Home Opinião Ladrões de agrotóxico inovam a criminalidade no Brasil

Ladrões de agrotóxico inovam a criminalidade no Brasil

por Silvio Reis

A liberação de agrotóxico no Brasil tem aumentado a quantidade roubos e furtos do produto em propriedades rurais. Somente no governo Bolsonaro 382 novos agrotóxicos foram liberados até 03 de outubro. Como consequência, cresceu o comércio ilegal de defensivos agrícolas.

Quadrilhas de ladrões vendem a carga roubada para fazendeiros interessados em pagar menos. É um crime que traz problemas de saúde. Há casos em que os produtos roubados são adulterados para aumentar o lucro de quem vende. Compradores ilegais não precisam seguir normas técnicas de utilização e podem alterar a dosagem para aumentar a produtividade.  

Em uma reportagem da BBC News Brasil, o delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado da Polícia Civil de Mato Grosso, Flávio Henrique Stringueta, informou que o maior caso registrado no Estado foi uma carga de R$ 12 milhões de agrotóxicos. Os menores roubos representam R$ 300 mil cada um.  

Produtos roubados, falsificados e contrabandeados já representam 20% dos agrotóxicos vendidos no Brasil, segundo o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras, Idesf. Dos 44 bilhões anuais gerados pelo agronegócio, cerca de R$ 8,8 bilhões vêm da clandestinidade. 

Fazendeiros investem em tecnologia de proteção e suspeitam que ladrões utilizem drones para planejarem ações. Os crimes geralmente ocorrem de madrugada, com carros roubados e armas profissionais. O distanciamento das propriedades dificulta a operação policial. Em contrapartida, a polícia tem conseguido apreender grandes cargas roubadas de agrotóxico.

Com o fechamento de agências bancárias no país e a dificuldade de explodir cofres de bancos em cidades, roubar fazendas se tornou um negócio mais rentável para o crime organizado.

Silvio Reis, jornalista brasileiro

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