Home Opinião Inteligência Financeira analisa renda de deputado ligado ao Intercept e poupa clã Bolsonaro

Inteligência Financeira analisa renda de deputado ligado ao Intercept e poupa clã Bolsonaro

por Silvio Reis

Dois dias depois que o Intercept lançou mais uma reportagem sobre a Lava Jato e expôs autoridades judiciais, o ex-Coaf e o Ministério Público do Rio de Janeiro divulgaram movimentações financeiras atípicas do deputado David Miranda (Psol-RJ), que é casado com o fundador do Intercept Brasil, Glenn Greenwald.

Estão sendo questionados R$ 2,5 milhões na conta bancária do deputado, entre 2 de abril de 2018 e 28 de março de 2019. Miranda já se colocou à disposição da Justiça para comprovar a origem do valor encontrado, que não corresponde ao salário de deputado e, anteriormente, de vereador, no período mencionado.

Glenn se antecipou e afirma que transferiu dinheiro para a conta do marido. São rendimentos como empresário, direitos autorais de livros, entre outras fontes rentáveis. “Eu não vejo a hora de o juiz analisar todas as evidências”, diz o jornalista.

Ao escolher David Miranda, entre milhares de relatórios sobre transações financeiras consideradas atípicas (e nem todas ilegais), as atenções se voltam para as movimentações suspeitas de Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual no Rio. O filho do presidente da República está sendo poupado.

O ex-motorista de Flávio, Fabrício Queiroz, administrou R$ 7 milhões no período de três anos e depositou um cheque de R$ 24 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Jair Bolsonaro mudou o Coaf do Ministério Público para o Banco Central. O nome do órgão foi alterado para Unidade de Inteligência Financeira, UIF. “Agora, o que nós pretendemos é tirar o Coaf do jogo político. (…) Tudo onde tem a política, mesmo bem intencionado, sempre sofre pressões de um lado ou de outro, e a gente quer evitar isso daí”, declarou o presidente em entrevista.

Recentemente, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organizações das Nações Unidas (ONU) enviaram um comunicado ao Itamaraty reafirmando o dever do governo do Rio de Janeiro em dar proteção a Greenwald, que recebeu ameaças após publicar conversas entre procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro.

Em 11.09, o ministro Sérgio Moro fez uma postagem no Twitter e confirmou a intenção em combater a corrupção no País, sem se referir ao clã Bolsonaro. Outro filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro, está sendo investigado por manter funcionários fantasmas da Câmara do Rio, incluindo dois parentes do motorista Queiroz.

Imagem destaque: Moro, Miranda e Glenn.  Montagem: Brasil 247

Silvio Reis, jornalista brasileiro

0 comentário
0

RECOMENDAMOS

Comente

* Ao utilizar este formulário, você concorda com o armazenamento e gestão de seus dados por este site.