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O Brasil nas mãos das petrolíferas globais

por Antonio Sousa

Bolsonaro vai pôr em causa o Brasil com a venda de metade das refinarias da Petrobrás, à partir do segundo semestre.

A Federação Única dos Petroleiros, FUP, e o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ineep, sobre a medida, anunciada pela Petrobras  no início da semana.

Serão 13 as refinarias, nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste e em 2018, a capacidade de refinacão, somando-as, era de cerca de 2,2 milhões de barris por dia, e agora metade dessa capacidade será comprometida com a privatização e o Brasil deixaria de receber perto de US$ 28 bilhões com a venda das refinarias.

A equipa económica de Bolsonaro defende que a entrada de empresas privadas no setor da refinação pode levar à redução dos preços dos derivados do petróleo, como combustíveis.

José Maria Rangel, da FUP sem papas na lingua”Para nós, não há novidade nenhuma. Desde o momento que o presidente indicou Paulo Guedes para o Ministério da Economia, nós já sabíamos que isso poderia acontecer a qualquer momento. Hoje, a forma como a Petrobras está colocando em prática a política de realinhamento de preços, já é um demonstrativo de que ela vem atuando como empresa privada”, afirma, indicando que a entidade empreenderá uma campanha para apresentar à população o “prejuízo que a sociedade terá” com a medida.

No ano passado, a inflação acumulou cerca de 4% mas os combustíveis subiram cerca de 15%. porque, o custo da exploração e da refinação da Petrobras é mais baixo do que das empresas estrangeiras. Ao se estabelecer o preço de acordo com o mercado internacional, a importação foi estimulada e a produção da estatal caiu, mesmo sabendo-se que a Petrobras era capaz de atender toda procura nacional como o explica Gerson Castellano, também da FUP “O que se alega muito é sobre o monopólio estatal sobre as refinarias. É uma grande falácia. Não existe monopólio de refino no Brasil, qualquer empresa pode vir aqui e fazer uma refinaria. Os custos de refino: o nosso está entre os mais baixos de todo mundo. A alegação de preço é infundada. É muito fácil alguém vir aqui comprar [a refinaria] montada, a um preço que a gente sabe que vai ser de banana”.

No final do governo Dilma Rousseff, PT, 96% da capacidade de refinação da Petrobras era utilizada mas com a gestão Temer, MDB, o patamar foi rebaixado para 74%. 

Castellano alerta que, caso a privatização das refinarias se concretize e se expanda a todas unidades, o efeito será justamente de pressionar os preços para cima. 

Foto de destaque: clickpetroleoegas.com.br

AS

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