Home Ambiente Conversa mole (2)

Conversa mole (2)

por Joffre Justino

Estou ainda a pensar nesta manife de hoje divulgada em lógica de Greve pelo Clima mas marcada para as 20h deste dia 20.09.19 sendo pois pouco influente enquanto greve

E recuo 44 anos para um tempo ainda de grande radicalidade neste país quando os debates ainda eram acesos a estrutura social estava bastante dividida entre Direita, PS, PCP, e Otelistas comigo saído das orlas do PCPML e a pensar no como pensar o Mundo perante um maoismo em profunda crise abandonado que fora pela RPChina e sem confiar nada nos sóis que brilham via Moscovo ainda bem fortes e não muito numa social-democracia reformista que dominava o PS e que tinha forte influencia no PPD depois PPD-PSD via ASDI depois PSD…

E sinceramente nada crendo nem na UDP nem no PSR e muito menos nos grupos otelista onde via muito pouca da Democracia de Base que diziam defender.

Navego então nas ondas da solidão dos mares não revoltos que a solidão gera quando se abandona um partido até que sou convidado para aderir à Fraternidade Operária porque fiqueiestranhamente para mim conhecido na Amadora porque fizera o PS e o PSD ganharem umas eleições no liceu da Amadora  para o seu Conselho Diretivo em debate intenso turma a turma com os membros adversários das listas do PC, da UDP, e da então ASJ…

Mais uma vez saído do PCPML tinha regressado a intensas leituras desta feita bem mais alargadas ideologicamente o que me levara a conhecer os Autogestionários a Rosa Luxemburgo enfim os “malditos” das Esquerdas radicais que curiosamente por cá com os portugueses de então não me encaixava nada e a experiencia do Liceu da Amadora mantinha-me de “pé no chão” a conhecer conflitos sociais e humanos bem lusos e para mim bem desconhecidos muito angolano que me sentia ainda….

…do pai que entrou bêbado sala de aulas a dentro para espancar a filha que tinha visto no recreio a beijar o namorado da miúda retornada que se ofereceu para que eu lhe pagasse um pouco mais do que o subsidio do IARN permitia porque pai e mãe tinham desatinado de todo com o regresso à força para Portugal sonhos perdidos empregos perdidos poupanças perdidas…

Era na verdade a classe operária portuguesa típica nada a ver com a mítica classe operária lenino-stalino-mao ensinadas porquebatalhadoras pelos direitos coletivos e por um poder coletivo de classe.

O fascismo arrasara com essa classe operária que os anarco sindicalistas estiveram por um triz para conseguir construir em Portugal ao arrepio do Poder de “classe média” frágil que os Republicanos procuravam criar e cimentar e de um campesinato pobre mesmo muito pobre cujarevolta se construía na emigração e não no combate social em Portugal dominado que estava por uma igreja católica que se recusava a sair do tempo do absolutismo resistindo contra tal há mais de 300 anos…

(lembro que uma prenda da minha avó católica ultra conservadora mas sabendo conviverdemorou uns bons dias a chegar-me às mãos quando estava preso em Caxias porque sendo um livro bem anti marxista tinha o nome de Marx na capa e só me chegou porque ao contrario do habitual alguém na Pide se dera ao trabalho de o ler pelo menos folhear… e para seu espanto descobrir que eu estava a receber da minha avó um livro que comigo à época marxista-leninista-estalinista-maoista, queria debater mas nunca apoiar no meu pensar… com o carinho da avó bem expresso na dedicatória…)

Mas classe operária típica ou não a verdade é que fora nesse arremedo sério de Democracia de Base nesse debate ideológico sobre a luta declasses as alianças de classe o papel dos revolucionários nas transições politicas que eu conseguira fazer juntar ao PS e ao PSD a miudagem filha dos operários das fábricas da zona da Amadora e com ela ganhar as eleições…que ninguém esperava que acontecesse…

E assim fui convidado para a Fraternidade Operária que juntava a Esquerda do PS com muitos das muitas Esquerdas de então, (até gentes das UDP’s…) juntando o António e a Fernanda Lopes Cardoso o César Oliveira oKalidas Barreto o Pedro Rodrigues o Zaluar Basilio o Mortágua a minha companheira de então a Isabel Moura o António Eloy e muita muita boa gente até o meu amigo Vasco Gonçalves nada a ver com ou outro o famosoque não se preocuparam nada com o facto de eu ter “confirmado atividades na Pide”, como lhes expliquei claro, ao momento do Convite…aos que me fizeram o mesmo pois nunca perguntei se a mais camaradas tinham passado essa minha questão…

E foi neste contexto de repensar tudo perante a aprendizagem das minha vivências maoistas que aderi depois à UEDS a União da Esquerda para a Democracia Socialista e quase ao mesmo tempo aos Amigos da Terra / Associação Portuguesa de Ecologistas…

Amigos da Terra que com o António Eloy transformamos ( mais por ele que por mim…) numa associação radical ecologista e autogestionária sendo nesse caldo de práticas epensares que me fiz ecologista enquanto praticava no plano socio económico o sindicalismo na FETESE por convite do António Dornelas para lá ser técnico de Contratação Coletiva de Trabalho…

Pelos Amigos da Terra fiz as guerras contra os incêndios florestais por uma Ecologia Urbana contra o Nuclear e por uma energia alternativaSolar lica das marés e pelos Amigos da Terraganhamos a luta contra o Nuclear fazendo (edeixando infelizmente…) nascer a central a carvão de Sines (num negócio onde à custa dos ecologistas, os franceses ganharam aos americanos…sabia lá eu disso, que  descobri uns anitos depois… ) como fiz as batalhas pela Libertação de Conceição Massano e a despenalização do Aborto  ou a legalização do Naturismo tudo em batalhas antes do tempo …

Como em batalha  já “ao tempo” fiz com que se aprovasse na UEDS uma moção de apoio ao general Eanes e à FRS contra o Lopes Cardoso que passou a detestar-me de todo sabe-se lá porquê  enquanto antes de entrar para a FETESEfui dirigente sindical do SPGL numa lista de Unidade de Esquerda com o tutti quanti da Esquerda de então do PS aos otelista todos e o PCP no meio que bem se arrepelava com tal listaderrotando os trotsquistas do POUS saídos do PS também…e onde passei a ter uma enorme admiração à Eduarda Dionísio a Pessoa mais militantemente criativa que conheci em toda a minha vida!

Mas regresso aos Amigos da Terra porque este dia 20 a tal obriga pois acho ser meu dever realçar o tempo perdido em Portugal pela teimosia das maiorias em não quererem ouvir oque de muito bom também existe no seio das minorias e aí os Amigos da Terra são um mais que belo exemplo que a Direita entendeu bem a vantagem não da pratica mas do discurso ambientalista para trazer para o seu lado a miudagem cansada de guerrilheirismos radicais esquerdistas e assim somando interesses e sonhos bem dispares conseguirem a vitória da AD essa Aliança Democrática que felizmente para a Democracia avançada foi derrotada no campo das Presidenciais pelo que teve de avançar bem mais lentamente na destruição do tecido ideológico constitucional hoje vivido já no campo do económico do social e do cultural….

Os Amigos da Terra levantaram os problemas que hoje vivemos há mais de 40 anos antes até de eu aderir aos mesmos e recordo aqui o Afonso Cautela dos solos da degradação das águas em consequência do Turismo exacerbadamente usado no Algarve da desertificação do Alentejo dos incêndios florestais da poluição em ambiente urbano e da construção desbragada mas ainda pelo exagero do automóvel a par do abandono do comboio do pouco incentivo aos transportes públicos aoMetropolitano de Lisboa  à CARRIS aos STCP’setc…

Recordo um almoço com um dirigente do PS da ala guterrista que me veio convencer a fazer com que a FETESE apoiasse um imposto municipal para os transportes públicos tese que apoiei mas que não teve vencimento entre os dirigentes do SITESE e da FETESE valendo mesmo entre derrotas lembrar o António Janeiro o leader do SITESE/FETESE um sindicalista genial com quem aprendi imenso e aliás a sua equipa quer de dirigentes quer de técnicos como o António Dornelas o Agostinho Castanheira o Vitor Coelho que foi uma equipa de primeira água no meio sindical.

naiveté dos Amigos da Terra que trazia para o seu seio gentes do espiritualismo mais infantil que se possa imaginar dava ao grupo a cor que lhe permitia também ser original no estar e com quem fiz uma vez uma comemoração do Dia Mundial do Ambiente com a plantação de uma arvore abençoada por um islâmico um padre católico um pastor de uma seita ultra minoritária cujo nome nem lembro já mas de origem americana e com o padre católico aterrado a dizer-me que não estava ali para abençoar a arvore e eu a dizer-lhe que estava ali para abençoar claro o ato da plantação de arvores em tempo que se pensava que as mesmas eram economicamente pouco uteis…imagine-se hoje que há quem se bata e bem para plantar milhares de arvores milhões até planeta fora.

Foi possível juntar a defesa de outra relação com a Natureza com a defesa da revolução sexual ao Maio 68 e W. Reich o que hoje se mostra bem difícil ainda que a liberalidade de costumes seja bem maior e foi possível levar o PS a fazer um acordo politico com os Amigos da Terra para a eleição autárquica de 1985 e o apoio dos Amigos da Terra à vitória de Mário Soares em 1986 onde eu vi um manifesto ser afastado porque mesmo apoiando Mário Soares saudava o papel de Salgado Zenha na defesa dos presos politicos antes do 25 de Abril.

Tal fez dos Amigos da Terra um caso à parte nos grupos de intervenção social até que o Carlos Pimenta o tomou de assalto impondo o meu afastamento do grupo entre guerras politicas afetivas e até espantem-se maçónicas pois fui acusado de ser uma infiltração da Maçonaria no movimento ecologista antes de eu pensar em vir a ser Maçon….como depois fui já nos inícios da década de 90 comigo afastado das lides associativas ecologistas e bem mais concentrado no combate pela Democracia em Angola.

Ainda estive uns dois anos na UGT a lidar com o Meio Ambiente e depois com o Consumerismo mas já como se diz em fim de festa organizacional pois na UGT pouco pude fazer certamente por incapacidade minha além de um debate que recordo em cima do Incendio da Baixa de Lisboa ao Chiado e sobre esse tema onde procurei sem qualquer resultado fazer com que as e os vizinhos dessa região Lisboeta não fossem como foram afastados das suas habitações…

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