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O TVG, o PSD e o PS

por Joffre Justino

Ouvi essa declaração com uma enorme perplexidade”, foi mesmo o que disse António Costa, o líder socialista, recordando que “o PSD foi sempre o campeão anti-TGV” ( diga-se que também os passospórtistas) e, agora, Rui Rio vem defender a solução entre Lisboa e Porto, já  bem depois de o programa nacional de infraestruturas para a próxima década ter sido aprovado na Assembleia da República, sem que os sociais-democratas apresentassem essa proposta.

Na verdade o TVG foi um projeto que já o entusiasmou quando era presidente da Junta Metropolitana do Porto, ainda que não lhe tenha feito referência na apresentação que fez, apesar de a mesma estar no programa eleitoral do PSD.

Ele promete avançar com uma linha nacional de TGV entre Norte e Sul do país em alta velocidade, com ligações à fronteira e também à Europa como está no programa de 122 páginas que apresentou esta sexta-feira na Alfândega do Porto, sendo um novo serviço de transporte preparado para tráfego de passageiros e mercadorias também com ligação aos principais terminais logísticos nacionais e internacionais, incluindo portos e aeroportos.

“É muito estranho que tenha havido uma grande discussão na Assembleia da República sobre as infraestruturas a realizar na próxima década, tendo o PSD apresentado propostas, tendo o PSD votado a favor do programa, de repente saia da cartola um TGV de que ninguém ouviu o PSD falar”, acentuou António Costa.

Costa que estranha também ter ouvido o presidente do PSD “tirar da cartola dúvidas sobre a sua estratégia da solução Montijo” para o novo aeroporto, apontando que “foi uma solução desenvolvida pelo anterior Governo … Precisamente para não andarmos sempre numa lógica de descontinuidade nós agarramos, estamos a trabalhar como a solução possível no contexto em que vivemos”, acrescentou.

O secretário-geral do PS insistiu que fica “muito surpreendido com esta inconsistência permanente das posições do PSD e do Dr Rui Rio sobre matérias estruturantes para o país” e acentuou que “investir numa linha do TGV não é fazer uma variante a uma vila, é uma obra de milhares de milhões de euros, relativamente aos quais tem que haver um consenso nacional muito profundo”.

“Quando agora se discutiu o programa de infraestruturas para a próxima década não houve proposta nesse sentido, agora que o programa está aprovado e em cima de eleições é que sai da cartola uma proposta como o TGV?”, perguntou.

“Fiquei profundamente perplexo como é que um partido com o grau de responsabilidade e que pretende ser alternativa de Governo se comporta com esta ligeireza relativamente a investimentos que são de milhares de milhões de euros” … não há nem condições financeiras, nem condições politicas para neste próximo quadro comunitário haver qualquer iniciativa dessa obra”.

Joffre Justino

Imagem destaque: Lusa 

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