Home Ambiente Montijo : um Estudo de Impacto Ambiental ridículo?

Montijo : um Estudo de Impacto Ambiental ridículo?

por LUSA Estrategizando

O FAPAS, Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens, é uma organização não governamental de ambiente, de âmbito nacional, sem fins lucrativos, com intensa atividade desde 1990, classificou as recomendações de medidas compensatórias previstas no estudo de impacto ambiental do aeroporto do Montijo como “risíveis” e “ridículas” afirmando ainda que a escolha do local desrespeita a legislação em vigor.

Assim o estudo em causa levanta “muitas questões, pela sua superficialidade do ponto de vista ambiental”, mas também económicas, por estar associado a estimativas que dependem de fluxos variáveis como o turismo, pelo desinteresse da TAP em usar a estrutura aeroportuária e por contrariar decisões recentes do Governo para atingir a neutralidade carbónica.

Para o FAPAS o Montijo é a única solução viável, os ambientalistas referem que “a escolha deste local desrespeita a legislação nacional e comunitária, pois está a cerca de seis quilómetros da Reserva Natural do Estuário do Tejo, e ocupa uma parcela do Sítio de Importância Comunitária, SIC, do Estuário do Tejo e da Zona de Proteção Especial, ZPE, do Estuário do Tejo”.

As medidas compensatórias propostas no estudo para amenizar impactos nas populações de milhões de aves do estuário “roçam o ridículo” para o Fapas, que questiona algumas, como “elaborar um Plano de Salvamento dirigido à Fauna Terrestre”, e diz que outras, como um plano para erradicar espécies exóticas invasoras, são já uma obrigação do Estado.

Aliás o próprio Estudo de Impacto Ambiental,  EIA, do futuro aeroporto do Montijo admite que os maiores impactes significativos, na avifauna e na saúde humana, por causa do ruído, vão permanecer mesmo após as medidas de compensação definidas.

Os ambientalistas lembram ainda para o impacto negativo de aeroportos de grande dimensão, “atendendo que centralizam em demasia os fluxos das pessoas assim como provocam um grave problema logístico no que diz respeito às mercadorias que circulam por meio aeronáutico”, centralizando a economia e prejudicando o “desenvolvimento equilibrado e sustentado” das periferias com o que confessadamente não concordamos já que mesmo a economia de crescimento zero numa comunidade global de 7 biliões de pessoas necessita de um sistema de transporte aéreo 

Alerta o FAPAS também para a segurança, referindo que o Montijo “está na área do território nacional com maior risco sísmico e de inundação por um tsunami. consequentemente, uma catástrofe climática, um abalo telúrico de grandes dimensões, um maremoto ou uma tempestade, fenómenos potenciados pelas alterações climáticas em curso, paralisariam todo o país”.

Em comunicado, a associação ambientalista salienta “o ridículo” do processo de escolha do local para o novo aeroporto de Lisboa, que dura há 53 anos, tendo já sido ponderadas outras hipóteses, entretanto afastadas, como Ota, Rio Frio e Poceirão.

A ANA e o Estado assinaram em 08 de janeiro o acordo para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa, com um investimento de 1,15 mil milhões de euros até 2028 para aumentar o atual aeroporto de Lisboa (Humberto Delgado) e transformar a base aérea do Montijo no novo aeroporto de Lisboa.

O projeto do Aeroporto do Montijo e respetivas acessibilidades, para além da construção de um novo aeroporto na região de Lisboa, engloba também a construção de um novo acesso rodoviário, que permitirá estabelecer a ligação do futuro aeroporto à A12.

O futuro aeroporto do Montijo deverá ser implantado dentro dos limites da Base Aérea 6, na margem esquerda do rio Tejo, a 25 quilómetros de Lisboa, na sua quase totalidade no concelho do Montijo, na União de Freguesias de Montijo e Afonsoeiro. 

Uma pequena área da Base Aérea 6, a nordeste, fica integrada no concelho de Alcochete, na freguesia do Samouco, mas que não será afetada pela construção do Aeroporto.

Lusa/ Estrategizando

Imagem destaque: Lusa

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