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Estabilidades, crises e governações pós Geringonça 1

por Joffre Justino

E a guerra às Esquerdas renasce com uns a pensar que lhes traz os votos do centro direita para a maioria absoluta garantida ( o PS), e outros que que desejam que lhes caiam no colo os votos das Esquerdas até aos  10% ou mais ( o BE ), ou até aos 7/9 % ( a CDU), merecidos resultados diga-se depois de estáveis e saudáveis 4 anos de geringonça.

Na realidade todos eles recusam a verdade – a abstenção é o cerne da solução e a busca da quezília é na nossa opinião a base da abstenção pelo que esta estratégia ( comumente assumida e ou consensada, ou realizada por razoes e objetivos diversas) arrisca-se a ser um fracasso pois nem o PS mesmo com maioria absoluta poderá sozinho ( com ou sem Centeno) superar a crise que cegamente  se vai instalando muito à semelhança da crise que a Humanidade viveu ao tempo da I guerra e até ao rebentar da II.

Neste contexto que parece de todo negligenciado mesmo quando dele se fala o líder parlamentar do Bloco de Esquerda defendeu hoje que é “absurdo” dizer que o BE e o PCP são inimigos da estabilidade, lembrando que a única vez que o governo esteve para cair foi por iniciativa do PS, respondendo pela negativa quando com o PCP foram a base de estabilidade do governo de António Costa. 

“Dizer-se que o Bloco de Esquerda e o PCP são inimigos da estabilidade é um absurdo, ou pelo menos um contrassenso evidente aos olhos de quem vive em Portugal nos últimos quatro anos. A única vez que o governo esteve para cair foi por iniciativa do Partido Socialista, não foi nem por ação do Bloco de Esquerda, nem por ação do PCP”, defendeu tentando marcar a diferença pela negativa quando na verdade foi sempre o PS que necessitou dessa estabilidade para governar e a mesma foi-lhe graciosamente cedida.

Pedro Filipe Soares no Porto, no segundo dia do Fórum Socialismo 2019, iniciativa do BE lembrou e muito bem que esta coligação de forças fez aprovar quatro orçamentos, facto que contribuiu para o sentimento de estabilidade, mas esqueceu-se de perguntar ao PS onde está o merecido agradecido que o PS deveria transmitir aos restantes da Geringonça.

“Temos quatro orçamentos aprovados neste contexto. Não houve nenhum sentimento de instabilidade fosse por instabilidade política ou por instabilidade da situação económica. E por isso o que nós podemos dizer é o contrário: se houve estabilidade na vida das pessoas (…) se deve à ação do Bloco de Esquerda e da ação de outros partidos de esquerda”, defendeu corretamente.

No entanto “ Não mudamos a nossa perspetiva. O Bloco não perdeu o seu horizonte de transformação, não perdeu a sua identidade, não perdeu o seu programa político (…), mas também não perdemos a nossa capacidade, de pontualmente, em cada momento, fazermos ou os acordos, ou as alianças, ou juntarmos forças com quem podemos juntar forças para determinados objetivos”, apontou, sublinhando que esta circunstância não coloca o partido como “subsidiários a um programa mínimo” que é apenas só a defesa da democracia.

Para Pedro Filipe Soares, o acordo é fruto da conjuntura e de uma relação de forças que obrigou o PS, a dialogar à esquerda “Não que o PS não pudesse ter feito isso antes, mas porque agora sim foi obrigado, incontestavelmente, a fazer esta escolha”, disse pois  o PS tinha de ter este acordo sugerido por Jeronimo de Sousa para governar.

E governou não tão bem quanto podia mas o bem suficiente para estar à beira da maioria absoluta. 

Para o líder parlamentar do BE hoje, “as pessoas” não confundem o Bloco de Esquerda com o Partido Socialista, como demonstram as sondagens, “ Uma coisa curiosa dessa sondagem é que a Catarina Martins era vista como chefe da oposição à frente de Assunção Cristas. Ora isto mostra bem como há na perceção popular a separação clara do que é o Bloco de Esquerda e o que é o PS e a perspetiva que o Bloco não se esgota numa aliança com o PS”, disse nada dizendo que à frente de Catarina Martins estava naturalmente Rui Rio.

Na sua intervenção, Pedro Filipe Soares defendeu ainda que a austeridade resulta de discurso cada vez mais autoritário que tem em si uma chantagem e ao mesmo tempo uma segurança que é: “mais vale isto do que muito pior”.

“Vemos isso no discurso do primeiro-ministro, António Costa, ainda recentemente, a perspetiva de uma crise financeira também na Europa (…). Chantagens para nos retirar perspetivas da alteração da relação de forças, mas acima de tudo para retirar à massa generalizada perspetivas de reivindicação de melhores condições de vida, de maior distribuição de riqueza”, concluiu erradamente. 

Porque a crise está aí à vista de todos como o mostram a Amazonia e a guerra comercial EUA / China que fazem da crise financeira uma luta de crianças. 

Estamos no centro de um furacão e parece que ha quem se ache por tal protegido – mas nao está ! 

… Ora o Forum Socialismo 2019 esqueceu estas instabilidades evidentes estas lideranças ou sem projeto de longo prazo ou no seio de projetos tão complexos que de gestão quase impossível o que nos permite entender a enorme cautela na gestão da crise por parte da China em Hongkong pois o essencial por ora é preservar nas instabilidades evidentes a contradição um país dois sistemas. 

… a título de exemplo! 

Joffre Justino

Imagem destaque: Lusa 

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