Home Artes Carnaval

Carnaval

por Teresa Pedro

Três dias de folia com caraterísticas próprias de acordo com a especificidade cultural com que a sua diversidade e expressividade se manifestam em cada país, cidade ou localidade.


Foto de António Tedim, “Caretos de Lazarim”
3º Prémio no concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia 2018 – Raízes Lusófonas, Raízes de Comunicação” de Macau”

CARNAVAL OU ENTRUDO

As suas festividades, originalmente pagãs, (deus Pã), assumiram a calendarização atual através da implementação do Cristianismo, no século XI, antecipadas aos 40 dias de jejum estabelecido da estação litúrgica da Quaresma, ou Tempo da Septuagésima (pré-quaresma).

A palavra Carnaval, está relacionada com os prazeres da carne, pela expressão “carnies valles”, dando deste modo origem ao termo atual denominado por “Carnaval”.

No período do Renascimento, surgem os Bailes de Máscaras com as suas ricas fantasias e os Carros Alegóricos. Desde então, foram-se juntando outros modos de comemoração diretamente relacionados com as culturas locais (Carnaval de Veneza, do Brasil, Portugal, a título de exemplo), evoluindo o mesmo, para os modos de expressão tão diversificados que hoje existem.

Além das celebrações do calendário católico, existem ainda as festividades nos países historicamente luteranos (Suécia, Noruega, Estónia, por exemplo), as caraterizadas com grandes concentrações de anglicanos e metodistas (como a Grã-Bretanha e o sul dos Estados Unidos) ou ainda, com diferentes calendarizações.

Paris, é considerada a principal cidade responsável pelo modelo exportador da festa carnavalesta para o mundo. Outras houve, que nela se inspiraram, porém implementaram as suas próprias festividades.

A SUA EXPRESSÃO GLOBAL

O Rio de Janeiro, criou e exportou o modelo de desfile de escolas de samba para inúmeras cidades no mundo, de tal forma que o Carnaval do Brasil, tão fortemente implementado na cultura brasileira, é pelos seus cidadãos considerado o “Maior Espetáculo da Terra”. Muito haveria a mencionar sobre o Carnaval do Brasil contudo seria injusto ignorar a especificidade de tantas outras expressões desta festividade noutros países.

Em Cabo Verde por exemplo, o Carnaval foi introduzido pelos portugueses, sendo celebrado nas nove ilhas que o constituem em jeito de desafio e em algumas delas, com forte influência do Carnaval do Brasil. Noutras porém, como em São Nicolau, expressa – se de modo mais tradicional.

Esta diversidade decorre também em Portugal, que além de nalgumas cidades ter importado manifestações do Carnaval do Brasil, o fundiu com expressões alegóricas tradicionais e satíricas. Por todo o país o Carnaval é comemorado, sendo considerado por muitos, o de Ovar o mais famoso e o mais típico o de Torres Vedras. De igual modo, nas ilhas dos Açores e da Madeira também se comemora o Carnaval, com vários tipos de “Danças” de acordo com os dias, no caso dos Açores e com grande intensidade no da Madeira, que se crê comemorar o Carnaval desde a época dos Descobrimentos. Daí que se atribua a origem do Carnaval do Brasil com fortes raízes da Madeira, uma vez que esta ilha, na época dos Descobrimentos fazia parte das rotas, dado que as caravelas portuguesas por lá passavam regularmente oriundas de África.

Importa ainda destacar Podence e Lazarim, localidades portuguesas, de Trás-os-Montes e Alto Douro, que incorporam tradições pagãs como o careto, em que o homem usa uma máscara com um nariz saliente criada com couro, latão ou madeira pintada de amarelo, encarnado ou preto. Por sua vez em Lazarim, a máscara é feita com madeira de amieiro e decorada com chifres e outros apetrechos decorativos. Esta tradição crê-se ter raízes celtas bem presentes na sua expressividade única. (1)

Foto de António Tedim, “Entrudo de Lazarim”

OUTRAS DISSEMINAÇÕES NAS ORGANIZAÇÕES

Profundamente presente no calendário festivo, seja por motivações religiosas, pagãs ou apenas festivas, o Carnaval é transversal seja intergeracional, seja ainda nas organizações, pelo que, a criatividade impera de modo individual, integrada socialmente como forma específica de comunicação e convívio que bastas vezes se expressa por excessos a todos os níveis.

Retomando a expressividade e esta festividade como forma de comunicação social, no caso específico português, importa mencionar as comunidades escolares, que incluem o Carnaval no seu Plano Anual de Atividades, pese embora a adesão seja mais espontânea pelos mais jovens (até ao segundo ciclo de escolaridade).

Esta atividade exige das Comunidades Educativas um esforço acrescido por se sobrepor às atividades letivas (2) e pelos parcos recursos. Ainda assim, uma vez mais, impera a criatividade, seja pela reutilização de materiais, seja ainda pela conjugação de recursos diversificados respeitando sempre a racionalização de meios. Este dado importante, deve-se à ampla consciencialização, que há décadas tem sido implementada pelos docentes e educadores de infância (com o apoio de outros agentes educativos), da escassez dos recursos do Planeta, noção esta que as nossas crianças têm vindo a adquirir transversalmente no contexto educativo dos Agrupamentos Escolares e Escolas Não Agrupadas. (3)

Assim sendo, o que inicialmente seria uma festividade para adultos, é hoje uma prática alargada e globalizada, que se verifica em contextos organizacionais diversificados que não apenas o escolar, como por exemplo os sociais nas suas várias áreas de abrangência, sem omitir o comercial, que, disponibilizando recursos, estimula o consumo através da poderosa intervenção do marketing, entre tantas outras valências, que contudo se podem aglutinar no mesmo.

Fica pois o mote: Viver a Festa de forma integrada nesta manifestação social, seja no simples núcleo familiar mais ou menos alargado, seja na multidão que se congrega como um todo, na partilha da alegria. (4)

Foto de António Tedim, “Entrudo de Lazarim”

Teresa Pedro

O Estrategizando manifesta a sua gratidão ao fotógrafo António Tedim pela sua disponibilidade de fotos da sua autoria para enriquecer este artigo.

____

Notas:

(1) Máscaras documentadas pelas fotos gentilmente disponibilizadas pelo amplamente premiado fotógrafo português António Tedim, com perfil no Facebook
https://www.facebook.com/antonio.tedim.7

(1a) Nas palavras de António Tedim: “Boas notícias vindas do outro lado do mundo, Macau, sobre a foto a cores: “Com esta foto dos caretos de Lazarim obtive o 3º Prémio no concurso de fotografia “Somos, Imagens da Lusofonia 2018 – Raizes Lusófonas, Raízes de Comunicação” promovido pela Somos! Associação de Comunicação em Língua Portuguesa. A “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” é uma organização cultural sem fins lucrativos com sede em Macau. Tem por objetivo principal a dinamização da língua portuguesa na Região Administrativa Especial de Macau. Uma curiosidade do prémio: é pago em patacas, moeda que mesmo depois da saída dos portugueses continua a ser a moeda oficial de Macau.”;

(2) Dificilmente articuladas nas diversas áreas disciplinares pelo parco tempo disponível;

(3) Apesar de apenas no passado recente terem sido implementadas por diretivas superiores;

(4) Versão original, “Modo de Entrudo” de José Afonso

0 comentário
2

RECOMENDAMOS

Comente

* Ao utilizar este formulário, você concorda com o armazenamento e gestão de seus dados por este site.