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O horroroso fanatismo religioso que ninguem fala

por Joffre Justino

O horroroso fanatismo religioso que ninguem fala 

Elza Pais, presidente das Mulheres Socialistas  lamentou o drama dos números que indicam que só em 2019 até Junho já foram assassinadas, em Portugal, em cenário de violência doméstica, 18 mulheres no Workshop sobre ‘Planos Municipais para a Igualdade’ e ate fim de Julho terao sido assassinadas 20 mulheres

Porque retomamos este tema aparentemente fora do noticiario “oficial”? 

Porque estamos no seculo XXI e porque em breve leitura de noticias passadas nos deparamos com um tenebroso “ato de exorcismo” praticado por um, pastor ou não, leader religioso na Nicaragua!

Elza Pais defende que face a um ato de violência doméstica há duas medidas que terão de ser essenciais e que o Governo da república está já trabalhando – uma  prende-se com a obrigatoriedade de colocar o agressor fora de casa, imediatamente, e uma outra relacionada com aquilo que a denomina de ’72 horas’, ou seja, uma intervenção bastante célere após a denúncia, de forma a proteger a vítima.

Mas ha uma, de fundo, essencial , que passa pela obrigação a imputar aos media de periodicamente nao esquecerem o tema da violencia, domestica ou nao, sobre os mais fragilizados em especial 

Somos um jornal Laico e radicalmente liberal nos planos cultural, e social e solidario no plano politico e economico, centrado no Saber de cada momento desta nossa Humanidade que tantos horrores ja perpetrou na sua dolorosa evolução.

Vimos por exemplo o patriarcado ter em plena campanha eleitoral apelado ao voto em partidos de extrema direita e no CDS e mesmo se recuou ficou a marca da sua visão do mundo de novo fascizante tão contraria ao papa Francisco, teoricamente o seu infalível papa.

Pois em 2017 uma sessão de exorcismo de uma semana terminou com o assassinato de uma mulher na Nicarágua lembra-nos uma noticia da BBC 

uma jovem começou a ter problemas mentais, um pastor de sua comunidade decidiu submetê-la a um ritual que culminou com sua morte e um ano depois, a BBC visitou o vilarejo isolado onde ela cresceu e morreu tentando entender as causas dessa tragédia.

Relata a BBC que era manhãzinha ainda quando Vilma Trujillo foi retirada da igreja Visão Celestial, onde estava sequestrada há quase uma semana, e amarrada a uma árvore e fora posta na igreja por causa de hipoteticas alucinações e por falar sozinha, para seu próprio bem, diz o povo local, “Ela dizia coisas estranhas. Falou para irmã grávida que ela não daria à luz um bebê, mas uma serpente. Chorava, falava do diabo. Nunca havia visto algo assim”, recorda-se sua tia, Ángela Garcia.

A família de Vilma percebeu que ela precisava de ajuda, mas num pais pobre como a Nicarágua o médico mais próximo estava a quase um dia de caminhada do vilarejo de El Cortezal, um punhado de casas em meio à selva no oeste da Nicarágua pelo que em alternativa chamaram  um jovem pastor evangélico ( ou ainda candidato a tal) de uma igreja que Vilma tinha passado a frequentar e este, Juan Rocha, apoiado por outros fiéis, Um quase garoto de 23 anos, guiou a mulher até a o casebre de madeira da Visão Celestial, onde ela foi na verdade aprisionada durante vários dias sem receber comida ou água enquanto o dito quase pastor e os fiéis se dedicavam a rezar por ela como o antídoto para o demônio que a havia possuído.

Os  parentes tentaram visitá-la, e foram mandados embora por Vilma nao estar ainda curada e mesmo uma tentativa de fuga de Vilma não teve sucesso e é na sexta noite deste sequestro que no meio de clara loucura coletiva que um dos membros da congregação disse que tinha tido uma revelação divina – os demônios podiam ser expulsos com fogo e foi construída a pira, e Vilma foi atada à árvore ao lado da fogueira.

Até hoje não está claro se a pobre Vilma foi empurrada para dentro do fogo ou se as chamas cresceram até envolvê-la. “Vou morrer, vou morrer”, gritou a jovem, segundo conta sua irmã de 15 anos, que estava a rezar dentro da cabana.

É esta irmãzita que afirma que os mais velhos presentes no local diziam que Vilma ressuscitaria do fogo livre de tormento tendo-se seguido horas de tormento e loucura coletiva até que um dos membros do grupo disse à adolescente para ir buscar uma ja inutil  ajuda.

A vilória El Cortezal não surge nos mapas nicaraguanos, ali, em plena montanha, sem electricidade, sem telefone, sem polícia e claro sem médicos e do povoado mais proximo, Rosita, ate la ha a fazer uma viagem de dez horas, duas horas de carro 4×4, quatro horas a pé e mais duas horas no lombo de uma mula.

Neste cenario o único lugar onde a irmãzita de Vilma podia conseguir ajuda era no sítio de sua tia. “Queimaram ela”, disse ao chegar lá e o grupo de resgate liderado pelo pai de Vilma, Catalino, chegou ao local quando as últimas chamas ainda ardiam, com Vilma nua, com queimaduras em 80% do corpo e ainda consciente ao ponto de ao ver o pai, lhe ter pedido encarecidamente água.

Era tarde demais para Vilma quando chegou à capital, Manágua, e a jovem de 25 anos morreu em 28 de fevereiro d 2017 com os pulmões cheios de sangue e por falência múltipla dos órgãos.

O exorcismo praticado sobre Vilma chocou a nação, “ Por que a queimaram?”, interrogavam os  jornalistas ate o jovem dito pastor que conduziu o ritual após o caso vir à tona e a resposta foi, “Não”, corrigiu-os Juan Rocha. “Quando íamos orar, ela se suspendeu em espírito e caiu no fogo.”, mas houve entretanto uma interrupção reveladora um dos colaboradores  do tal dito pastor – o seu cunhado, Franklin Jarquín – olhou friamente para uma câmera de TV e disse: “Ela cometeu um erro perante Deus. Ela falhou, porque ela tinha um companheiro e cometeu um erro com outro homem”.

Rocha, seu irmão Pedro José, sua irmã, Tomasa, e o marido dela foram acusados de sequestro e assassinato, assim como uma quinta participante, Esneyda Téllez, quem teve a “revelação” sobre o uso do fogo e os assistentes do juiz responsável pelo caso, em Manágua, dizem não ter visto sinais de arrependimento nos acusados, todos com 20 e poucos anos de idade e foram sentenciados a penas de 30 a 36 anos de prisão.

O companheiro de Vilma, que viajava no momento do crime, mudou-se para longe com a filha deles, que tem 2 anos. O primeiro filho de Vilma está vivendo com o tio.

A jovem Ángela conta ter sido ameaçada de morte caso testemunhasse e por segurança, foi viver a mais de 100 km de distância, em San Miguel de Casa del Alto, de onde vem sua família e onde Vilma foi enterrada.

O jovem pastor era filho de um agricultor local e havia estudado por alguns anos, o que, em meio àquela gente majoritariamente analfabeta de El Cortezal, o fazia parecer suficientemente capacitado para dirigir a igreja construída poucos anos antes num terreno doado por um benfeitor local.

Esta dita igreja Visão Celestial faz parte na Nicarágua da igreja Assembleia de Deus, que é formada por um conjunto de igrejas autônomas e é a maior denominação pentecostal do mundo fundada no Estado do Arkansas, nos Estados Unidos, em 1914, e hoje tem mais de 67 milhões de membros em 200 países entre ele Portugal onde dizem ter 400 templos e 35 mil seguidores, 0,3% ja da população portuguesa 

Na Nicarágua, são mais de 600 mil seguidores, ou 10% da população, em um país cada vez mais evangélico – segundo dados do Pew Research Center, o percentual da sociedade que se identifica como católico caiu de 90% para os 50% atuais.

Segundo a BBC o psiquiatra José Salmerón, envolvido no caso de Vilma, alerta sobre os riscos desta “forma de ver o mundo que era comum na Idade Média… A maioria da população nicaraguense não se interessa pela saúde mental, prefere explicações sobrenaturais”, diz e acentua que a  “..,chave para mudar isso é mais educação nas escolas. Precisamos criar um espaço para a razão e o pensamento crítico e secular, separar a religião de nossas interpretações do mundo que nos rodeia.”

A maior parte da cobertura da imprensa local nicaraguana tratou a morte de Vilma como um “feminicídio”, palavra para descrever algo mais complexo do que o simples assassinato de uma mulher, “É um crime de ódio”, diz enfaticamente Magally Quintana, fundadora da ONG Católicas pelo Direito de Decidir e uma veterana na luta pelos direitos das mulheres cujo grupo se dedica também a fazer campanha contra a violência de gênero. 

Segundo seu mais recente boletim, ocorreram 51 feminicídios na Nicarágua no ano passado, incluindo o de Vilma.

“Usar essa palavra torna o problema visível, chama atenção para a desigualdade em uma sociedade em que os homens decidem como vivemos ou morremos.”

Na Nicarágua, as feministas e as igrejas católica e evangélica há algum tempo vão em direções opostas. As igrejas obtiveram uma importante vitória em 2006, com o veto integral ao aborto.

Em 2014, as feministas sofreram mais dois reveses. Primeiro, o crime de feminicídio foi limitado a casos em que o assassino teve relações sexuais com a vítima. Depois, o presidente Daniel Ortega emitiu um decreto ampliando o papel de grupos comunitários na resolução de disputas domésticas, o que dificulta processos criminais nestes casos.

O governo também tem se tornado cada vez mais religioso, conforme Ortega, um ex-líder revolucionário, se reinventa como um personagem piedoso que governa ao lado da mulher, Rosario Murillo, que ele nomeou vice-presidente do país no ano passado.

Seu governo se autodefine como “cristão, socialista e solidário”, o que simpatizantes veem como uma prova de sua devoção, e seus críticos, como uma estratégia para ganhar votos.

No entanto, após o assassinato de Vilma, o Parlamento aprovou uma lei mais favorável às feministas, estabelecendo o crime de causar uma morte por “fundamentalismo religioso” passível de pena de 25 a 30 anos de prisão.

É sabido em Portugal que alem destas seitas ditas cristãs fanatizadas e manipuladoras existem outros graves riscos com seitas ditas islâmicas defensoras, por exemplo da manipulação genital feminina, drama escondido entre sobretudo comunidades guineenses  ali entre a Amadora, Loures, Odivelas enquanto que as ditas cristãs se assumem quase abertamente seguidoras do fascista Bolsonaro ( e do salazarento claro) em Portugal campeando entre os ja bem mais de 100 mil brasileiros na sua maioria a viverem no que se chama de Grande Lisboa 

Estas seitas que influenciam ate algumas ditas feministas que recentemente passaram a bater-se pela ilegalização da prostituição em Portugal sao um grave risco à Democracia como ja ficou visível nos EUA de Trump e no bolsonarista  Brasil ! 

Joffre Justino

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