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Ilusão do Brasil com o clube dos países ricos

por Silvio Reis

A OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, perde credibilidade diante de abusos do poder de Donald Trump.

Em 2017, o ex-presidente Michel Temer oficializou pedido de adesão na OCDE, para fazer parte do clube dos países ricos. No ano passado, Trump impôs condições para os EUA apoiarem a entrada no Brasil. Uma delas foi um contrato de aluguel com a base de lançamento de foguetes de Alcântara. Bolsonaro aceitou. Mesmo assim, o presidente estadunidense priorizou apoio para a Argentina e Romênia na OCDE.

Depois que o ex-presidente argentino Macri perdeu a eleição e um governo de esquerda assumiu o país, Argentina deixou ser prioridade. Com o apoio do presidente Bolsonaro ao ataque dos EUA no Iraque, que resultou na morte do general iraniano, o Brasil ganhou prioridade norte-americana na reunião do conselho da OCDE, em 15.01.

O processo de adesão pode levar mais de três anos e passa por aprovação dos atuais 36 países-membros. Um dos critérios para a entrada de um país-membro é adotar melhorias econômicas e políticas, incluindo combate à corrupção. Coincidentemente, em 15.01, a Secretária de Comunicação da Presidência da República, Secom, foi acusada de corrupção.

Ainda no dia 15.01, Jair Bolsonaro excluiu o Brasil da Celac, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que integra 33 países. O México preside o bloco e convidou o País para voltar a participar das atividades do grupo. O convite foi recusado e reforçou a submissão brasileira aos EUA. Uma das justificativas brasileiras para a saída do bloco é a participação de Venezuela e Cuba.

Contar com o apoio dos EUA para entrar na OCDE não é suficiente. Mas Trump se beneficia desse poder. Iludido, Bolsonaro aceita.

Silvio Reis, jornalista brasileiro

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