Home Opinião Uma Comissão europeia que se auto bloqueia?

Uma Comissão europeia que se auto bloqueia?

por Joffre Justino

Já noticiamos e divulgamos as ligações partidárias dos Comissários europeus e compreendemos por isso o  Bloco de Esquerda e a sua especial preocupação que o levou a usar o seu discurso na comissão permanente do parlamento para criticar a futura Comissão Europeia, onde deteta traços de “extrema-direita” sendo que afirmamos não traços mas sim a realidade de surgirem comissários de extrema direita nesta nova pseudo governação da UE.

Na verdade o que esta nova  comissão europeia mostra à partida é a ingovernabilidade colectiva e a obvia entrega por isso do Poder ao eixo germano-francês.

Concordamos pois com Mariana Mortágua, deputada bloquista, que subiu à tribuna para falar na comissão permanente, órgão que substitui o plenário da Assembleia da República em período de férias, para afirmar a sua “enorme preocupação” com a proposta de composição da Comissão Europeia, anunciada na terça-feira pela presidente, a alemã Ursula von der Leyen, um cozinhado bloqueador de qualquer política credível.

Assim Mariana Mortagua do Bloco detetou uma “linha dura da extrema-direita” europeia, com a influência dos partidários de Viktor Orban, que ganha poder na comissão, face à proposta de criar uma comissão para “proteger o nosso modo de vida na Europa”, frase em si xenófoba já que não existe e mal seria esse dito “nosso modo de vida” .

É “errado”, sintetizou Mariana Mortágua, dado que “nem a Europa está sob ameaça nem partilha um único modo de vida” e “preocupante” porque “se trata da recuperação de antigas expressões dos movimentos xenófobos europeus, ao melhor estilo de Marine le Pen”, a dirigente francesa da extrema-direita.

Também não deixa de ser “irónico” e “preocupante” que um dos comissários propostos seja o letão Valdis Dombrovskis, que, recordou, “defendia sanções contra Portugal” e “a perder fundos” por “não aplicar a austeridade” suficiente durante os anos de intervenção da “troika” (2011-2014) e mesmo que nao concordemos que estar uma portuguesa no elenco, Elisa Ferreira, nao  “fará a diferença” pelo menos alguma fará, a verdade é que esta comissão parece bem que é “má para Portugal e para a Europa”.

E Mariana Mortágua tem uma relativa razão quando diz que “As instituições valem mais do que as pessoas. O problema não é pessoal, é político”, pois  Elisa Ferreira “não vai mudar a Comissão Europeia” como o ministro da Finanças “Mário Centeno não mudou a Eurogrupo”, apesar de ser presidente nem Moedas fez muito pela Inovação numa UE que se atrasa a toda a hora que passa.

E vejamos pois, de novo a comissao europeia, 

Elisa Ferreira como comissária europeia da Coesão e Reformas, uma pasta que aproxima o país do seu objetivo da Coesão Económica e Social prometida e nunca atingida desde Cavaco Silva, mesmo que não tenha ficado com a pasta dos Fundos Europeus é Positiva.

– Frans Timmermans, holandês, vindo do Labour Party, (mais centro que centro esquerda diga-se) vice-presidente que vai coordenar o Acordo Europeu Verde e a pasta do Clima e onde tenderá a fazer um papel ambientalista é Positivo ;

– Margrethe Vestager, dinamarquesa, do Social Liberal Party, centro direita, vice-presidente que vai coordenar a agenda para uma Europa preparada para a era digital e mantém-se como Comissária para a Concorrência, onde defenderá muito pouco, acreditamos nós, a Livre Concorrência e mais os grandes grupos europeus será Negativa;

– Valdis Dombrovskis, Letónia, do  New Era Party, da Direita vice-presidente que vai coordenar o trabalho na Economia que Funcione para as Pessoas e que fica com o pelouro dos Serviços Financeiros é Negativo e anti portugues e Europa do sul;)

– Josep Borell, Espanhas, PSOE, Centro Esquerda, vice-presidente que vai coordenar o trabalho de uma Europa mais Forte no Mundo, com experiencia suficiente para reforçar o papel de uma União Europeia globalmente quase inexistente é Positivo;)

– Vera Jourová, Checa, do partido ANO, Liberal, Centro, vice-presidente que vai coordenar os Valores e Transparência é Neutra;)

– Margaritis Schinas, Grécia, Nova Democracia, Direita Conservadora, vice-presidente que vai coordenar o trabalho para Proteger o nosso Estilo de Vida de Europeu só pelo nome da pasta é Negativa;)

– Maros Sefcovic, Eslováquia, Socialista, Centro Esquerda mais Centro, vice-presidente que vai coordenar as Relações Interinstitucionais, sendo um personagem bem polémico dificilmente terá oportunidade de durar muito tempo na Comissão é pois Neutro;) 

– Dubravka Suica, Croácia, do CroatianDemocratic Union, Direita, vice-presidente para a Democracia e Demografia é Neutra;)

– Johannes Hahn, Áustria, Centro Direita, Comissário do Orçamento e Administração é Neutro;)

– Didier Reynders, Bélgica, do Mouvement Réformateur, Liberal, Centro, Comissário da Justiça é Positivo;)

– Mariya Gabriel, Bulgária, do Gerb ultra Conservador, Direita, , Comissária da Inovação e Juventude, bem pouco condicente com a pasta da Inovação e Juventude é Negativa 

– Stella Kyriakides, Chipre, do  Democratic Rally, ultra conservadora, Direita, Comissária da Saúde é Negativa;)

– Kadri Simson, Estónia, do  Centre Party, Liberal, Centro, Comissária da Energia é Positiva;)

– Jutta Urpilainen, Finlândia, do  Partido Social Democrata da Finlândia Esquerda democrática,Centro Esquerda, Comissária das Parcerias Internacionais é Positiva;) 

– Sylvie Goulard, França, do  La République en Marche, Centro Liberal, Comissária do Mercado Internacional é Positiva;)

– László Trócsányi, Hungria, Independente, Centro Direita, Comissário da Vizinhança e do Alargamento é Neutro;)

– Phil Hogan, Irlanda, do Fine Gael, Direita, Comissário do Comércio é Neutro;)

– Paolo Gentiloni, Itália, Partido Democrático, Centro Esquerda, mas ex maoista, com origens no maoista Workers‘ Movement for Socialism, depois envolvido nos movimentos ecologistas diretor do  La Nuova Ecologia (“The New Ecology“), jornal oficial do  Legambiente tendo convivido com o leader of Federation of theGreens, Francesco Rutelli, sendo um dos   “Rutelli boys”, Comissário da Economia;Comissário a acompanhar com muito interesse é Positivo;

– Virginijus Sinkevicius, da Lituânia, e do Farmersand Greens Union, Direita, partido conservador e ruralista, Comissário do Ambiente e Oceanos, enfim pouco adequado para o cargo mas podendo ser em tempo de crise climática Positivo;

– Nicolas Schmit, Luxemburgo, do  ‎SocialistWorkers‘ Party, Centro Esquerda, Comissário do Emprego, podendo ter alguma sensibilidade para a vivencia e as necessidades dos trabalhadores portugueses é Positivo;)

– Helena Dalli, Malta, do Labour Party, Centro Esquerda, Comissária da Igualdade e com curriculum muito adequado para o cargo é Positivo;)

– Janusz Wojciechowski, Polonias, do Law andJustice, Direita, Ultra conservador e eurocético Comissário da Agricultura é Negativo 😉

– Rovana Plumb, Roménia do Social Democratic Party, Centro Esquerda, Comissária dos Transportes é Positiva;)

– Janez Lenarcic, Eslovénia, Centro Direita, Independente, Comissário da Gestão de Crise é Neutra;)

– Ylva Johansson, Suécia, Centro Esquerda, foi do  Left Party – Communists, (VPK), mas atualmente é do Social Democrat Party, Comissária dos Assuntos Internos é Positiva.

 Positivos : 13 

Negativos :  6

Neutros :      7 

O empate Negativos + Neutros face aos Positivos é superado pela maioria larga dos Positivos + Neutros traz à partida  vantagem para esta Comissão que no entanto nao escamoteia a existência de 4 comissários de extrema direita o que nos leva a ver com mais razão a inviabilidade desta Comissão ! 

Joffre Justino 

Imagem destaque: Lusa 

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