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O Cavalo Marinho na Ria Formosa

por Joffre Justino

Saber que se está a estudar o cavalo marinho em Portugal e em concreto no Algarve, na Ria Formosa, é novidade que nos parece, por no-news que pareça, para alguns, noticia real no ESTRATEGIZANDO, crentes que somos do papel das mitologias, no crescimento da Humanidade.

Na verdade a mitologia grega construiu uma lenda de forte aproximação ao mar através também dos cavalos marinhos, ou hipocampos, como das sereias etc, e que no que respeita aos cavalos marinhos, segundo algumas versõesdessas lendas, seriam filhos de Poseidon, talvez gerados por este deus através da espuma do mar e da crista das ondas, dado o enrolar especifico das ondas à beira mar, e o sonho dos outros mundos por detrás destas marinhas águas que a I Globalização com os portugueses superou. 

O hipocampo teria parte superior de seu corpo como um cavalo com crina membranosa, guelras e nadadeiras no lugar dos cascos dianteiros, com  a sua parte inferior a ser a de um peixe.


A parte dos seus corpos que eram de cavalo tinha um fino pelo, e o resto do corpo estaria coberta de escamas, sendo os  cavalos marinhos utilizados por Poseidon na espionagem e na patrulha por seu reino oceânico, mas os hipocampos serviriam de companhia e montaria às nereidas e eram eles ainda que puxavam o carro de Poseidon, sendo extremamente rápidos com  poucas criaturas a poderem  alcança-los na água e um texto intitulado Fisiólogo, escrito por volta do Século II d.C. apresenta o hipocampo como o rei de todos os peixes.

Ora em 2020 vão ser criadas duas zonas de proteção para os cavalos-marinhos da Ria Formosa, no Algarve, com controlo poderá vir a ser feito por videovigilância, revelou hoje à Lusa fonte ligada a um projeto que está a estudar precisamente os cavalos marinhos.

O diretor regional do Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), informou ainda que os locais para a instalação dos dois primeiros refúgios de cavalos-marinhos, onde será interditada a navegabilidade e qualquer atividade humana, “já estão georreferenciados” e em declarações à Lusa, Joaquim Castelão Rodrigues adiantou que o instituto aguarda orçamentos para a delimitação do espaço por postes com iluminação e para a “implementação de câmaras para fazer a videovigilância” dos refúgios, localizados junto ao aeroporto de Faro e no lado nascente da ilha da Culatra.

Estima-se que a população de cavalos-marinhos da ria Formosa seja à volta dos dois milhões de animais, uma densidade bem superior às maiores comunidades de qualquer espécie de cavalo-marinho anteriormente descobertas em locais como a Austrália, África do Sul e Filipinas, e à data desse levantamento, a ria Formosa comportava a maior comunidade de cavalos-marinhos alguma vez estudada a nível mundial.

Os peixes ósseos do gênero Hippocampus são cheios de peculiaridades: além da morfologia divertida e que nos transporta à imaginação de outros seres marinhos míticos por  recordaremum cavalo, as espécies deste gênero apresentam cuidado parental  a ser realizado pelo macho, que carrega em sua bolsa incubadora os ovos fecundados.

A família Syngnathidae engloba 53 espécies de cavalo-marinho. Estes animais apresentam um visual único, de  pequeno porte (até 36 cm de comprimento) com ausência de nadadeira caudal definida, visto que sua extremidade posterior apresenta forma alongada, similar à de uma serpente e esta característica ao contrario das lendas conferiu um baixo poder natatório  a esta espécie, que depende de uma alta frequência de batimento da nadadeira dorsal (30-70 vezes por segundo), para promover seu impulso na água. Por outro lado, a cauda preênsil destes animais permite que estes se segurem em corais, grama e outras plantas marinhas, impedindo que sejam carreados por correntes e ondas. Além desta estrutura e da nadadeira dorsal, o cavalo-marinho também apresenta nadadeiras peitorais posicionadas ao lado da cabeça, que auxiliam em sua estabilidade e direcionamento durante a natação.

Cabe a Janelle Curtis, investigadora do Projectointernacional Seahorse, o estrudo que ora  sedesenvolve, estudo que aliás conta com patrocinio mprivado vindo  de uma famosa produtora de chocolates belga cujo símbolo é um cavalo-marinho, foi ela que  criou em 1996 este projeto que pretende aprofundar os conhecimentos sobre estes animais carismáticos e alertar para os problemas que afetam os seus ambientes. 

A bióloga canadiana Janelle Curtis, um dos mais de quarenta membros Seahorse espalhados por diversas partes do globo, definiu como objetivoda sua investigação responder a uma questão crucial: averiguar o estado da população das duas únicas espécies de cavalos-marinhos existentes no Mediterrâneo e Atlântico – o Hippocampus hippocampus e o Hippocampusguttulatus, pois que para ambos, não existem ainda dados suficientes de conservação.

O diretor do ICNF no Algarve afirmou estar a trabalhar para que o processo possa estar terminado “no primeiro trimestre de 2020”, embora a oficialização das zonas de proteção só se torne efetiva quando a Autoridade Marítima publicar os respetivos editais.

O capitão do Porto de Olhão, André Cardoso de Morais, afirmou à Lusa que a delimitação das zonas de proteção é benéfica já que “sinaliza os refúgios”, levando a que as pessoas “pensem duas vezes antes de lá entrarem”, o que esperamos que aconteça.

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