Home Economia Urgente dar continuidade ao debate sobre política salarial e Desenvolvimento

Urgente dar continuidade ao debate sobre política salarial e Desenvolvimento

por Joffre Justino

O secretário-geral do PS lançou este debate e bem defendeu hoje mais justiça na repartição dos ganhos do crescimento entre empresas e trabalhadores e que o nível do salário médio deve atingir o valor registado antes da crise de 2010.

Como se vê e simplificando a análise do quadro a remuneração  media dos trabalhadores das atividades administrativas e serviços de apoio correspondem a 27% da remuneração media dos trabalhadores da eletricidade e é nesta enorme disparidade que Antonio Costa e o PS têm de começar antes do mais por refletir porque mesmo empurrando o salario minimo em 2020 para 650 euros digamos que os trabalhadores da base social em nada beneficiariam com tal aumento além de uns tristes 3,5% passando para os 673 euros passando dos 27 para os 28% do valor do topo salarial caso este não subisse numa evolução nada significante. 

Ora António Costa assumiu que a política de rendimentos “é prioridade central” do programa do seu Governo para esta legislatura dizendo que “Tem de haver um aumento geral do conjunto dos salários. O peso dos salários, no conjunto do Produto Interno Bruto (PIB), deve aproximar-se daquele que existia antes da crise, ou seja, tem de haver um maior equilíbrio na riqueza produzida entre aquilo que são os ganhos das empresas e aquilo que é o rendimento do trabalho que permite às empresas ganhar aquilo que estão a ganhar”, sustentou o líder socialista.

O peso dos salários no PIB, está realmente abaixo do que era no pré-troika que era então de 64% em 2008 e a política passospórtista de cedência ao patronato fez cair até aos 59,4% perdendo 4,6% mas em moldes desequilibrados tal qual se vê acima!

A recuperação bem lenta desde 2015, sendo de 60,3% em 2018, e com a Comissão Europeia a prever que seja de 60,8% em 2019.

Gostem ou não Antonio Costa, o PS e a UGT ou não o vieiradasilvismo como se vê, limitou-se a manter uma economia bloqueada na componente mercado interno agravando disparidades salariais e impondo uma crescente concentração da riqueza. 

Na realidade no que respeita a Portugal um quarto da riqueza do país estará concentrada em 1% da população e com os 5% mais ricos a acumular 44 a 45% da riqueza.

Vale a pena refletir como pode a economia desenvolver-se, até e somente crescer nao sustentavelmente com um tal mercado interno verdadeiramente medievalista completamente centrado na elite pouco socialmente responsável lusa? 

O primeiro-ministro, bem voluntariosamente quer também gerar um acordo com os parceiros sociais sobre política geral de rendimento e de crescimento da economia.

E ele consistirá na criação de um referencial para a negociação coletiva em matéria de valorização dos vencimentos dos jovens qualificados (licenciados ou com cursos de profissionalização) e “promover um esforço geral de revalorização dos salários”, dizendo no seu voluntarismo que “ é fundamental que haja bom diálogo social nas empresas, que haja dinamização da negociação coletiva em cada um dos setores e que exista um esforço de concertação social, sendo os parceiros sociais parte integrante desse processo”, disse.

Ora António Costa erra tanto que estabelece regras insustentáveis falando em sustentabilidade “Nós não podemos ter aumentos com pés de barro, temos de ter aumentos sustentados no crescimento e que sejam eles próprios motores de mais crescimento económico”, ora tendo havido crescimento como se vê não houve distribuição porque o modelo socio laboral a começar pela fantasiosa negociação coletiva de trabalho à vieiradasilva o impede.

Todos sabemos que se houvesse cumprimento generalizado das eleições das comissões de higiene e segurança no trabalho se veria como a UGT já morreu à exceção dos setores partidarizados à direita como os enfermeiros e médicos e que representará relativamente tantos trabalhadores quanto o STOP pelo que nem deveria estar numa concertação social que realisticamente representasse trabalhadores e patronato. 

Portanto Antonio Costa está realmente de mãos atadas ( e bem atadas) pela política laboral à vieiradasilva um verdadeiro presente envenenado que qualquer keynesiano ( dos à séria, dos da crise de 1929 …) já teria mandado para o caixote do lixo. 

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