Home Economia Noticia que merece ser noticia, esta adega em tecnologia de ponta e empenhamento exemplar de um cidadão

Noticia que merece ser noticia, esta adega em tecnologia de ponta e empenhamento exemplar de um cidadão

por Joffre Justino

Não é o Zito, é aquele Zito que fez obra e se chama realmente José Rogério Santos,  criado  no Tua e que, se sonhava ser engenheiro não sendo filho família foi apanhar uvas para França, para ganhar para os estudos no politécnico de Bragança e fez-se assim engenheiro, criando uma adega com tecnologia de ponta, o seu sonho. 

Assim, desde há sete anos que a Douro Ansiães faz vinho do Porto, recebendo o excedente de uvas de 600 viticultores do concelho transmontano ribeirinho do Douro, e conquistou a confiança de grandes empresas do setor chegando a produzir marcas próprias de vinho.

É ainda uma garantia de trabalho para jovens engenheiros acabados de licenciar que encontram nesta zona do distrito de Bragança uma porta aberta aprender e exercer na área de formação.

Este é a obra de José Rogério Santos, que “… hoje é engenheiro”, disse à Lusa Jorge Oliveira, ferroviário que deixou o Porto para trabalhar durante 19 anos na antiga linha do Tua, e onde acompanhou desde pequeno Zito, agora com 45 anos.

Viu-o crescer também nos negócios e, agora reformado, trabalha no pico das campanhas como motorista da frota que vai buscar as uvas aos agricultores que necessitam transporte.

“Era disto que os lavradores precisavam”, atesta, enquanto aponta para as imponentes cubas de inox de onde partem “camiões de vinho do Porto rumo a Gaia”, enquanto outras fermentam vinhos de mesa num processo todo automatizado, que inclui também linhas de engarrafamento.

Tudo começou, como contou Zito Santos à Lusa, numa garagem com 300 metros quadrados e porque deixou o emprego certo na Symington decidido a lançar-se num negócio próprio da vinificação “Sempre tive a noção de que esta região tinha muitas lacunas em termos de escoamento de matéria-prima e eu comecei numa adega muito pequena para fazer o teste se de facto o negócio dava ou não”, recordou, tendo chegado à conclusão “de que havia necessidade de ampliar o centro de vinificação porque de facto as pessoas desta região tinham muita dificuldade em escoar a matéria-prima”.

Mudou-se para a zona industrial, onde o investimento já supera os cinco milhões de euros iniciais financiados a fundo perdido por fundos comunitários em apenas 35%.

“Os números foram bastante avultados, mas felizmente de ano a ano a dívida vai diminuindo e o investimento está [realizado em] mais um ano ou dois, as coisas estão no bom caminho”, adiantou, indicando que o volume de negócios ronda os “três, quatro milhões de euros” por ano.

Atualmente são 600 os viticultores de Carrazeda que entregam as uvas nesta adega que escoa toda a matéria-prima do concelho, segundo o proprietário, e dá estabilidade aos produtores e assim “Podem produzir com segurança porque sabem onde colocar o produto, têm um retorno que é receber na hora certa, coisa que não aconteceu durante muitos anos”, vincou Zito Santos.

Eis um exemplo a saudar e a desejar que gere outros exemplos que permitam reocupar o interior com atividade cimentada, porque os sonhos até se podem transformar em realidades para o bem de muitos ! 

Joffre Justino

Imagem destaque: Lusa 

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