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Era uma vez em… Hollywood

por Mafalda Gomes

Carros, fumo, luzes, Ruas, cigarros, néons. Hollywood e hippies. Luxo e lixo. Álcool e drogas. Fama, estrelas e luzes. Queda, noite e tragédia. Coube tudo no esperado filme de Quentin Tarantino, que estreou esta quinta-feira em Portugal. “Era uma vez em… Hollywood” retrata Los Angels no verão de 1969.

A narrativa constrói-se através de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um actor de séries de televisão “Western”, e o seu duplo Cliff Booth (Brad Pitt). Quando Rick quis entrar no mundo do cinema, nunca alcançou a fama pretendida. Ao longo do filme sentimos o impacto emocional que isso tem no actor, e do seu duplo, que desde o declínio da carreira de Rick, restringe-se às funções de assistente: conduz o actor por LA, faz reparações na mansão…

A obsessão de Rick, analítico e crítico das suas qualidades, é associada à valorização excessiva da fama em círculos artísticos de Hollywood. É Cliff que ampara o actor nas crises de auto-confiança. A construção de ambas as personagens, ocupa grande parte do início do filme, e é feita através de cenas longas do quotidiano, entre e isoladamente, das duas personagens. A diferença entre as duas vidas é representeada pelos carros, casas, hábitos alimentares e culturais, mas a sua solidão, fragilidade e queda é partilhada – aproximando-o um do outro. Apesar disto a personagem de Cliff tem uma personalidade endurecida, não tem medo de lutar, ao contrário de Rick.

A história é contada de forma interrupta, e dessa forma, Tarantino consegue envolver mais personagens que aparentemente não estão ligadas. Se esta não fosse a história recontada da seita de Charles Mason e do assassínio de Sharon Tate (Margot Robbie), seria apenas uma tragédia satírica e emocional, mas Tarantino desconecta a verdade da ficção para dar outro sentido ao tempo. A casa de Rick é ao lado da do realizador Roman Polanski (Rafal Zawierucha), casado com Sharon Tate actriz, e este pequeno facto serve para em “Era uma vez em… Holywood” o desfecho da noite de 9 de agosto de 1969 ser outro.

Los Angels é imortalizada neste filme pela música, o cinema, os restaurantes, os carros, as roupas, a publicidade, os cigarros… A luta entre os “cowboys” e os hippies. O sangue, o suor, o calor, a areia. A solidão entre o brilho das estrelas, entre as luzes dos letreiros néons que pintam a cidade.

Mafalda Gomes

Foto de destaque: @Estrategizando

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