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Jerónimo de Sousa e as Europeias

por Joffre Justino

Nós estamos como muitos das Esquerdas, bem tristes com este espetáculo que todo parlamento nos deixou à volta da reposição da tal contagem do tempo de serviço que nem sequer é só dos e para os professores.

Nem os Professores, nem as Esquerdas nem o País merecia este infeliz momento onde os primeiros são somente o mero argumento. 

Não podemos claro, de dar alguma razão  ao secretário-geral do PCP que hoje disse em Benavente, que a “operação de chantagem de demissão do Governo” veio mostrar a convergência do PS com a direita e o “fito” de alcançar vantagem eleitoral.

No entanto, há algo mais neste processo – na verdade ou António Costa ou alguém o convenceu que poderia “controlar” as Direitas, usando um argumento teoricamente “de Direita” o rigor !

Bem, o rigor não é ao contrário do que acha Jerónimo de Sousa de Direita  que discursava no final de um almoço que reuniu cerca de 300 pessoas e onde  fez um apelo ao reforço do voto na Coligação Democrática Unitária (CDU, que junta o PCP aos Verdes e à Intervenção Democrática) num ano de “importantíssimos combates eleitorais…

Aquilo a que assistimos nos últimos dias à volta da demissão do Governo, a pretexto da reposição do direito à progressão de carreiras dos professores e restantes trabalhadores com carreiras especiais é bem revelador […] de como PS, PSD e CDS continuam irmanados na obediência à submissão, às imposições da União Europeia, colocando-as à frente dos direitos dos trabalhadores e da resposta aos problemas nacionais”, pois o rigor orçamental não pode ser entendido enquanto argumento das Direitas porque visão das Direitas, porque a Gestão do Estado exige o mesmo, uma gestão  rigor!

No entanto Jerónimo de Sousa, pode ter alguma razão ao considerar que a “ameaça de demissão do Governo a cinco meses de eleições…” foi feita “com o fito de obtenção de uma possível vantagem eleitoral, a pensar que a precipitação das eleições pudesse deixar o PS perto da maioria absoluta” pois os marketeers terão achado que a dramatização traria votos ao PS  e para tal, como recordou o líder comunista, serão  “particularmente reveladores” os argumentos utilizados pelo Governo e pelo PS, ao “repor o velho discurso da política do PEC e do ‘pacto de agressão’, embrulhado na apocalíptica ameaça da insustentabilidade financeira” e de que “não há alternativa”.

Há realmente alguma alternativa, mas seria bem complexa, dados os impactos nas relações com as restantes economias, processo bem instável nos dias de hoje .

Jerónimo de Sousa afirmou que depois da “ameaça” de demissão do primeiro-ministro, António Costa, foram muitos os que pediram ao PCP para não deitar o Governo abaixo e não deixar a direita regressar, até invocando, em relação às reivindicações, que “não se pode ter tudo ao mesmo tempo”, o que o levou a “partilhar uma reflexão…Então, o mesmo Governo que diz, acompanhado depois pela direita, que não há possibilidade, segundo os critérios da União Europeia e as disponibilidades orçamentais, que concretizar esta medida não tinha sustentabilidade orçamental, financeira. Ai não? Então, camaradas, vamos lá a contas”, desafiou, apontando o que se passou com o Novo Banco.

“Reparem, a mesma verba que anunciaram para os professores – que é falsa, porque é para todos os setores da Administração Pública –, é precisamente a verba que o Novo Banco está a receber sem nenhuma preocupação por parte da União Europeia, do Governo do PS, da direita, de que isso iria atrasar as contas públicas”.

Vejam esta teoricamente correta afirmacao “Ou seja, dois pesos e duas medidas. Quando se trata do grande capital, dos banqueiros e da banca, mãos rotas para os amigos. Quando se trata de direitos dos trabalhadores, aqui d’el rei que não tem sustentabilidade orçamental”, que escamoteais o essencial, isto é, a impossibilidade de nacionalmente se superar interesses no âmbito de uma economia global 

Para o líder comunista, a “operação de chantagem de demissão do Governo” e o que se passou a seguir veio mostrar a “convergência” do PS com o PSD e o CDS e confirmar que o que permitiu alguns avanços na reposição de direitos “não foi o PS, mas as circunstâncias e a correlação de forças na Assembleia da República” verdade que goste Jeronimo de Sousa ou não passou pelo PS que  assumiu que uma maioria do PS nas próximas eleições irá travar esse avanço, e o levou a afirmar que a CDU não aceitará um “caminho de retrocesso”, pelo que urge o voto  no partido já nas eleições europeias do próximo dia 26 

Na verdade há muitas Esquerdas e só o entendimento entre as mesmas e a nível global gerará soluções para o Planeta e todos os seus utilizadores pelo o essencial será um crescimento eleitoral de todas elas.

Foto de destaque: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

JJ

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