Home Biodiversidade Em Lisboa o bacalhau venceu a sardinha?

Em Lisboa o bacalhau venceu a sardinha?

por Joffre Justino

Não sabíamos mesmo que o produto gastronómico nacional, o bacalhau,  se poderia tornar lisboeta sem um contestação nacional mas parece que vai conseguir sê-lo sem guerra pois o municipio de Lisboa divulgou que irá construir um equipamento cultural, o Bacalhau Story Centre que será instalado no Terreiro do Paço.

Este novo equipamento que será um museu vai ser um centro interpretativo com a história do bacalhau e da ligação com Portugal instalado na torre nascente do Terreiro do Paço.

De acordo com o Turismo de Lisboa, o órgão municipal responsável pelo projeto, o Bacalhau Story Centre será “uma homenagem a um símbolo da gastronomia, da cultura e da história de um país que há muito pensa global”.

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Não se sabe muito sobre o o acervo do museu, mas o municipio garante que “será um espaço para lembrar as gerações de marinheiros e pescadores, além de explicar a maneira de ser de um povo sempre pronto a oferecer o que tem e ir até ao fim do mundo para trazer o que lhe falta” 

Consta que a ligação dos portugueses com o bacalhau remonta ao século XIV, quando Dom Fernando I, então rei, fez um acordo com o rei da Dinamarca para pescar nos mares do norte da Europa, tudo por motivos religiosos, ( tinha de ser …), pois “Na época medieval havia 132 dias em que a Igreja obrigava à abstinência da carne. E como não havia congelamento, nem conservação, era preciso que o peixe pudesse ser conservado, e o sal era um grande conservante. Isso vem nos dizer o porquê de a gente no Natal comer bacalhau. Na época, a semana que antecedia o Natal era de abstinência de carnes”, segundo pesquisador histórico Virgílio Gomes relatou à agência Sputnik.

Portugal é considerado o maior consumidor de bacalhau salgado do mundo pois são 62 mil toneladas por ano, de acordo com a Associação dos Industriais do Bacalhau (AIB).

A principal parcela do peixe continua sendo pescada longe da costa portuguesa. “Há três grandes países fornecedores. A maior região é no mar de Barents, no Atlântico norte, quase junto ao círculo polar Ártico. Esse recurso é gerido por dois países, a Rússia e a Noruega. A seguir vem a Islândia, que também tem um estoque importante e tradição neste peixe”, explica à Sputnik Brasil o secretário-geral da AIB, Paulo Mónica.

Mas porquê este museu em  Lisboa, vale a pena questionar quando a partir do século XIX este tipo de pesca se tornou mais importante, com frotas bacalhoeiras a partir de Aveiro e de Ílhavo com destino, sobretudo, aos bancos ricos em bacalhau da Terra Nova, no Canadá.

Aliás na cidade de Ílhavo, situada a 8 km de Aveiro que possui uma raizes marítimas significativas o bacalhau é o baluarte de Ilhavo  e todos os anos, em Agosto, o município organiza o popular Festival do Bacalhau, com mesmo muitos visitantes à cidade que usufruem da gastronomia, e de um cartaz de concertos e exibições marcantes!

Aí o Museu Marítimo de Ílhavo é também um verdadeiro ícone da arquitectura, da dupla de arquitectos Nuno Mateus e Pedro Mateus que também foi nomeado para o Prémio Mies van der Rohe, em 2003 sendo um dos mais visitados na região Centro de Portugal.

Nele conta-se a história da pesca em alto mar na Terra Nova e na Gronelândia, assim como na ria de Aveiro. A Sala dos Mares apresenta um acervo interessante de instrumentos náuticos e de miniaturas de embarcações antigas. Deverá prestar especial atenção à colecção da pesca do bacalhau, verdadeiramente deslumbrante!

Para quê então um museu do bacalhau em Lisboa? Com o património material e imaterial de Lisboa para quê roubar o bacalhau a Ilhavo 

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