Home China Os comunistas, as Esquerdas, (marxistas ou não), e o fim da pobreza na China

Os comunistas, as Esquerdas, (marxistas ou não), e o fim da pobreza na China

por Joffre Justino

Ao fim de 2018 e na sua mensagem de Ano Novo, Xi Jinping prometeu melhorar o nível de vida, sobretudo para os mais pobres e segundo a agência Nova China, o chefe de Estado chinês fez uma “promessa solene” de acabar com a pobreza no seu país até ao fim de  2020, recordando que será a primeira vez na milenar história da China que não haverá pobreza extrema no país.

E para o conseguir Xi Jinping assumiu que iria intensificar o trabalho para “garantir o bem-estar da população”, não deixando de cumprir com as suas obrigações internacionais e de continuar  empenhado na luta contra as alterações climáticas.

Segundo o conceito de Pobreza na China no momento menos de 1% das pessoas na China vivem com menos de US$ 1 por dia, que é a definição de “pobreza absoluta” de Pequim, sendo que uma boa parte  pertence a grupos étnicos minoritários que diferem em língua, religião ou aparência do dominante Han chinês. 

A solução de Pequim é o incentivar da construção, quase  frenéticade estradas, blocos de apartamentos e centros de formaçãovocacional para consolidar as pessoas nas cidades próximas, um investimento de US$ 18,7 bilhões com o  objetivo de reduzir o número de pessoas que vivem na pobreza absoluta de 30 milhões em 2017 para zero em 2020.

Apesar de já se assistir uma desaceleração do crescimento, a eliminação da pobreza absoluta é o foco da política interna do Presidente Xi Jinpingcom planos elaborados em Pequim que incluem recompensas para as autoridades locais que superarem suas metas, resultando em uma mobilização de recursos com pouca consideração pelo custo.

Releve-se que China passou em apenas 40 anos, de um dos países mais pobres do mundo para a segunda maior economia, com reformas de mercado e enormes doses de investimento estrangeiro que permitiram que cerca de 700 milhões de chineses saíssem da pobreza. 

No momento os planos contra a pobreza concentram-se em “três regiões e três prefeituras”, englobando 18 milhões de pessoas no planalto tibetano e na província de Xinjiang, na fronteira asiática central, bem como em Linxia, uma área muçulmana Hui na província de Gansu, e em Liangshan, lar do povo Yi oLolona província de Sichuan e Nujiang, um vale do rio em Yunnan, com menos pessoas, mas com uma pobreza absoluta “mais profunda”, afetando um terço da população.

Nujiang  aposta na campanha de “alívio da pobreza” de Xi, gastando 10 bilhões de yuans (US$ 1,5 bilhão) para transportar 100 mil pessoas das aldeias rurais para a periferia das cidades até o final do ano, sendo que as suas terras desocupadas serão alugadas pelo agronegócio administrado pelo Governo para apostar em culturas de rendimento, como pimenta ou plantas medicinais. 

“Transferir pessoas para acabar com a pobreza é uma política nacional”, diz Na Yunde, secretário do partido na prefeitura. “Para desenvolver esses lugares, precisamos mobilizar as pessoas… O alívio da pobreza na China adquiriu vida própria. O programa “três regiões, três prefeituras” gastou 89,9 bilhões de yuans em 2018, conforme refere o Financial Times sobre estes planos provinciais. 

Claro que até em Nujiango  alívio da pobreza é acompanhado por uma transformação cultural completa, juntamente com um novo ambiente físico. Os adultos reassentados devem frequentar as aulas de mandarim e habilidades vocacionais e até as igrejas cristãs no campo são usadas para palestras sobre o dogma do Partido Comunista, e assim logo, “Na primeira oportunidade, vamos direto ao coração deles”, diz Su Yisheng, encarregado de educar as pessoas da zona rural no “pensamento de Xi Jinping”. “Como o presidente Mao disse, ‘uma pequena faísca pode começar um grande incêndio’. Podemos iluminar toda a prefeitura”.

Assim China tem demonstrado que se pode eliminar a pobreza e que há uma ciência para isso. A China reduziu o número de pobres de 875 milhões em 1981, a 30 milhões em 2018 – uma redução de 97%! – conforme as as estatísticas do Banco Mundial, e como se disse com  o governo de Xi Jinping comprometido em  eliminar completamente a pobreza no país até o ano 2020.

Se a China pode, por que não podemos?

Ao que parece é  impossível conseguir nocontexto do  sistema financista internacional atual, centrado na especulação, onde existe uma bolha especulativa de quase 2 trilhões de dólares acompanhar este ritymo de combate da Pobreza que a China desenvolve aceleradamente.

Acompanhando a China pode-se eliminar a pobreza com um plano econômico que elimine a especulação, acompanhado da promoção da inovação científica e da introdução das tecnologias mais avançadas que permitam desenvolver o potencial  produtivo do trabalhocomo mostra a construção de ferrovias de alta velocidade a um ritmo que muitos consideram inimaginável, acelerando a integração e a interconexão física do país e tendo em conta também as regiões outrora mais pobres do país.

Durante uma intervenção no Fórum Econômico Mundial, Liu He, assessor do Presidente Chinês, explicou que o principal objetivo do governo chinês é fazer deste país uma sociedade mais próspera e com menos desigualdades, mas com uma política econômica que “foge do protecionismo” e defende o livre-comércio,  lembrando o êxito de nos últimos cinco anos o número de residentes em áreas rurais de grande pobreza passou de 100 milhões para 30 milhões.

E note-se que nesse mesmo tempo a China pretende ainda controlar a poluição e reduzir as emissões, de modo que “o céu da China volte a ser azul”.

Para fazer frente a estes desafios, a China conta com uma economia que conjuga modelos tradicionais de produção com as últimas novidades tecnológicas, o que Liu considera“uma vantagem” e é nessa via que a China vai conseguir “crescimento de qualidade e ser muito atrativa para os investidores”, com iniciativas como a “Nova Rota da Seda”, conhecida em chinês pelo lema “One BeltOne Road” (Um Cinto, Um Caminho), pela ideia de formar um corredor comercial que estreite as relações com todo o continente eurasiático.

Por isso disse Xi, “Os tormentos da fome, da falta de comida e de vestuário, e as dificuldades que afligiram o nosso povo durante milhares de anos, praticamente desapareceram e não vão voltar”, pois as imagens passadas de senhas de alimentação, de combustíveis e de roupa “foram atiradas para o museu da História”.

No seu discurso, o Presidente Xi Jinpingprometeu continuar a reformar a China, mas fê-lo de uma forma vaga, sem os pormenores que os mercados internacionais esperavam: “Temos de reformar de forma resoluta o que pode ser mudado, e resolutamente não reformar o que não deve e não pode ser mudado”, como que dizendo que o caminho que seguirá é o seu e não o do FMI.

Depois de Mao, Xi Jinping é visto como o líder chinês mais influente, o que lhe permite dizer que, “Quer seja o partido, o governo, as forças armadas, as pessoas comuns ou os estudantes, o Este, o Oeste, o Sul, o Norte ou o centro, o partido lidera tudo”, sendo esse totalitarismo uma grande reserva que a “via chinesa” geram no Mundo que se centra no desejo de mais Democracia, de mais Participação, de mais Cidadania e por isso as criticas da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bacheletno que copncerne à violação dos direitos humanos das comunidades muçulmanas na província chinesa de Xinjiangdenunciadas num relatório da organização Human Rights Watch.

Acontece que China reconhece a existência destas limitações mas as autoridades locais dizem os campos de reeducação  solucionarão problemas  no contexto da “educação vocacional e de formação, de acordo com a lei”, com o objetivo de “erradicar o solo onde cresce o terrorismo e o extremismo religioso”

E é neste contexto que o presidente chine remata dizendo que, “A China está a aproximar-se do centro do palco do mundo e tornou-se um reconhecido construtor da paz mundial, um contribuinte para o desenvolvimento global, um defensor da ordem internacional e tem um papel de liderança no combate às alterações climáticas”, disse o Presidente chinês.

Há na verdade muito a aprender e muito também a criticar nesta experiencia chinesa de combata à Pobreza e de inserção das comunidades, sobretudo entre as mais frágeis e recordando os debates marxistas dos anos 70 entre maoistas e pró soviéticos há sobretudo de não esquecer o espirito critico saudando as inovações e criticando os recuos à necessidade de um Mundo feito na base da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.

Na verdade, o modelo misto de capitalismo de Estado e de capitalismo privatista na China é acompanhado, não se sabe a que níveis, por uma economia solidária, cooperativista e comunalista que poderá cimentar o outro caminho possível para o ressurgimento global das Esquerdas!

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