Home Cidadania …E a minha posição sobre as “Europeias”?

…E a minha posição sobre as “Europeias”?

por Joffre Justino

Não tenho por hábito alinhar em cenários propagandísticos e conheço bem os limites, demasiados, os nossos e os do Parlamento Europeu e por isso não entendo lá muito bem o porquê de frases como “Nós Europa” ou como a “Europa é Aqui” que campearam nesta campanha eleitoral muito pouco dada a debates que fossem ao cerne das Eleições, europeias que são, para o Parlamento Europeu, enfim.

E tal num país que mais e mais se afasta da média dita europeia, pois Portugal como dizem os experts, estagnou e exceto as regiões autónomas, a Madeira e os Açores, Portugal passou de uma rota de convergência, dos anos seguintes à adesão à CEE e na segunda metade da década de 1990, para um processo de divergência desde os anos 2000.

Entre 2000 e 2007, a desindustrialização levou a uma duplicação do número de desempregados. No mesmo período, Portugal foi o único país da UE a registar uma taxa de investimento negativa. Em resumo: o crescimento médio caiu de 4% ao ano até aos 2,3% em 2018 e em especial em consequência da saída de capitais para o FMI e o BCE e por isso  é que  se pode assumir que a UE é composta por 2/3 tipologias diversas de economias – os  países geradores de excedentes persistentes, como a Alemanha, a Holanda, a  Áustria, a Bélgica e os países escandinavos, os países cronicamente deficitários, como Portugal, a Itália, a Grécia e  a Espanha e a França que, deve ser analisada separadamente se esquecermos o Reino Unido e a sua Commonwealth .

Claro que Portugal já esteve bem pior, com uma auto estima próxima do negativo como o mostravam os indicadores de confiança do passospórtismo e claro que Portugal tem um problema da estrutura produtiva enraizado pois teve de abandonar sob stresse e com um curto prazo um Império de 5 séculos em consequência da burrice salazarenta que quase o neutralizou quando perdido o Império isto é o espaço de captação de recursos naturais baratos e um mercado fechado se confrontou um mundo que não parara nos anos 30 do século XX.

Hoje, neste século XXI que de uma globalização em aceleração selvática se passou, com Trump, para uma quase brusca travagem desse processo, o que visivelmente vivemos é um tempo de esvaziamento permanente a nível internacional da União Europeia, apesar dos esforços vistos com o aparecimento de uma hipotética representante para os assuntos externos, além da incapacidade desta UE em crescer em valores económicos aproximados aos das potências concorrentes, ou de se autonomizar face aos EUA, neste contexto de o mundo viver com uma potencia maior em queda e duas potencias grandes em acelerado crescimento, a China e a Rússia.

A União Europeia não tem tentado sequer aproximar-se do principio da coesão económica e social prometida e em que vivem politica, social e culturalmente os EUA, apesar das extremas disfunções económicas nos seus Estados vividos, e por tal numa linha de imposição do topo para a base as contradições geradas têm dado origem às clivagens politicas que se têm centrado no crescimento do populismo direitista fascizante até e num resvalar das Esquerdas eurocéticas.

Pior que estas variações salariais acima apresentadas, o vivido em perda de Direitos Económicos do crescente desaparecer da participação dos trabalhadores na gestão das empresas, à redução do papel da Economia Solidária na União Europeia, à degradação dos Direitos à Atividade Sindical e à Negociação Coletiva de Trabalho nas empresas e até á fragilização dos valores inerentes à Responsabilidade Social das Organizações em toda a União Europeia é que é especialmente preocupante até porque as castas políticas parece ignorarem tal, confundindo em Portugal até grupos partidários com sindicatos como se viu nas greves dos enfermeiros, dos médicos ou da magistratura.

Pior porque a fragilização da Democracia Económica está a vida das Pessoas consequência da fácil perda de regalias salariais e da enorme dificuldade em as recuperar sobretudo em contraste com as vitórias dos patrões (e alguns empresários) em todo o campo político económico.

E pior que tudo está o facto de dados os baixos salários pagos em Portugal o Estado com os impostos dos Cidadãos está a transferir para as ditas “europas” desenvolvidas o capital humano de qualidade gerado nos últimos anos com a emigração de Jovens licenciados ou não, mas qualificados.

É fácil de ver que nos planos dos Direitos Sociais e Culturais Portugal está na linha da frente do regulamentado (não propriamente do vivido dada a magistratura existente) e será por esta distinção que iremos explanar a nossa posição sobre o como votar nas Europeias (e nas Legislativas) deste ano.

Aparentemente o papel do PS e do Bloco de Esquerda, partidos que se centraram na luta pelos Direitos Sociais e Culturais põe-nos bem próximos do esgotamento como o mostram a incapacidade de ambos em crescerem eleitoralmente apesar da modernidade do seu discurso mas que não gera Bem Estar entre as Pessoas cá viventes, lusas ou imigrantes.

Quanto ao papel do PCP/CDU a verdade é que não estando longe do PS e do BE no que diz respeito aos Direitos Sociais e Culturais é na verdade o único partido que tem uma posição firme no plano dos Direitos Económicos salariais e não só, quer nos seus princípios quer na sua prática.

No que diz respeito às instâncias do ideológico e do político o estatismo domina as Esquerdas, em especial no BE e no PCP, que pouco promovem mesmo agindo em especial o PCP na economia solidária, mas mesmo o PS, por ora, ainda tem uma influência dominante de um estatismo mas centrado estritamente no Estado em sentido restrito e no seu papel em lógica keynesiana.

Ainda, nas Esquerdas, o partido mais afim a um privatismo capitalista e quase nada social / solidário é mesmo o PS que inclusivamente criou as condições regulamentares para travar ainda mais os Direitos Económicos com o pacote laboral à Vieira da Silva absolutamente contra a Negociação Coletiva de Trabalho, não sendo por acaso que não consegue nas sondagens ir além dos 39% (hoje 36%), apesar de uma governação que contenta a generalidade dos eleitores, (das Esquerdas às Direitas).

É neste contexto que defini a minha posição nas Europeias,

  1. Em primeiro lugar deixo-vos o apontamento focalizado num voto em qualquer um partido de todas as Esquerdas pois os 89196 votos dos partidos minoritários e sem representação eleitoral nada se podem comparar com os 66,16% de abstenções havidas no último ato eleitoral em Portugal para o Parlamento Europeu, não os minimizando portanto.
  2. Mas em segundo lugar e se privilegiarmos um dos partidos das Esquerdas opto por privilegiar o PCP/CDU por uma razão – a importância que damos ao reforçar dos Direitos Económicos em Portugal e na União Europeia, única forma reforçar a Democracia e de travar os populismos direitistas que se baseiam no cansaço/zanga face aos partidos tradicionais das Direitas e das Esquerdas centristas que com a sua politica têm reforçado somente a concentração da riqueza em cada vez menos mãos .
  3. Na realidade os Direitos Económicos fragilizados que andam,  desde a participação na gestão das empresas privadas, ao incentivo da Economia Solidária cada vez mais menor, aos bloqueamentos à Negociação Coletiva de Trabalho, ao papel da Responsabilidade Social das Organizações,  têm de ser assumidos como a trave mestra a defender acerrimamente no Parlamento Europeu, (e no nacional) antes que assistamos à fascização desta União Europeia e também, por consequência, em Portugal .
  4. Privilegiando o voto no PCP, estaremos a fazer entrar no Parlamento Europeu deputados portugueses na União Europeia que bloquearão os consensos do PPE com o PSE que têm travado a partir do topo para a base a Democracia Económica e os Direitos Económicos.
  5. Reafirmamos claro que não estamos com tal a defender que não se deve votar no PS, no BE, no LIVRE, no PAN, no MRPP, no MAS ou em outros partidos das Esquerdas, estamos somente a assumir que na circunstancia atual, até de uma previsível nova crise “à 2008” ou pior de virmos crescer os ambientes de guerra localizada, agora na América Latina, há que privilegiar quem, na instância Parlamento Europeu, tem uma maior disponibilidade para assumir a Defesa dos Direitos Económicos e assim bloquear os populismos das Direitas! .
  6. Não sendo comunistas, não tememos a lógica do voto útil e de olhar para esse conceito de forma alargada mesmo atendendo a largas divergências com o PCP no que concerne às suas lógicas estatistas aos pressupostos para nós errados inerentes ao centralismo democrático à limitada visão do PCP no que respeita aos Direitos Humanos e à exigência de uma Democracia global  enquanto bandeira a defender globalmente e por isso o à vontade que temos em defender prioritariamente o voto no PCP até como forma de forçar os restantes partidos a passarem a assumir como sua prioridade também a Democracia Económica essencial para a Distribuição da Riqueza nos dias de hoje e para um crescimento   económico sustentável e não consumista fundamental para uma economia que não degrade o Meio Ambiente.

Como sempre estou a potenciar com este documento um debate de ideias e projetos no seio das Esquerdas e, acredito, a travar a tendência desastrosa para a abstenção que essa sim considero ser uma arma de fascização mesmo que assumida por boas razões por muitos de Esquerda.

Joffre Justino

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Manuel Soares Redes 25 Maio, 2019 - 8:40

Dou todo o meu apoio de forma a deixarmos de viver em ” panelinha “

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