Home Ambiente Amazónia, Bolsonaro e a “bancada do boi”estão a matar a Amazónia !

Amazónia, Bolsonaro e a “bancada do boi”estão a matar a Amazónia !

por Joffre Justino

Num fenómeno incomum pelas 15h de segunda-feira, 19 de agosto, o céu escureceu e o dia passou para a noite em várias regiões do Estado de São Paulo em consequencia da chegada de uma frente fria carregada de humidade no litoral paulista e a espessa fumo da pior série de incêndios florestais já registrados no Brasil nos últimos sete anos, pois há já duas semanas que florestas e matas ardem em chamas nos estados do Norte, do Acre, à Rondônia, ao Mato Grosso e ao Mato Grosso do Sul, incluindo áreas da Amazônia e do Pantanal. 

Estes incêndios e estes desmatamentos da Amazónia, já atingiram as fronteiras entre o Brasil, a Bolívia e o Paraguai, consumindo mais de 20 mil hectares de vegetação, gerando demonstrações de grave preocupação até do papa Francisco, tambem da Alemanha e da Suécia tradicionais doadores ao apoio à Amazonia!

Na verdade, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já divulgou que o número de focos de incêndio florestal aumentou 82% entre janeiro e agosto de 2019 se  comparada a situação com o mesmo período de 2018 e entre os dias 1 de janeiro e 18 de agosto deste ano, foram registrados 71.497 focos de incêndios, face aos 39.194 focos registrados no mesmo período anterior. A última grande onda é de 2016, com 66.622 focos de queimadas entre essas datas e mesmo assim inferior à atual.

Entretanto o desmatamento na Amazônia Legal cresceu 66% em julho deste ano em relação ao mesmo período de 2018, segundo um relatório mensal, divulgado nesta sexta-feira, 16, pelo instituto de pesquisa Imazon  e o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) detetou 1.287 quilômetros quadrados de desmatamento, contra 777 quilômetros quadrados no ano passado. 

Em julho de 2019, o desmatamento ocorreu no Pará (36%), Amazonas (20%), Rondônia (15%), Acre (15%), Mato Grosso (12%) e Roraima (2%).

O SAD é uma ferramenta de monitoramento da floresta, desenvolvida em 2008 pela Imazon, uma associação sem fins lucrativos qualificada pelo Ministério da Justiça e que acompanha via imagens de satélite o ritmo do desmatamento e da degradação florestal na Amazônia Legal esta organização não está ligada ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), que no início de agosto divulgou que o desmatamento cresceu 278% no mês de julho, o que por usarem metodologias diferentes, tornam as pesquisas desses 2 institutos não comparáveis, mas o essecnail é que ambos os estudos indicam um aumento no desmatamento, sendo de relevar que existem várias razões para os incêndios – combustão espontânea devido à seca, queima de restos de cultura pelos pequenos produtores e fogo criminoso, ligado ao desmatamento.

Assim, o majestoso e gigantesco manto verde que ocupa cerca de 40% do território nacional está novamente em risco, pois a recente alta expressiva do desmatamento, a desestruturação dos órgãos ambientais e o surgimento de propostas legislativas que reduzem a proteção da floresta parecem empurrar a Amazônia para os maus anos da última década do século passado.

A Amazônia é o bioma mais afetado, com 51,9% dos casos de incêndios, seguido do Cerrado, com 30,7% dos registros de queimada.  Preocupados com a situação, muitos brasileiros se unem em coro nas redes sociais para cobrar do governo federal uma resposta à crise. Ativo nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaroainda não emitiu nenhuma mensagem sobre os incêndios. O silêncio do presidente levou o assunto “E a Amazônia” ao topo dos tópicos mais comentados desta terça-feira no TwitterBrasil.

Especialistas atribuem a perda crescente de floresta ao discurso “agressivo” do governo Bolsonaro pois, não raro, as queimadas têm origem intencional ligadas ao desmatamento e recordemos o dia 10 de agosto, quando fazendeiros e grileiros no sudoeste do Pará, apoiados pela “bancada do boi”, o segmento do parlamento dominado pelos criadores de gado, cumpriram a promessa de fazer um “dia de fogo” e deliberadamente queimaram  uma área vegetada da região de Novo Progresso gerando um aumento de 300% nos focos de incêndio em comparação com o dia anterior, pelos registros do Inpe.

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