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Russia, prisões inúteis e anti democráticas

por Antonio Sousa

Claro que não podemos dizer sempre mal da UE e hoje corroboramos com  a denuncia hoje da detenção de entre 800 a mil pessoas no sábado numa manifestação da oposição em Moscovo, na Rússia.

Na mesma pedia-se eleições locais livres e justas em setembro, considerando que a sua não realização mina as liberdades vividas.

A Alta Representante da UE para Política Externa, Federica Mogherini, considerou que estas prisões e o uso desproporcional de força contra manifestantes pacíficos se insere numa “série preocupante de prisões e ataques policiais contra políticos da oposição dos últimos dias”, considerando que “minam seriamente as liberdades fundamentais de expressão, associação e reunião” sabendo-se que esses direitos fundamentais estão “consagrados” na Constituição russa, pelo que a UE espera que sejam “protegidos”.

Na realidade no sábado, a polícia russa prendeu entre 800 a mil pessoas numa manifestação não autorizada no centro de Moscovo, em que eram pedidas eleições livres e justas perante a recusa das autoridades eleitorais de registarem 57 candidatos da oposição para as eleições municipais de 08 de setembro.

Algumas detenções foram feitas de forma violenta e muitos manifestantes foram feridos na cabeça, de acordo com jornalistas da AFP.

O proprio Comité de Direitos Humanos, dependente do Kremlin, tomou posição favorável à oposição e apelou à comissão eleitoral para registar “todos os candidatos” que recolheram o mínimo de assinaturas necessárias, porque o contrário significa ignorar “a vontade de milhares de eleitores” sendo que a oposição russa encara as eleições municipais como um primeiro passo para tentar ter representação na Duma (câmara baixa do parlamento), nas próximas legislativas de 2021.

O líder da oposição extraparlamentar a Vladimir Putin, Alexéi Navalni, foi preso a semana passada, cumprindo uma prisão de 30 dias por incentivar à participação na manifestação.

Ainda antes do protesto foram detidos vários candidatos da oposição com candidaturas rejeitadas pela comissão eleitoral, incluindo Dmitri Gudkov, ex-deputado, Iván Zhdanov, diretor do Fundo da Luta contra a Corrupção (fundado por Navalni), e Yulia Galiámina.

Também foi presa Liubov Sóbol, colaboradora próxima de Navalni e atualmente em greve de fome contra a decisão das autoridades de não a aceitar como candidata.

Os quatro seriam libertados e juntaram-se ao protesto, mas Sóbol, Galiámina e Zhadanov foram novamente presos.

Não alinhamos com as campanhas anti Russia mas também não cedemos a violações aos Direitos Humanos 

António Sousa

Imagem destaque: Lusa

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