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Moçambique em campanha eleitoral demasiado violenta

por Antonio Sousa

Moçambique está a viver uma das campanha eleitorais mais tensas desde que se iniciou o processo de paz e democratização entre a Frelimo, no poder desde a Independência, em 1975 e a Renamo 

Depois de cenas violentas contra o leader da MDM e Presidente do Municipio da cidade da Beira vivemos agora o assassinato de um observador eleitoral e dirigente de uma Organização Não-Governamental (ONG) moçambicana, aparentemente assassinado por quatro polícias o que está a gerar reacções de condenação e apelo à justiça por parte de outras ONGD e também de vários países e outras organizações.

A União Europeia (UE), o Canadá e a Noruega emitiram um comunicado conjunto, em Maputo, no qual “condenam veementemente o assassinato de Anastácio Matavel”, director executivo do Fórum das ONG (FONGA) e ponto focal da Sala de Paz, organização de observação eleitoral, na província de Gaza, sul do país onde afirma “Instamos as autoridades competentes a investigar com rapidez e profundidade este crime chocante, a fim de levar os responsáveis à Justiça … um acto de total desrespeito pelo povo moçambicano e pelo direito legítimo de participar do processo democrático”.

Apelam ainda à paz no período eleitoral que resta – a votação está marcada para dia 15 – para consolidar o processo de paz no país.

A Embaixada dos EUA “junta-se a outros membros da comunidade internacional na forte condenação do assas- sinato”, anuncia em comunicado, apelando também, para que as “autoridades competentes” façam “uma investigação imediata … A justiça e credibilidade dos resultados das eleições dependem da capacidade de todos os eleitores moçambicanos, candidatos e observadores participarem em todas as fases de um processo eleitoral seguro, sem restrições e livre de hostilidades”.

O Centro de Integridade Pública (CIP),ONG moçambicana, pediu um “pronunciamento público do candidato da Frelimo e Presidente da República, Filipe Nyusi, repudiando a violência eleitoral que se assiste em todo o país desde o início da campanha”, referindo o CIP ainda que “os dirigentes da Frelimo, que são o Governo, têm tido um silêncio cúmplice face à violência na campanha e isso pode ser visto como aprovação dessas práticas”.

O MISA Moçambique, organização de jornalistas da África Austral e de defesa de liberdade de imprensa, classificou o acto “um retrocesso para a democracia” e “uma mancha negra para a imagem do país”.

“Este acto macabro visa simplesmente intimidar a sociedade civil” e “só pode significar a existência de um plano para impedir que o processo eleitoral se realize de acordo com os padrões democráticos e de liberdade”, alerta o MISA

Entretanto, o comandante-geral da PRM suspendeu os comandantes da subunidade de Intervenção Rápida e da Companhia do Grupo de Operações Especiais, em Gaza, a que pertenciam os suspeitos e foi criada uma comissão de inquérito para, no prazo, de 15 dias “apresentar um relatório pormenorizado sobre o facto”, sabendo-se que Anastácio Matavel foi baleado mortalmente por um grupo que o perseguiu, na segunda-feira, quando conduzia a sua viatura depois de o activista sair de uma formação de observadores, na qual fez a abertura da sessão. O homicídio aconteceu em plena campanha eleitoral e depois de, há uma semana, uma outra pessoa ligada a acções partidárias ter sido assassinada.

Também um grupo desconhecido baleou mortalmente um líder de bairro pertencente à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, em Manica, centro do país.

Desde o arranque da campanha, a 31 de Agosto, já morreram 38 pessoas, a maioria em acidentes de viação, ligadas às acções partidárias e às eleições, segundo contas da ONG de observação Centro de Integridade Pública (CIP).

Também o Ministério da Defesa de Moçambique anunciou, ontem, que as Forças Armadas abateram nove membros dos grupos armados provavelmente jihadistas, que atacam a região nortenha de Cabo Delgado, num combate ocorrido no fim de  semana.

“As Forças de Defesa e Segurança travaram, na zona de Limala-Nbau, no distrito de Mocímboa da Praia, um combate contra malfeitores que resultou no abate de nove deles”, lê-se no documento. A mesma nota acrescenta que “as operações prosseguem” e os militares “continuam em prontidão combativa”.

O comunicado realça que o confronto aconteceu após a visita do ministro da Defesa, Atanásio M’tumuke, à zona, para avaliação dos níveis de prontidão das tropas.

Nbau foi palco de confrontos a 23 de Setembro, após um ataque reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico, em que terão morrido 10 pessoas e incendiadas várias casas, incluindo a sede da Frente de Libertação de Moçambique 

Antonio Sousa 

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