Home Estado Aos ex-combatentes sim. Aos ex-presos políticos, ex-desertores e refratários, a esses nada?

Aos ex-combatentes sim. Aos ex-presos políticos, ex-desertores e refratários, a esses nada?

por Joffre Justino

A  coberto da batalha de La Lys, segue escondida a guerra colonial, esse desastre em dois continentes durante 13 anos impostos pelo Fascismo levou, ao que parece, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, curiosamente dizendo-se socialista o que envergonharia  Mário Soares, a defender hoje, durante as comemorações do Dia do Combatente, na Batalha, Leiria, que “o Estado tem obrigação” de dar apoio aos ex-combatentes e às suas famílias, ao longo da vida.

E disse ele “O Estado tem obrigação de lhes dar [aos ex-combatentes] apoio e às suas famílias nas dificuldades físicas e mentais que advêm da experiência da guerra, e tem responsabilidade de o fazer ao longo de toda a sua vida”, disse João Gomes Cravinho, durante o seu discurso, que assinalou as comemorações do Dia do Combatente, numa cerimónia que também evocou o 101.º aniversário da Batalha de La Lys e a 83.ª romagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido, presente no Mosteiro da Batalha, no distrito de Leiria.

Segundo o ministro da Defesa, “não há no serviço ao país outras funções que se assemelhem àquelas que são executadas pelos militares, especialmente aqueles que se encontram em frentes ativas de conflito armado” como se todas as intervenções militares fossem justas e merecedoras de respeito.

La Lys por exemplo foi e é criticada e duramente pelas Direitas pró germanas ao tempo e ainda hoje como foi também criticada por anarquistas e não poucos Carbonários.

E num doentio discurso de quem não sabe o que é uma guerra, acrescenta esta ridícula generalização “ Morrer pelo país ou por ele sacrificar o bem-estar ou a vida é um ato de bravura única, que coloca os combatentes num patamar de sacrifício que não é exigido em nenhum outra função do Estado” que não se espera que saia da boca de um socialista!

Fizeram muito mais pela Pátria Portuguesa e pelos Países de Língua Portuguesa as centenas de milhar que recusaram a guerra colonial que ou foram presos por a ela se oporem ou abandonaram o pais ou desertaram porque mantiveram  os laços de sangue e afetivos que fizeram nascer a tão mal usada CPLP.

Ora esses estão esquecidos e não só neste discurso tolo sem nexo politico ou ideológico como estão desde o 25 de abril de 1974 pois nunca tiveram qualquer apoio à exceção de uma ridícula legislação ela também escondida sobre as pensões de reforma.

Quanto aos impactos das prisões políticas da tortura da destruição psicológica do isolamento do não reconhecimento de anos perdidos, tudo por causa de uma estúpida guerra colonial, quem fala qual o ministro que se preocupou ate hoje?
Nenhum.

Foto: Lusa

Joffre Justino

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