Home Opinião E sabem que Vieira da Silva até já foi grevista? Homenagem a Mário Soares, António Janeiro e António Dornelas!

E sabem que Vieira da Silva até já foi grevista? Homenagem a Mário Soares, António Janeiro e António Dornelas!

por Joffre Justino

Pois foi, anos 72/74 enquanto foi, com o PCP (ele não  o era), dirigente da AE ISCEF/ISE em lista que derrotou aquela onde eu estava, maoista que então era, em cenário que nunca esquecerei.

Pois quem diria que ele se tornaria neste pró indefetível serviços máximos digo mínimos, para travar uma greve? Curiosamente, não a greve dos enfermeiros/médicos, a tal “cirúrgica” onde poderiam (e, se calhar…) ter morrido pessoas, mas a greve que afeta a economia do país…

Claro que o bom senso permite e bem explicar os serviços mínimos (mas nem tanto ao mar, nem tanto a terra…) e nunca por nunca ficar o ministro do trabalho em silêncio com a gaffe estrondosa das 11h dia de trabalho para um motorista que transporta Materiais Perigosos, em Estradas Lotadas, como afirmou o Ministro do Ambiente, colega de Vieira da Silva!

Para espanto de muitos e apesar das nossas cautelas, ontem era dado adquirido nos media que o princípio de acordo pelo menos estaria feito antes de terminado o dia.

Não aconteceu.

Pelo contrário o sindicato já anunciou que vai apresentar um pré-aviso de greve ao trabalho suplementar e o advogado /negociador Pedro Pardal Henriques informou que o presidente do sindicato vai dar mais pormenores sobre a decisão na conferência de imprensa, “O presidente do sindicato, Francisco São Bento, vai anunciar em conferência de imprensa marcada para as 13h00 em Aveiras que vai avançar com um pré-aviso de greve ao trabalho suplementar, feriados e fins de semana”, dissePardal Henriques..

Hoje entretanto já foi anunciado que a Mediação tinha terminado por recusa do sindicato em lhe dar continuidade, mas a leitura que fazemos é que O sindicato quer a mediação para negociar matérias que entende serem do seu direito defender 

E assim citamos de novo que o Sindicato pediu tão somente, segundo o seu advogado, que “…os trabalhadores sejam valorizados e que recebam pelo trabalho que fazem. Não abdicamos do pagamento de horas extraordinárias”. Foi igualmente pedido um aumento no subsídio para motoristas que manuseiam matérias perigosas, falamos num aumento de 50 euros para cerca de 800 trabalhadores”, e de novo teimamos antes de tudo há que definir o que está disponível para ser mediado tendo em conta o já acordado com outros sindicatos e as opções das partes

Vale pois relembrar o que é uma Mediação, 

Mediação é o ato através 

do qual ocorre a interferência 

de um mediador para a busca 

de entendimento e composição 

entre partes em conflito.

Assim, mediar não é fechar portas numa Negociação mas sim manter o máximo de portas abertas com o auxilio de um elemento exterior às Partes envolvidas enquanto Facilitador e não enquanto juiz. 

Justifica-se pois recordar os anos 1983/85, anos de grave crise económica em Portugal ( e sem que estivéssemos ainda na CEE/UE)  e anos de grave conflitualidade politica e social e lembrar como António Janeiro, António Dornelas e a equipa da FETESE/SITESE geriram e reduziram a conflitualidade social em centenas de instrumentos de regulamentação de trabalho ( eu por exemplo geria com vários dirigentes da FETESE uns 36 IRCT’s) e contando com uma maravilhosa equipa de conciliadores do ministério do Trabalho, e raro bem raro necessitámos de ver o uso de serviços mínimos e mesmo nada de requisições civis em um processo de efetiva concertação social no terreno e não nos gabinetes ministeriais e “concertacionais”!

Não resisto pois a recordar e saudar quer Mário Soares, que sabia ouvir o dirigente sindical que era António Janeiro e que sabia que se ia até onde se podia sem perder a ligação à base social de apoio do PS ( no governo com o PSD) e sem esquecer o António Dornelas que mesmo que copm divergências era uma experimentado negociador, analista da Negociação Coletiva de Trabalho e da importância da existência de Bases Sociais de Apoio para um Partido Socialista.

Cumprimentamos entretanto o ministro das Infraestruturas que garantiu hoje que o Governo tudo fez para que patrões e sindicatos não fossem para a mesa de negociações com “pré-condições”, mas que cometeu a gaffe de dizer que a estrutura que representa os motoristas não aceitou esta condição, “Tentámos por todas as vias fazer com que as partes deixassem cair as pré-condições. Uma das partes não quis, mas, obviamente, uma mediação tem como objetivo chegar a resultados, eles não podem ser impostos antes de a mediação se iniciar”, afirmou Pedro Nuno Santos aos jornalistas, no Ministério das Infraestruturas e da Habitação, em Lisboa, esquecendo, ou não sabendo o que é uma mediação, lamentamos dizê-lo.

Hoje e em consequência de uma UGT que cada vez mais é uma Central das Direitas e não dos socialistas, os sindicatos não têm qualquer influencia no PS, (parece que nem deputados terão…), o que como se vê deixa o governo só sem instrumentos técnicos de apoio, morto que foi ao que parece o papel do Ministério do Trabalho!

Joffre Justino

Imagem destaque Lusa

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