Home Cabo-Verde Luis Giovani, jovem cabo-verdiano, assassinado pela intolerância macho-fascio-racista

Luis Giovani, jovem cabo-verdiano, assassinado pela intolerância macho-fascio-racista

por Joffre Justino

Haverá Manifestações “em homenagem à vida do jovem Cabo-Verdiano Luís Giovani, que foi brutalmente interrompida por um grupo de jovens portugueses na cidade de Bragança. O objetivo é reunir o máximo de pessoas que queiram marcar presença, mostrar resistência e chamar a atenção para casos de violência contra jovens africanos residentes em portugal que estão a ser sistematicamente abafados.

PONTO DE ENCONTRO: EM FRENTE À ESTAÇÃO TRINDADE.

Vigílias em outras cidades de Portugal (dia 11 às 15h00):

LISBOA – Terreiro do Paço;

COIMBRA – Praça de República;”

Pensávamos que estas guerrinhas fascistóides de bairro ( que conhecemos na nossa juventude feita em ambiente fascista contra o qual combatíamos) já não tivessem cabimento neste século XXI, 2020, mas estávamos enganados!

Têm cabimento!

Assim quatro jovens vindos da ilha do Fogo estavam, a ter uma pacata noite entre amigos e “Estavam na fila,  à saída, para poder pagar. O Giovani estava a conversar com o amigo mais velho, no movimento de dar um passo para a frente, um passo para trás, um deles esbarrou numa menina.” Terá sido nesse momento que o “suposto namorado” rapariga lhes terá dado um empurrão.

O DJ local e o segurança acalmarem os ânimos, e aconselhou estes amigos a que  “era melhor não alimentar aquilo porque podia dar-lhes problemas”, e mais , “…os quatro foram aconselhados a esperar dentro do estabelecimento alguns minutos depois de fecharem, para ser evitada mais confusão à porta”, ao que os jovens acataram e esperaram cerca de 20 minutos dentro do bar Lagoa Azul, já depois do estabelecimento fechar. 

Terá sido “… esse o tempo que os agressores tiveram para ir reunir o grupo e as armas. Quando eles sairam da discoteca, uns 300 metros à frente estavam cerca de 15 rapazes em três grupos armados com cintos, ferros e paus …Assim que viraram a esquina para ir para casa, eles caíram todos em cima do amigo mais velho, que está com o corpo cheio de hematomas. O Giovani foi lá pedir para pararem e antes de acabar a frase levou com uma paulada na cabeça”. 

“…o barulho deve tê-los assustado, porque pararam e os quatro que levaram aproveitaram para fugir”.  

E continuemos o relato, “Enquanto fugiam, dois dos amigos aperceberam-se que não tinham a carteira e o telemóvel e quiseram voltar para trás. Foi nesse instante que o Elton chamou pelo Giovani mas ele simplesmente seguiu em frente.” Segundo a queixa apresentada mais tarde à Polícia, já no hospital, Elton disse não saber para onde Giovani teria fugido, seria só mais tarde quando os amigos recuperaram as coisas, que o encontraram já inconsciente e com a polícia. “Já não devia estar nele. Seguiu mais uns 500 metros e quase a chegar a casa, já na Avenida principal caiu”, enfim uma mera hipótese do sucedido.

Mas foi só cerca das três da manhã do dia 31 de dezembro que  o coração de Giovani parou de bater e a família terá sido informada por volta das nove da manhã do mesmo dia.   

O auto da queixa apresentada pela família indica que eram 4:19 quando Giovani deu entrada no hospital, transportado por um veículo do INEM depois de encontrado inconsciente, com um hematoma na cabeça, dando indícios de um possível traumatismo cranioencefálico. “Num período de quatro horas, depois de alguns exames, ele já estava aqui no Porto, no Hospital de Santo António”. 

Depois de uns burocráticos contratempos no hospital “…, eu liguei logo para o hospital e a embaixada já tinha dado o meu nome como o familiar mais próximo dele. Foi aí que me disseram que a partir daquele momento só comunicavam comigo, porque a situação dele era grave”.

Só no dia de Natal é que o pai de Giovani conseguiu viajar de Cabo Verde para Portugal enquanto que a mãe, emigrada nos Estados Unidos e impossibilitada de viajar, não teve a mesma possibilidade.

À família terá sido informado que “encontraram dois suspeitos”, porém ao Contacto, através do qual fazemos este relato, a Policia Judiciária afirmou que apesar de “estarem a ser feitas diligências de investigação no âmbito desta situação, não havia mais informações a reportar”, o que numa cidade como Bragança é impossível ser verdade dando o ar de estarem a esconder os responsáveis.

Tema doloroso este que nos repõe em tempos e pensares que já não deveriam existir e que exigem que seja urgente que todos saibamos os nomes dos criminosos jovens ou não porque o praticado é um crime insustentável por ter uma componente grave de racismo que não pode ser admitido! 

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