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JAIME GRALHEIRO (1930 – 2014)

por Joffre Justino

Jaime Gralheiro, um Antifascista e um Comunista em território pouco dado à diversidade!

Tivemos o enorme prazer de conhecer Jaime Gralheiro, primeiro por via da sua escrita, orientados por mão que o amava o que nos facilitou bastante no ganhar o gosto por este cidadão e depois mesmo que episodicamente pessoalmente e dele recordamos o seu ar transparente e frontal.

Cidadão polémico, frontal, amante da Justiça mais que advogado, amante da escrita mais que escritor e amante da terra que o criou, mais que vizinho e Cidadão, Jaime Gralheiro teve uma intervenção cívica, política e cultural, até ao momento da morte como certamente queria que acontecesse…

Teve uma participação significativa na luta antifascista e contra a guerra, e por isso foi impressivo onde nasceu e viveu, até porque um notável causídico que foi, com uma capacidade de argumentação em tribunal quase ímpar, Jaime Gaspar Gralheiro interveio em milhares de processos judiciais, destacou-se em batalhas como nas questões ligadas aos baldios e aos Direitos Reais, sobre as quais produziu inúmeros artigos técnicos em revistas da especialidade.


Apaixonado pelas artes de palco, dramaturgo e encenador, foi o autor de várias peças levadas ao público em vários pontos do país e pelas quais foi distinguido como também foi reconhecido pelas encenações que produziu.

Nasceu em Macieira, concelho de S. Pedro do Sul, no dia 7 de Julho de 1930, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e abre escritório de advogado em S. Pedro do Sul onde exerce a profissão de advogado.

Em 1971, funda com José de Oliveira Barata e Manuela Cruzeiro, o “Cénico – Grupo de Teatro Popular” de S. Pedro do Sul que dirigiu desde a sua fundação, encenando em conjunto com José O. Barata, os seus três primeiros espetáculos: “Auto da Compadecida” de Areano Suassuna; “Sapateira Prodigiosa” de Federico Garcia Lorca e “Na Barca com Mestre Gil” da sua autoria

E a partir de 1975 passa a encenar sozinho todos os espetáculos montados pelo “Cénico”, como “Arraia Miúda” ( 1975/76); “O Homem da Bicicleta” (1977/78); “D. Beltrão de Rebordão” (1988/89); “A Grande Jogada” de José Viana (1980); “Viva o Lobo Mau” e “Farruncha” (1985); “Lafões é um Jardim” (1990/91); “Onde Vaz, Luiz?” (1991/92); “Era uma Vez um Coração” (“Cénico/infantil”; 1992/93); “Tartufo” de Molière/Llovet (1993/94); “Viva o Lobo Mau” e Farruncha (“Cénico/Infantil; 1994/95) e “É (H) MEU!” (“Cénico/Juvenil” : 1995/96 ); “Vem aí o Zé das Moscas” (Cénico/Infantil) de António Torrado que subiu à cena em Maio de 97.

No plano politico desenvolveu uma apaixonada atividade política, logo de 1961 até ao 25 de abril 1974, participando em todas as campanhas eleitorais, pela Oposição Democrática e estando por isso nos 2º e 3º Congressos Republicano e Democrático de Aveiro, tendo no 3º, em 1973, dirigido a secção “Desenvolvimento Regional”.

A seguir ao 25 de Abril de 1974, foi o primeiro Presidente da Comissão Administrativa da Câmara de S. Pedro do Sul, de onde foi afastado no “Verão Quente de 75”. (Desta experiência e como se fora um testamento, nasceu a peça para teatro “Arraia Miúda”).

Lidera então a candidatura do MDP/CDE, à Assembleia Constituinte, pelo círculo da Guarda (1975) e até aos anos de 90, foi sempre candidato do PCP às várias eleições legislativas, pelo distrito de Viseu e se nunca eleito neste cavaquistão, nunca deixou de lutar pelas suas opções concorrendo, várias vezes, às eleições autárquicas, em S. Pedro do Sul, onde foi eleito vereador, em 1978, e para a Assembleia Municipal, sempre que concorreu.

Com vários prémios de Teatro, quer como autor quer como encenador (3 primeiros) e outras menções honrosas, foi considerado o Autor português mais representado no ano de 1978, desenvolvendo ainda uma significativa cultural, na área do Teatro, junto das Escolas, desde Cinfães (Viseu/norte) até à Caranguejeira (Leiria) e desde Esmoriz (Aveiro/norte) até ao Fundão (Beira Baixa).

Foi Presidente suplente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) na década de 80, e foi Vice- Presidente da Mesa da A.G. da mesma SPA, desde 1989 a 1997 e publicou,

– 1949-“FEIA” (publicada na revista Inicial do Colégio João de Deus – Porto)
– 1962- “EPIFÂNIO LACERDA” (mais tarde publicada com o nome de “Paredes Nuas” – representada pelo “Aurora da Liberdade, Matosinhos, em 1964);
– 1963- “BELCHIOR” (representada por várias coletividades, depois do 25 de Abril de 1974).
– 1964- “RAMOS PARTIDOS” (estas três peças foram publicadas, em 1967, num livro único, sob o título genérico de Teatro – edição de Autor);
– 1964- “FARRUNCHA” (infantil; publicada em 1975 pelo FAOJ); representada inúmeras vezes, por vários grupos de teatro, Escolas e coletividades.
– 1967/68- “O FOSSO” (publicada em 1972, como nº 1 da Cena Actual do Jornal do Fundão); representada, clandestinamente no TUP, por um Grupo de Amadores dos arredores do Porto, antes do 25 de Abril de 1974 e por várias coletividades, designadamente pelo TEB (Barreiro) depois desta data.
– 1973- “NA BARCA COM MESTRE GIL” (publicada em 1978 pela editorial “Caminho”); representada pelo “Cénico” de S. Pedro do Sul, após o 25 de Abril de 1974 e por outros Grupos de Amadores. Foi o último texto integralmente proibido pelo “Exame Prévio” fascista. 2ª edição revista e atualizada no Prelo (Caminho) e em ensaios no Cénico. Leitura aconselhada no Ensino Secundário.
– 1975- “ARRAIA MIÚDA” (publicada em 1976 pela editorial INOVA); representada pelo “Cénico”; TEUC; TEC e outros Grupos de Amadores.

Representada pelo “Cénico”.

– 1977- “O HOMEM DA BICICLETA” (dramatização do romance de Manuel Tiago: “Até amanhã, camarada”; publicada pela SPA em 1982); representada pelo “Cénico”.
– 1978- “VIERAM PARA MORRER” (3º prémio da SEC, publicado pela Moraes, em 1979).
– 1978- “LAFÕES É UM JARDIM” (1 ª versão; inédita);
– 1980- “ONDE VAZ, LUIZ?” (publicada pela editorial Vega em 1983); representada pelo TEC , numa encenação notável de Carlos Avillez; pelo “Cénico numa encenação do A. e pelo Teatro Construção de Joane).

– 1982- “LANDARILHO, UM SEU CRIADO” (inédita);

– 1986- “O GRANDE CIRCO IBÉRICO” (1º prémio do Concurso do CITAP/ Amadora, 1989; no prelo – D. Quixote/SPA);


– 1987- “A LONGA MARCHA PARA O ESQUECIMENTO” (representada e publicada pelo CETA, Aveiro, em 1987);
– 1989- “SERÃO PARA TRABALHADORES?” – Menção honrosa do Citep/Amadora esse ano (inédita).
– 1989- “O SOLDADO JOÃO”- teatralização do conto com o mesmo nome de Luisa Ducla Soares. Infantil. Inédita;
– 1990- “POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS”- série televisiva exibida: participou com dois textos, no 1º episódio;
– 1990- “MINHA LOUCURA OUTROS QUE A TOMEM…” (série televisiva; inédita);
– 1990- “LAFÕES É UM JARDIM” (2ª versão) representada pelo “Cénico” (inédita em livro);
– 1991- “AMOR DE PEDRA” – didático-infantil. Inédita.
– 1992- “ERA UMA VEZ UM CORAÇÃO”, teatralização de um texto didático do Prof. Políbio Serra e Silva – representada pelo “Cénico/Infantil” (inédita em livro)
– 1995- “CO-MU-NI-CA-ÇÃO!”. Brincadeira infantil. Inédita.
– 1995- “É(H) MEU!” (para adolescentes). Representada pelo “Cénico/juvenil em 1995/96; em vias de publicação pela D. Quixote/ SPA).
– 1996- “EUREKA! – ou a Alegria da Descoberta”, infanto-juvenil, em ensaios no “Cénico/Juvenil”. Inédita.
– 1997- “GRAÇAS E DESGRAÇAS D’EL-REI TADINHO” (infantil) – teatralização do conto de Alice Vieira com o mesmo nome.
– 1997- Homenageado como Autor do Ano, pelo 7º Ciclo de Teatro de Autores Portugueses (CITAP/Amadora) com exposição da sua obra (autor e encenador) e sessão pública de homenagem (Maio).
– 1997- Recebeu o Galardão do Centenário do Nascimento da patrona da Casa-Museu Maria da Fontinha (10 de Junho).
– 1997- Homenageado, por toda a sua obra, pela revista ANIM’ARTE de Viseu, em 12 de Julho.
– 1998- “NA BARCA COM MESTRE GIL”, nova versão rescrita (inédita).
– 1998 – Atribuição da Medalha de Mérito Cultural, pelo Sr. Ministro da Cultura (8 de Maio).
– 1998 – Indigitado para receber o Diploma e Medalha de Instrução e Arte, atribuída pela Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio (a ser concedida em 31 de Maio).
– 1999 – 2ª Edição de “Na Barca Com Mestre Gil” e “Arraia Miúda” – Ed. Sindicato Professores da Região Centro.

Na área da historiografia escreveu, ainda: “História do Cénico – ou 25 anos de um País através de uma associação de cultura e recreio” (1996) – inédita.

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