Home Desporto A religião a intervir na vida civil, desportiva, (e política), em Tavira!

A religião a intervir na vida civil, desportiva, (e política), em Tavira!

por Nardia M

Lamentamos mas iremos mais uma vez chocar alguns dos “politicamente corretos” e começamos por dizer que é pouco aceitável que os equipamentos desportivos sejam instrumento de promoção de uma religião, seja ela a católica, uma qualquer cristã, islâmica, budista etc,

Se alguma pessoa, por uma razão filosófica, se proíbe a si de algo que não afete a comunidade essa pessoa pode e deve ter o direito de não praticar esse algo, como mostrar os cabelos, o corpo, o que entender, mesmo que tenha a nossa não compreensão, desde que repita-se não afete a comunidade, mesmo quando impressiona negativamente.

Na realidade impressiona negativamente, a nós pelo menos, no Estrategizando, o medo do corpo, a cobardia em usufruir do corpo, tanto quanto nos impressiona negativamente o exibicionismo estupido com o corpo.

Ao que parece, uma jovem jogadora de 13 anos da equipa de sub-16 do Clube de Basquetebol de Tavira foi, no passado domingo, impossibilitada de jogar com o Imortal Basquetebol Clube de Albufeira por rejeitar despir uma camisola que tinha vestido por baixo do equipamento.

Do nosso ponto de vista, quem proibiu esse desvirtuar do equipamento desportivo, a equipa de arbitragem por pressão de outrem ao que parece, fez muito bem, pois nem modismos, nem egoísmos, nem fatores externos às marcas podem modificar as mesmas, ou gerar elementos de instabilidade desportiva.

Não discutimos sequer as limitações na movimentação corporal de quem se exige a si tapar mais que as outras pessoas, ainda que o pudéssemos fazer, mas não é aceitável que fatores externos ao desporto alterem a típica visualização do mesmo, isto é sem elementos religiosos a envolve-lo.

Além do mais, somos claramente favoráveis à visualização do corpo, ao nudismo, ao naturismo e por o sermos e sabermos que nem todos o aceitam, concordamos com praias específicaspara o nudismo / naturismo, pelo que quem não aceite as regras formais, deve reconhecer que não deve impor ao coletivo as suas individuais.

Por outro lado vivemos num Estado Laico, o que significa que é inaceitável que seja imposto à comunidade as regras e as simbologias de uma qualquer religião, pelo que o sucedido sendo uma imposição egoísta de uma religião, mereceo nosso repúdio como merece o nosso repúdio a concordata do Estado com a igreja católica, ou a exibição do crucifixo nas escolas se isolado de outros símbolos de outras religiões (e para muitos laicos já estamos a fazer uma cedência).

Fatima Habib, a jovem envolvida, não foi contestada quanto ao lenço e aos collants que apresentava, prática comum da paquistanesa durante os treinos e jogos, ao que parece, o que do nosso ponto de vista já é um absurdo, mas a equipa de arbitragem não aceitou o argumento de que, por causa da religião, também não poderia expor os braços. 

Erradamente treinador e subdiretor do Agrupamento de Escolas D. Manuel I de Tavira, André Pacheco, destacou a qualidade desportiva da jogadora, lamentou a situação em vez de entender as regras da laicidade e do respeito aos outros e instar a jovem a mudar de comportamento, mais erradamente ainda, acrescentou que, a ocorrer hoje, teria instado a equipa a sequer entrar em jogo.

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