Home África CONGRESSO DO MPLA REFORÇOU O PODER DE JOÃO LOURENÇO

CONGRESSO DO MPLA REFORÇOU O PODER DE JOÃO LOURENÇO

por Nuno Rebocho
( Lusa )

O VII Congresso do MPLA, realizado sem qualquer transmissão pública da sessão de encerramento no palácio do Futungo de Belas, nos arredores de Lunda, reforçou o poder de João Lourenço no partido (97,32%), aparentemente reduziu para mais que minoria a corrente oponente (4,1%), redundou no alargamento do comité central de 363 membros para 497 e ficou marcado por duros ataques a José Eduardo dos Santos e sua família.

Ao contrário do anterior congresso, que trouxe a passagem de testemunho do Zedu (dominativo de José Eduardo dos Santos) para João Lourenço, o anterior Presidente de Angola não esteve presente, o que justificou críticas do actual Presidente: “Gostaríamos imenso de ter entre nós a presença do camarada José Eduardo dos Santos, que, ao longo de 39 anos, conduziu o MPLA nos momentos bons e maus e hoje é o presidente emérito do nosso partido”.

Também a recuperação histórica de antigos líderes (praticamente “esquecidos” no passado, que reduziu a presidência do partido a Agostinho Neto e Eduardo dos Santos), como Ilídio Machado e Mário Pinto de Andrade que apareceram em fotografias ao lado de Neto, José Eduardo dos Santos e João Lourenço.

Prossegue a crítica à corrupção

Um dos temas em debate no congresso, de acordo com o que ficou dito por João Lourenço, foi a crítica à corrupção que visou expressamente Isabel dos Santos e Tchizé (de seu nome Welwitchia) dos Santos, que, como seu pai esteve ausente do conclave do MPLA, mas também – sem lhes referir os nomes – figuras gradas do partido antes do anterior congresso: casos de Manuel Vicente, de Hélder Kopelipa e de Fragoso do Nascimento (Dino). Nas palavras de João Lourenço, a pesada dívida externa angolana foi utilizada  “para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita e muito bem seleccionada na base do parentesco, do amiguismo e do compadrio, que constituíram aglomerados empresariais com esses dinheiros públicos”.

Particularmente visada, Isabel dos Santos mereceu duras críticas do actual líder do MPLA: “não é aceitável que se tenha chegado ao ponto de colocar a Sonangol e a Sodiam a financiar negócios privados como se de instituições de crédito se tratassem”, lembrando João Lourenço a “necessidade de que os que têm responsabilidade de fazer respeitar a Constituição e a Lei, sejam os primeiros a cumpri-la para que, com o seu exemplo, eduquem toda a sociedade no respeito pelo bem público, pela necessidade de todos prestarem contas da forma como gerem o erário público”. E acrescentou que essa relação de parentesco com Zedu, levou o Estado angolano “a pagar o investimento dito privado na banca, na telefonia móvel, nos media, nos diamantes, na joalharia, nas grandes superfícies comerciais, na indústria de materiais de construção”.

Quanto a Tchizé dos Santos, foi suspensa do Comité Central do partido por estar mais de 90 dias ausente do Parlamento e se recusas a suspender o mandato. Encontra-se refugiada em Londres porque diz “temer pela vida” e ser perseguida em Angola. Em 7 de Maio a direcção parlamentar do MPLA enviou-lhe uma carta a pedir a demissão do mandato, o que liminarmente recusou, desafiando João Lourenço.

Entretanto, outro dos filhos de Eduardo dos Santos, José Filomeno dos Santos, já fora exonerado da presidência do Fundo Soberano. Progressivamente, os filhos de Zedu foram afastados dos altos cargos públicos de Angola.

Os congressos do maior partido angolano passaram a realizar-se anualmente: o último for em Setembro do ano passado e culminara no afastamento de José Eduardo dos Santos da presidência efectiva do MPLA. Paulatinamente, João Lourenço vem apagando o poder da família dos Santos e abrindo o caminho para a democratização do regime.

Nuno Rebocho

0 comentário
0

RECOMENDAMOS

Comente

* Ao utilizar este formulário, você concorda com o armazenamento e gestão de seus dados por este site.