolano Mário Pinto de Andrade.

Marcelino dos Santos foi essencial na mobilização de muitos intelectuais franceses, que escreveram a Salazar a exigir-lhe a independência para as colónias e a libertação imediata dos presos politicos nacionalistas como Agostinho Neto, que estava preso.

É fundador com Mário Pinto de Andrade, Amílcar Cabral e Aquino de Bragança, em 1961 da Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas, CONCP, a mãe dos PALOP e da CPLP tendo sido eleito seu secretário-geral em Rabat, capital de Marrocos.

Em 1961 adere  à União Democrática Nacional de Moçambique, Udenamo, e escreve os estatutos desta organização e com ela participou na fusão das três organizações que resultaram na fundação da Frelimo.

Redigiu os estatutos da Frelimo, tendo-se tornado chefe das Relações Exteriores e chefe do Departamento de Orientação Política e foi determinante no reconhecimento internacional da Frelimo como representante legítimo da causa da luta do povo moçambicano pela independência e na definição da estratégia de luta política e armada para o alcance desse objetivo.

Marcelino dos Santos, é um dos dirigentes nacionalistas que com Agostinho Neto e Amílcar Cabral, foi recebido pelo papa Paulo VI no Vaticano, em 01 de julho de 1970, pondo o Governo português em estado de choque!

Após o assassinato do primeiro presidente da Frelimo, Eduardo Mondlane, em 3 de fevereiro de 1969, Marcelino dos Santos é um dos do triunvirato escolhido para a liderança do movimento até à escolha de uma nova direção e a seguir ao afastamento de Uria Simango do triunvirato, devido a divergências internas, Samora Machel foi eleito presidente da Frelimo e Marcelino dos Santos vice-presidente.

Como marxista-leninista pró soviético nunca entendeu o papel da Resistência Nacional Moçambicana, Renamo o principal partido da oposição, que via estritamente como “bandidos armados”, e por tal negou publicamente cumprimentar o falecido líder da Renamo Afonso Dhlakama, declarando ainda várias vezes o seu desencanto com a viragem para o capitalismo da “sua” Frelimo. 

O Presidente moçambicano e da Frelimo, Filipe Nyusi, bem como os órgãos do partido, divulgaram um comunicado de pesar pela morte, sem que tenham sido divulgados os pormenores sobre as cerimónias fúnebres.

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