Home Artes Mais cinco minutos de jazz…

Mais cinco minutos de jazz…

por Mafalda Gomes

A apresentação do livro “Cinco Minutos de Jazz” de José Duarte foi esta tarde apresentado na Associação José Afonso. Houve tempo para a história, para as memórias, e para a música 

A primeira transmissão do programa “Cinco Minutos de Jazz”, foi no dia 21 de Fevereiro de 1966, na Rádio Renascença. Pelo contexto histórico em que nasceu, este programa conduziu José Duarte, por caminhos onde a música teve de ser mais forte que as restrições.  

O jazz não deve ser apenas ouvido, mas ” observado na sua vertente política, social, económico, antropológica” afirma Hélder Martins, investigador do Centro de Estudos de Jazz da Universidade de Aveiro. O discurso associado ao jazz estava ligado à cultura norte americana, e em Portugal onde havia uma elite aristocrática que exercia um controlo estético sobre a população, “que negava completamente o que vinha dos EUA, nomeadamente o jazz, que era muitas vezes pensado como imoral, acompanhado pelo discurso do fim da cultura ocidental.”

Depois no Estado Novo, houve muita resistência a este estilo musical, mas apesar disto, Luís Villa-Boas pretendeu afirmar o jazz em Portugal, sem motivações políticas, “era o jazz pelo jazz”. Foi ele quem fundou o Hot Club de Portugal e Hélder Martins considera “que isto é a afirmação do jazz, e há uma mudança da opinião da elite que escrevia nos jornais da época.” 

É aí que José Duarte entra, e em 1966 inicia o seu programa de rádio no epicentro deste contexto cultural, e muitas das histórias que contou são histórias de resistência política. Uma das histórias passou-se em 1971 quando o contrabaixista dos Estados Unidos Charlie Haden, deu um concerto no 1º Festival Internacional de Jazz, por causa de um encontro entre o músico e o autor em Varsóvia. Charlie Haden não queria tocar em Portugal porque era um país fascista e “eu respondi-lhe que o povo não era fascista”. O contrabaixista decidiu actuar em Portugal, e no concerto cantou o tema ‘Song for Che” e saudou os movimentos negros de Angola, Moçambique e Guiné, (foi aplaudido por doze mil e pessoas) e por isso foi preso e interrogado pela PIDE. Foi expulso de Portugal e só voltou na 1ª Festa do Avante.  

O livro conta estas histórias, tem muitos dos textos do programa, e a participação de Maria João Pires, Ana Bustorff, Olga Roriz, Pedro Cabrita Reis. Esta sessão iniciou-se com um pequeno concerto de jazz, e acabou com a audição de uma música.

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