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A tensão chama-se desde hoje G20

por Joffre Justino

Donald Trump tem vindo a criticar, duramente, os seus parceiros comerciais o que sugere uma reunião tensa do G20 em Osaka no Japão, onde Trump e os representantes no G20 dialogarão como o presidente chinês  Xi Jinping, depois de terem aterrado nesta quinta-feira para a reunião anual do grupo de países desenvolvidos e emergentes.

Ora, como dado determinante para a perceção da realidade, há que lembrar que a China possui US$ 1,13 trilião em títulos do Tesouro dos EUA, uma fração do total de US$ 22 triliões  em dívidas pendentes nos EUA, e havendo 17,7% dos diversos títulos mantidos por governos estrangeiros, segundo dados do Tesouro e da Associação dos Setores de Seguros e Mercados Financeiros.

Pequim vendeu quase 4% destes títulos nos últimos 12 meses, mas ainda ocupa o primeiro lugar entre os credores estrangeiros dos Estados Unidos.

Ainda assim, Trump teima que a “economia chinesa está em queda. Eles querem um acordo”, dito em entrevista ao canal Fox Business Network antes do encontro, que acontecerá na sexta-feira e sábado, numa arrogância que esquece todos os dados de uma economia cada vez mais integrada.

Claro que esta guerra comercial entre a China e os EUA estará no foco do encontro, durante o qual está prevista uma reunião bilateral entre Xi e Trump.

As taxas de importação mútuas têm crescido nos últimos meses, e no caso de Washington chegam a 200 bilhões de dólares em produtos chineses com Trump a ameaçar ampliar a medida “Há outros 325 bilhões aos quais ainda não impus tarifas, estão maduros para os impostos, para aplicar tarifas”, afirmou Trump à Fox, ao que os chineses responderam e retaliaram com a subida de taxas alfandegárias em produtos importados dos EUA no valor de 60 mil milhões de dólares,  e afirmando que “Iniciar uma guerra comercial, impor tarifas, prejudicar os demais e a si mesmo não resolverá o problema”, como o fez em Pequim o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang.

Entretanto, esses famosos fantasmas esses deusinhos do dinheiro, com o nome de “os mercados”, esperam que, pelo menos,  haja uma pausa na guerra comercial ja que coloca.

em perigo o crescimento da economia mundial, “Ficaria muito surpreso se conseguissem solucionar todas as complicadas divergências nos próximos dias”, afirmou David Dollar, analista sobre a China na Brookings Institution, com sede em Washington diz-nos a AFP.

“Temos que ver se acontecerá algum tipo de mini-acordo e o mais importante seria se o governo dos Estados Unidos aceitasse congelar a aplicação de uma nova rodada de tarxas”, completou Dollar.

Não contente, Trump não hesitou também em chamar de “inaceitáveis” as taxas da Índia aos produtos americanos, “Estou a querer falar com o primeiro-ministro (Narendra) Modi sobre o facto de que a Índia, que durante anos aplicou tarifas muito elevadas contra os Estados Unidos, as aumentou ainda mais recentemente. É inaceitável e tem que retirá-las”, escreveu Trump no Twitter.

Já o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que acredita que será um G20 “difícil” numa conversa com o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe.

A reunião também abordará a tensão com o Irão e mesmo que Trump afirme que não procura um conflito com o Irão ja avisou que caso haja  “não vai durar muito”.

Trump terá claro uma reunião com o presidente russo Vladimir Putin no meio de uma relação marcada pelas suspeitas de interferência de Moscou nas eleições americanas de 2016.

Quanto aos três países latino-americanos do G20, Brasil, Argentina e México, eles vêm com uma agenda econômica e política.

Bolsonaro, desde esta quinta-feira no Japão, reunir-se-á com Donald Trump e com o francês Emmanuel Macron, não estando confirmada a reunião inicialmente prevista com o presidente chinês Xi Jinping, sabendo-se que a China é um dos principais compradores de produtos brasileiros, como soja e minério de ferro, que o Brasil aspire a exportar produtos de maior valor e que ja houve uma Cimeira Russia/India/China onde portanto o Brasil “morreu” até porque Merkel já avisou da pressão que procura exercer sobre Bolsonaro, em defesa da Amazonia e dos Direitos Humanos. 

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, pretende concluir o ambicioso e complexo tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul, em negociação há vários anos a ver se se salva nas próximas eleições, enquanto que o Mexico ainda digere o “acordo” imposto por Trump 

Joffre Justino 

Imagem destaque : LUSA 

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