Home Economia Rotura na produção de petróleo na Arábia Saudita gera grande instabilidade na economia global

Rotura na produção de petróleo na Arábia Saudita gera grande instabilidade na economia global

por Joffre Justino

O ataque de sábado ao maior campo petrolífero do mundo, na Arábia Saudita, reivindicado pelos rebeldes Houthis do Iémen, atingiu a produção de 5,7 milhões de barris de petróleo por dia no país, o equivalente a 5% da produção diária mundial e na segunda-feira, os preços do petróleo subiram 14%, a maior subida diária em anos, mas hoje essa tendência diminuiu 

Este ataque dos rebeldes houthis contra as instalações sauditas de Aramco é parte doconfronto entre os dois países no quadro da guerra civil que ocorre no Iémen desde 2014 e onde a Arábia Saudita é um dos países mais envolvidos na tentativa de impedir o Irão de aumentar sua influência numa região dividida entre as duas potências.

Este confronto émais um confronto dos vários entre as seitas islâmicas e neste caso advém de uma cisão sequente à morte do profeta Mohammed,  falecido em 632, ou no ano 10 da hégira tendo o mundo islâmico se  dividido entre sunitas e xiitas com o sunismo a ser predominante, os xiitas a estabilizarem no Irão, Iraque e Iémen, com as duas correntes em  confronto periodicamente armado.

Este ataque à Aramco foi o golpe mais violento mas há menos de um mês outras instalações sauditas foram também atacadas, com os houthis (xiitas) a responderem assim após vários anos de ataques sauditas contra essa tribo na guerra civil do Iémen.

Neste momento Iémen está dividido entre as duas principais correntes do Islão: 47% da população segue o rito xiita e os 53% restantes são considerados sunitas, a corrente predominante na Arábia Saudita, Egipto e em quase todo o restante mundo árabe sendo este conflito a demonstração da crescente rivalidade entre os dois países que competem pelaliderança no mundo muçulmano, a Arábia Saudita, com uma visão extremista da religião muçulmana de confissão sunita, wahabismoeo Irão, que se autoproclama desde a revolução do Aiatolá de 1979 porta-voz da causa dos xiitas no mundo. E inserido no conflito religioso está aquele que envolve os EUA e as hodiernas grandes potências, China e Rússia, que procuram  manter uminstável estabilidade na área, dada a importância energética da região.

E se a Arábia Saudita intervém  ao lado de AbdRabbuh Mansur al-Hadi, presidente da República do Iémen, para conter o avanço das forças aliadas do Irão a revolta  houthi, conta com o apoio indireto do Irão, com este país a usar uma estratégia de intervenção indireta, com o Corpo de Guardas Revolucionários Iranianos, mas sem implementar operações militares diretas.

Entretanto, ministro da Energia da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Salman, disse hoje em conferência de imprensa que a produção total de petróleo no país será retomada até ao final de setembro, afirmando também que 50% da produção de petróleo cortada devido a um ataque ao maior campo petrolífero do país, no sábado, já foi restabelecida.

Este ministro adiantou também que, até ao final do mês, a capacidade de produção diária do país será de 11 milhões de barris, quando antes do ataque a cifra se situava em 9,6 milhões e aliás manifestou ainda a vontade de que a produção chegue aos 12 milhões de barris por dia até novembro, pois a Aramco conseguiu “controlar os danos” e compensar a diminuição de produção nas estruturas afetadas através de aumentos de produção noutros campos petrolíferos, e assim, “As exportações do reino não vão diminuir”, assegurou o ministro Abdulaziz bin Salman,aliás um membro da família real saudita.

Nesta conferência de imprensa, o presidente executivo da AramcoAmin al Nasser, disse também que o campo de Abqaiq, afetado pelos ataques, continuou a produzir diariamente dois milhões de barris de crude.

Entretanto e olhando para Angola, um importante produtor de petróleo e lendo um editorial do Jornal de Angola que  A paz e segurança mundiais podem estar ameaçados sobretudo se a linguagem militarizada da administração Trump, que atribui culpas ao Irão, sem apresentar provas conclusivas, for materializada através de uma ação bélica propriamente dita. A condenação generalizada do ataque, que ocorreu sábado, é uma realidade em todo o mundo, mas muitos Estados preferiram apelar à calma, tendo a República da China oportunamente advertido os Estados Unidos sobre a culpabilização da República do Irão sem apresentar evidências.
Para o governo de Angola, já que o Jornal de Angola usualmente reflete os seus pontos de vista “está ainda por se apurar a responsabilidade material atendendo a sofisticação e a precisão dos ataques que envolveu alegadamente drones e mísseis de cruzeiro. Tão logo as agências noticiosas passaram a informar sobre o que tinha sucedido com as instalações petrolíferas sauditas e sem evidências nenhumas que apontavam para nenhum país ou entidade, o secretário de Estado americano apontou logo o dedo ao Irão. Sem apresentar provas, os Estados Unidos dão amostras, mais uma vez, do seu unilateralismo, com todo o desrespeito e indiferença para com os fóruns internacionais onde um assunto como este devia ser levado. Em vez de se privilegiar o Conselho de Segurança, que já devia ser convocado numa altura de crise como esta, a administração Trump está a privilegiar consultas com os seus aliados na região do Médio Oriente para dar “forma e conteúdo” ao que se poderá transformar numa ação militar.”, que como se vê tende a ser travado pela China e pelos seus aliados como Angola.

Olhando ainda para os impatos internacionais vê-se tal com a reação no  Canadáa terceira maior reserva de petróleo do mundo, que é de pouca ajuda para sua maior refinaria após um ataque de fim de semana interrompeu a produção na Arábia Saudita, seu maior fornecedor de petróleo.

Quase todas as remessas de petróleo do reino para o Canadá viajam para New Brunswick, lar de uma única refinaria, a fábrica de Saint John da Irving Oil Ltd., que pode processar cerca de 299.000 bpd. A refinaria confiou no petróleo saudita para mais de 40% de seus suprimentos em julho, mostram dados da Statistics Canada e ataque de drones no sábado à maior planta de processamento de petróleo da Arábia Saudita derrubou cerca de metade da produção do país. A Saudi Aramco enfrenta semanas ou meses antes que a maior parte do suprimento de sua fábrica de Abqaiq seja restaurada, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Ora esta interrupção de longo prazo é especialmente problemática para esta fábrica de Irving, que depende principalmente de importações que alimentam a maior parte das reservas do Canadá localizadas na região de areias petrolíferas do norte de Alberta, no oeste do país. A maior parte desse petróleo é exportada para os EUA 

Kevin Birn, diretor de mercados de petroleo da IHS Markit, disse que “É mais provável que ocorra um efeito no preço do que uma escassez física” de petróleo, sendo que os contratos futuros do Brent saltaram quase US $ 12 nos segundos após o aberto na segunda-feira, o maior em dólar desde o seu lançamento em 1988 e foram negociados a US $ 71,95 / bbl durante a sessão. 

Joffre Justino

Imagem destaque: Lusa 

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