Home Internacional As Espanhas avançam lentamente para as Esquerdas

As Espanhas avançam lentamente para as Esquerdas

por Antonio Sousa

Pablo Iglesias anunciou que renunciava a ser ministro num governo de coligação e, logo  um dia depois,  o Partido Socialista Operário Espanhol PSOE fez saber que está otimista quanto à perspetiva de formar um acordo político para assegurar a investidura de Sánchez como presidente do governo espanhol.

“Estamos convencidos de que alcançaremos um acordo”, afirmou este sábado, 20 de julho, a vice-secretária-geral do PSOE e porta-voz da força política, citada pela Lusa. Os socialistas venceram as eleições legislativas de 28 de abril, mas como não alcançaram uma maioria absoluta necessitam do apoio do Podemos de Iglesias. 

As negociações foram encetadas e ainda continuam, mas a exigência de Pablo Iglesias em integrar um futuro governo de Sánchez estava a atrasar qualquer perspetiva de acordo e agora trata-se de chegar ao fim do acordo nada mais.

O PSOE dispõe apenas de 123 dos 350 assentos que compõem a Câmara dos Deputados e assim o partido de Sánchez precisa do apoio dos 42 deputados do Podemos e dos representantes de vários partidos regionalistas (que se aliaram ao Podemos na aliança Unidas Podemos), para ser reconduzido.

Em causa estará uma versão espanhola da ‘Geringonça’ como solução política e de governo para Espanha abrindo-se agora o caminho para a geringonça numero 2, no governo espanhol.

O Podemos quer fazer parte do executivo do PSOE e o sacrifício do líder Pablo Iglesias é visto como o derradeiro compromisso do movimento, abrindo porta a que sejam satisfeitas todas as restantes reivindicações.

Pablo Iglésias, numa mensagem divulgada nas redes sociais, diz retirar-se porque o PSOE considerava-o o “único obstáculo” a “um governo de coligação de esquerdas que assuma que os direitos sociais têm de ser o centro político da governação”.

Pablo Iglesias

@Pablo_Iglesias_

https://twitter.com/Pablo_Iglesias_/status/1152240141139947522?s=20

No debo ser la excusa del PSOE para que no haya un gobierno de coalición de izquierdas. Estar o no en el Consejo de Ministros no será un problema siempre y cuando no haya más vetos y la presencia de Unidas Podemos en el Gobierno sea proporcional a los votos

Assim o líder do Podemos não quer “ser a desculpa” para que não aconteça este acordo de governo e a mensagem de Iglésias surgiu um dia depois de Pedro Sánchez ter rejeitado a possibilidade do líder do Podemos integrar o um futuro governo do PSOE por causa de “divergências muito importantes” em várias matérias, nomeadamente sobre a Catalunha.

A aliança Unidas Podemos quer ter uma representantividade proporcional ao número de votos. A confirmar-se, teria 5 ministérios no universo de 17 atualmente existentes.

O Pedro Sánchez disse que não aceitaria imposições sobre a composição do governo, mas a saída de cena de Iglesias inaugura uma nova realidade a enfrentar pelos socialistas espanhóis.

Pedro Sánchez

@sanchezcastejon

He ofrecido la entrada en el Gobierno de personas cualificadas de UP. Por primera vez en democracia. La oferta sigue en pie hasta la semana que viene. No hay alternativa posible a la formación de un Gobierno del @PSOE.#InvestiDudaARV

O parlamento espanhol começa na segunda-feira, 22 de julho, a discutir a investidura de Pedro Sáchez, estando previstas duas votações.

A primeira votação está prevista para o dia seguinte, terça-feira, mas requer uma maioria absoluta, feito que, em princípio, Pedro Sánchez não alcançará. Por isso, se conseguir o apoio da aliança Unidas Podemos, Sánchez conseguirá uma maioria relativa, que será suficiente para ultrapassar uma segunda votação prevista para quinta-feira, 25 de julho.

“Ainda restam 48 horas antes do início do debate inaugural. Precisamos de conversar sobre muitos assuntos”, incluindo sobre o programa do executivo e sobre a “participação” do Podemos no Governo, referiu Adriana Lastra, a “número dois” do PSOE.

Lastra garantiu ainda de que tudo será feito para que Espanha tenha “na próxima semana um governo totalmente operacional”.

Antonio Sousa 

Imagem destaque: Lusa 

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