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O Real Edifício de Mafra

por Joffre Justino

O que já é Património Mundial da UNESCO, o Real Edifício de Mafra (Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada).

A partir de hoje, na sequência da deliberação do Comité do Património Mundial, reunido na sua 43.ª sessão que está a decorrer em Baku no Azerbaijão merece todo o carinho mas também toda a reflexão 

Vale a pena recordar que trabalharam neste hoje Património  Mundial mais de 50 mil pessoas na sua construção, num edificado que possui 156 escadarias, 1200 divisões, mais de 4500 portas e janelas, qud inclui uma magnífica biblioteca do século XVIII com cerca de 40 mil volumes, uma basílica com um conjunto de seis órgãos históricos, um núcleo conventual com um hospital de época a Enfermaria dos Frades. dois carrilhões, dos mais antigos da Europa, com 92 sinos e é parte da Rede de Residências Reais Europeias, onde a denominada família real gostava de passar aqui temporadas e de organizar caçadas na vizinha Tapada. 

É certo que se entende e elogia o Presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hélder Sousa Silva, que diz que este é “um momento histórico para os mafrenses e para os portugueses, constituindo um motivo de orgulho e um compromisso de futuro”, tendo ainda declarado que “o monumento que é a síntese em ‘pedra e mármore’ da cultura Barroca europeia não só marcou para sempre a identidade do concelho, como constitui a razão pela qual Mafra se encontra incluída, desde a primeira metade do século XVIII, nos itinerários culturais, religiosos, turísticos e académicos como símbolo de arte de expressão internacional”. 

O presidente explicou ainda que “este reconhecimento constitui, mais do que um ponto de chegada, um ponto de partida, tanto para uma renovada consciencialização coletiva para a proteção acrescida do bem, no profundo respeito pela sua magnificência e pela plena fruição pública, como para a introdução de novas dinâmicas, posicionando-o como um local de (re)encontros: dos mafrenses com a sua história; dos nacionais e estrangeiros com um conjunto patrimonial diversificado na tipologia, mas único no conceito”.

Já o Diretor do Palácio Nacional de Mafra, Mário Pereira, “A inevitabilidade de um reconhecimento não poderia, nem deveria ser protelada. Mafra e o seu monumento há muito que mereciam esta inscrição na lista do Património Mundial” e o comandante da Escola das Armas Brigadeiro-General Silva Rodrigues entendeu dizer que “A Escola das Armas congratula-se com este reconhecimento que muito valoriza o Concelho de Mafra e Portugal. A Escola das Armas e o Exército continuarão, em sintonia com os outros parceiros deste projeto, a trabalhar para a conservação deste valioso património nacional, agora também considerado Património Mundial”.

Tambem a Presidente da Direção da Tapada Nacional de Mafra Paula Simões, sublinhou que “Feita uma aposta na requalificação deste património natural, pondo em evidência os aspetos identitários e singulares, esta atribuição projeta internacionalmente este lugar. Neste momento, conseguimos transmiti-lo às gerações futuras com um valor acrescentado, e igualmente gerar um estímulo à continuidade da sua conservação e proteção. Reserva de biodiversidade, ponto de encontro de gerações e espaço de lazer sem paralelo, a Tapada Nacional de Mafra orgulha-se deste estatuto, abrindo as suas portas aos visitantes de todo o Mundo, que passarão a conhecer melhor este espaço e a sua História. A atribuição deste estatuto pela UNESCO é importante para a projeção internacional da região e o país. A primeira pesquisa que é feita pelos turistas no Google, no Booking ou no Trip Advisor é saber aquilo que é Património Mundial. Todos beneficiaremos do crescimento turístico que virá, será uma mola de desenvolvimento da região e permitirá aos operadores turísticos criar novas rotas”.

A proposta para a inscrição do Real Edifício de Mafra na lista do Património Mundial da UNESCO foi coordenada pela Direção Geral do Património Cultural e a Câmara Municipal de Mafra, com a colaboração do Palácio Nacional de Mafra, Escola das Armas, Tapada Nacional de Mafra e Patriarcado de Lisboa – Paróquia de Santo André de Mafra.

O Real Edifício de Mafra é formado pelo Palácio que cerca a Basílica, cujo frontispício axial une os Paços do Rei e da Rainha, um Convento, um Jardim e uma Tapada, sendo uma das mais magnificentes obras de D. João V que dispôs de privilegiadas condições culturais e económicas para ombrear com as restantes monarquias europeias e que na verdade, na época empobreceu enormemente o pais mas potenciou uma distribuição da riqueza centrada como era carateristico nessa época em uma muito poucas mãos 

Ate na escolha do arquiteto, Johann Friedrich Ludwig, formado em Roma, o projeto mostrou-se como um ato de vaidade e afirmação internacional da casa reinante portuguesa que contratou importantes artistas para Mafra, é dos mais relevantes locais do Barroco italiano fora de Itália.

Das décadas seguintes são os retábulos da Basílica, da autoria de Alessandro Giusti, artista de origem italiana que, em Mafra, iniciou uma verdadeira escola de escultura devendo se destacar os seis órgãos da Basílica, caso único no mundo em que se registou a conceção e realização, em simultâneo, de seis órgãos “dialogantes” entre si, já previstos no plano inicial na Basílica com o projeto a ter sido entregue aos organeiros António de Machado Cerveira e Peres Fontanes. 

O Palácio continuou a desempenhar as funções de Paço Real até ao final da monarquia, pois foi em Mafra que o falhado jovem Manuel II, tido como o último rei de Portugal, passou a derradeira noite antes de embarcar para o exílio. 

O Convento foi extinto em 1834 e, passando a albergou diversas unidades militares que constituem, por si só, outro capítulo da história deste conjunto, pois estão ligadas aos grandes confrontos militares em que Portugal participou e à própria memória do exército português.

O Jardim do Cerco começou por ser a cerca conventual à disposição dos frades, mas, logo em 1718, D. João V mandou ali plantar todo o género de árvores silvestres. O conjunto alberga um grande lago central, para onde confluem águas da Tapada e de um poço anexo associado a uma gigantesca nora. 

Também ali se conserva um curioso Jogo da Bola, mandado construir pelos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, quando estes ocuparam o Convento entre 1771 e 1792.

A Tapada Nacional de Mafra foi criada em 1747 para servir as necessidades do Convento e para cenário venatório do monarca e da corte e nos finais do século XIX e inícios do XX a Tapada foi palco privilegiado das caçadas do rei D. Carlos. Hoje, é um espaço vocacionado para a gestão florestal, cinegética, ambiental e turística. No seu interior, subsistem quatro fortes das Linhas de Torres, um dos quais já restaurado (Forte do Juncal), que ligam este espaço ao conflito europeu conhecido por Guerras Napoleónicas.

Joffre Justino 

Imagem destaque: Lusa 

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