Home Opinião Brasil quer ser país rico da OCDE, mas age como pobre

Brasil quer ser país rico da OCDE, mas age como pobre

por Silvio Reis

Assim como Michel Temer, o presidente Bolsonaro quer fazer parte dos 36 países ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE. Ao fazer parte do clube dos países ricois, busca-se credibilidade internacional, atração de investimentos e status.

Em maio de 2017, quando o Brasil formalizou o processo de adesão na Organização, o cumprimento parcial dos 253 instrumentos normativos da OCDE tinham mais chances de ser cumpridos do que agora.

A Amazônia tem importância mundial e atende necessidades da Organização. Nesse quesito, Bolsonaro descumpre um dos instrumentos jurídicos da Organização, a Declaração sobre a Integração da Adaptação à Mudança do Clima à Cooperação para o Desenvolvimento. Cerca de 40% das exigências da OCDE estão voltadas às áreas ambientais e químicas.

A Organização busca o desenvolvimento econômico aliado ao bem-estar social, por meio da cooperação entre seus países-membros. O bloqueio de verbas da Noruega para o Fundo Amazônia, e da Alemanha para outras ações ambientais, revela pobreza e despreparo do Brasil.

Um dos slogans da OCDE é “Políticas melhores para uma vida melhor”. A liberação de 211 produtos agrotóxicos, nos seis meses de governo Bolsonaro, vai contra esse ideal.

No mês de setembro, o Comitê de Política de Meio Ambiente da Organização vai analisar as políticas públicas brasileiras. O processo pode demorar. A Colômbia espera desde 2013. O argentino Macri vai terminar o mandato sem essa conquista. Na América do Sul, somente México e Chile são países-membros.

No governo petista de Lula e Dilma Rousseff, o Brasil preferiu ser membro observador da OCDE e deu prioridade acordos regionais com países emergentes, a exemplo do Brics e Mercosul.

Silvio Reis, jornalista brasileiro

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