Home Opinião Aumentar o salário mínimo para os 850 euros em 4 anos

Aumentar o salário mínimo para os 850 euros em 4 anos

por Joffre Justino

Alguns dirão que loucura mas o certo é que tal aumento traria em si um aumento adequado do mercado interno, tornando-o definitivamente estável e gerador de riqueza.

Assim, quando  o coordenador da União de Sindicados de Angra do Heroísmo, USAH, da CGTP defende hoje que o salário mínimo nos Açores deve atingir os 850 euros, dentro de três a quatro anos está na verdade a tornar viável um mercado que hoje vive dos saldos, das feiras municipais e pouco mais.

Eis porque defendemos aqui a opinião de Vitor Silva quando diz “ Consideramos que, no imediato, o salário mínimo devia ser 650 euros na região, para trabalharmos de forma a nos próximos três ou quatro anos chegarmos àquele que é o salário que a CGTP considera justo, que são 850 euros”, afirmando tal enquanto coordenador da USAH, Vítor Silva.

Segundo Vítor Silva, as principais reivindicações dos trabalhadores açorianos são o aumento dos salários e o combate à precariedade, que é superior nesta região.

“A média nacional já é extremamente elevada, mas nos Açores é ainda mais elevada. Está na ordem dos 90%. Em cada 10 contratos, apenas um não é precário”, frisou este coordenador 

Pior ainda é que a precariedade provoca um aumento de casos de assédio, algo que a união de sindicatos promete denunciar nos próximos tempos “Quem é precário já está numa situação extremamente difícil e é confrontado todos os dias com uma série de pressões inaceitáveis”, salientou o dirigente sindical, acrescentando que a precariedade coloca também pressões sobre quem tem um contrato efetivo mas relevou que “a situação está a chegar a um limite que obriga a que as pessoas reajam” o que entende ele acontecerá ja numa participação maciça neste 1.o de maio 

Alias este sindicalista defende que o “combate sério e real da precariedade” nos setores público e privado é essencial para estagnar o despovoamento das ilhas mais pequenas, pois a verdade é que “Não há nenhum jovem que possa construir um projeto de vida quando não sabe o que vai acontecer no dia de amanhã. Não podemos ter um tipo de trabalho à custa de programas [ocupacionais], em que a mão de obra não é compensada por aquilo que faz”, sustentou.

Vítor Silva alertou ainda para a necessidade de se lutar pela progressão nas carreiras, com efeitos nos vencimentos, “O que nós verificamos neste momento é que num local de trabalho, todos os trabalhadores, praticamente, quando chegam ao final do mês ganham 630 euros, que é o salário mínimo. Não é tida em conta nem a experiência que o trabalhador tem, nem a qualificação, nem os anos de casa, nem o posto”, afirmou.

No Dia do Trabalhador, a União de Sindicatos de Angra do Heroísmo, que representa trabalhadores das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, vai reivindicar também o alargamento da aplicação de 35 horas de trabalho semanais, sem redução de salário, ao setor privado, e o fim do recurso a bancos de horas.

E irá ainda manifestar-se contra a proposta de lei laboral do Governo da República, exigindo “o fim da norma da caducidade da contratação coletiva e a reintrodução do princípio de tratamento mais favorável”.

JJ

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