Home Espanhas Abençoada ERCatalunha a quem a peninsula e as Espanhas devem a investidura ao PSOE!

Abençoada ERCatalunha a quem a peninsula e as Espanhas devem a investidura ao PSOE!

por Joffre Justino

O socialista das Espanhas Pedro Sánchez foi, esta terça-feira, reconduzido como primeiro-ministro de Espanha pelo Congresso dos Deputados, numa coligação minoritária com a Unidas Podemos, e com votos favoráveis e abstenções negociadas a ferro e fogo, sob pressão das direitas e do dito rei deste país plus colónias, dos independentistas .

Foi preciso uma  segunda votação que permitiu uma vitória de maioria simples dos deputados do parlamento – 167 deputados a favor, 165 contra e 18 abstenções, para se ultrapassar a quase um ano de paralisia política em que Sanchez geriu  um executivo de transição para ser eleito na margem mínima de dois deputados, mas mesmo com essa pequena  margem os deputados que apoiam Sanchez festejaram o anúncio da votação pela presidente da câmara baixa, Meritxell Batet, com gritos de “Sim, é possível!”, (um sim é possível que cala também  a ala direitista do PSOE que quase tudo fez para impedir esta governação)

Será o primeiro Governo de coligação da dificil  democracia das  espanhas  com a aliança com o Unidas Podemos, de Pablo Iglesias que será vice-primeiro-ministro e será acompanhado por mais quatro membros no novo Executivo.

A sessão de investidura durou três dias, com o discurso do candidato no sábado, e a primeira votação a fracassar, por falhar a maioria absoluta, no domingo e, nesta terça-feira, finalmente com o êxito na segunda volta que só exige maioria simples e  que se deve à abstenção de duas forças independentistas, a Esquerda Republicana da Catalunha e os nacionalistas radicais bascos Euskal Herria Bildu, o que anuncia duras negociações para o futuro.

Nos 15 minutos de intervenção na segunda sessão de investidura, Pedro Sánchez alterou as agulhas e centrou-se na critica à politica obstrucionista , das várias direitas,  ao seu potencial Governo do que a defender o mesmo, recordando no mesmo que “Ninguém tem o direito de monopolizar o patriotismo”, citando o antigo Presidente da República das espanhas, Manuel Azaña, (sim já houve Republica nesse lado da Península Ibérica, sr PR português e foi destruída pelo nazi franco fascismo!) o que gerou  protestos nas bancadas mais conservadoras

Sánchez acentuou que não há alternativa no momento a um Executivo criado entre o seu Partido Socialista Operário Espanhol, PSOE e a aliança de esquerda com o Unidas Podemos,  do vice-primeiro-ministro Pablo Iglesias e defendeu o fim do “clima tóxico” que acusa a direita de fomentar, (até usando os tribunais para impôr prisões politicas, como as dos Catalães, referimos nós).

A votação, que foi  uninominal pelos 350 deputados e note-se que a favor da investidura do socialista já tinham votado no domingo, o PSOE, o UP, o Partido Nacionalista Basco, o Mais País (esquerda), o Compromisso (esquerda valenciana), o Nova Canárias, o Bloco Nacionalista Galego e a formação regionalista Teruel Existe, com a Esquerda Republicana da Catalunha, ERC,  e o Euskal Herria Bildu, nacionalismo radical basco, a absterem-se, e contra estiveram os três partidos  direitistas, (Partido Popular, Cidadãos e Vox, (este realmente fascista) e ainda os independentistas do Juntos pela Catalunha, do ex-presidente regional Carles Puigdemont e da Candidatura de Unidade Popular, os conservadores navarros, Navarra Soma, cujo deputado considerou uma “indignidade” haver um Governo apoiado por quem em tempos não condenou assassínios terroristas imagine-se, a Coligação Canária, o Partido Regionalista da Cantábria e o Fórum Astúrias.

O líder do maior partido da oposição, o direitista PP, Pablo Casado, respondeu às citações republicanas de Sánchez, mostrando a face ainda franquista, com vivas ao rei Filipe VI e críticas a uma putativa investidura apoiada pelo Bildu, o partido sucessor da antiga Batasuna, que era braço político da ETA, o partido independentista Basco, extinto em 2011 sendo que a abstenção do Bildu e da ERC, foram essenciais para viabilizar o futuro Executivo, e são para os direitistas e fascista a prova de uma traição à pátria espanhola, espantem-se, sobretudo fazendo recordar que o fascista Franco continua em muitas cabecitas das Espanhas, em especial as castelhanas.

Com discursos como o de Casado, a dizerem que os apoios à posse de Sánchez são um “cavalo de Troia” para “meter golpistas e terroristas no Governo de Espanha”, “O nacionalismo não pretende a integração mas a rendição socialista”, constata-se da dificuldade em haver convivências democráticas no seio destes nossos vizinhos que usaram e abusaram do autoritarismo! 

Felizmente,  a ERC teve o bom senso de, no acordo do PSOE para permitir a posse de Sánchez, conseguir a criação de uma mesa de diálogo entre os governos central e regional e uma forma de consulta aos cidadãos da Catalunha que o socialista garante será feita dentro da lei, e que a direita vê porta aberta a novo referendo ao arrepio da Constituição, mas que qualquer Republicano sabe ser  determinante para o findar da monarquismo na península ibérica,  e para o repensar deste espaço geo politico, com forte influencia na América Latina e em África e por tal temido na UE, e nos USA.

O líder fascista do Vox, esquecendo o caudilhismo franquista, deu vivas ao monarca, além de abusar discursiva e insultuosamente com um mimo fascista, dizendo ser o governo “um matrimónio entre mentira e traição vai parir um Governo”, tendo  Santiago Abascal criticado ainda  Sánchez por não ter ordenado a destituição do presidente do governo regional catalão, Quim Torra, apesar de sentença judicial contra o mesmo. “O Governo olha para outro lado porque necessita da autorização dos golpistas” e esquecendo o parlamento europeu claro!

Demonstrando a sua falta de espirito parlamentar e democrático  e de Tolerância, esquecendo os larguíssimos milhares de mortos feitos pelo franquismo, os 52 representantes do Vox abandonaram o hemiciclo durante a intervenção, posterior, de Oskar Matute, do Bildu. Mas note-se já os separatistas do Juntos pela Catalunha tinham saído durante o discurso de Abascal.

Pela ERC interveio, emocionada, a deputada Montse Bassa, cuja irmã Dolors é um dos nove políticos catalães condenados a prisão por envolvimento na intentona separatista de 2017. “Golpista!”, gritou um deputado da direita quando Bassa considerou que eram “presos políticos” e defendeu o direito à autodeterminação, “Sei que metade deste hemiciclo se alegra pela nossa dor, ou queria que fosse ainda maior”, acusou, acentuando que por vontade pessoal votaria contra Sánchez, mas que se abstém em nome do diálogo e da empatia, ainda que com muito ceticismo e foi dura gerando protestos de vários deputados direitistas ao afirmar estar-se “nas tintas para a governabilidade de Espanha”, país que acusa de repressão.

Bassa exigiu também e bem a libertação de Oriol Junqueras, líder da ERC e antigo vice-presidente do governo regional catalão, que cumpre pena de 13 anos de cadeia e que foi eleito eurodeputado em maio, com o Parlamento Europeu a decretar há dias que goza de imunidade (a eleição foi anterior à condenação), tal como outros acusados que são deputados europeus.

Pablo Iglesias deslegitimou o discurso de Casado e Abascal citando a viúva do político socialista Ernest Lluch, assassinado pela ETA em 2000: “Não falem em nome das vítimas do terrorismo. Muitos de nós apostámos no diálogo e não no confronto. Basta de usarem a nossa dor em vosso benefício”, disse Rosa Lluch.

Note-se que escassos minutos depois de  Meritxell Batet anunciar como outorgada a confiança ao novo Governo, o deputado de Unidas Podemos, Pablo Echenique, rompeu em  choro, emocionado, tal como Pablo Iglesias, o futuro vice-presidente dos Assuntos Sociais, o que marcou como sendo uma das imagens do dia.

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Mas o momento mais emotivo aconteceu  quando Pablo Iglesias  entregou  a Ana Vidal, a deputada de seu próprio grupo que se sabe sofrer de cancro e veio propositadamente votar,  um grande ramo de flores, recebido entre aplausos e gritos de “sí se puede” pelos seus companheiros de partido.

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