Home Opinião Autoridades argentinas impedem aborto de menina de 11 anos, estuprada pelo “avô”

Autoridades argentinas impedem aborto de menina de 11 anos, estuprada pelo “avô”

por Silvio Reis

Tragédia e tortura para uma argentina de 11 anos, estuprada pelo marido da avó, na província de Tucumán. Ao descobrir a gravidez, a mãe da menina solicitou a autoridades competentes que a gestação fosse interrompida.

A permissão demorou um mês. Ontem, 27.02, médicos designados para o aborto alegaram “objeção de consciência” e não realizaram a cirurgia.  Uma médica do setor público foi convocada.   

Sem participação de uma equipe, a ginecologista Cecília Ousset concluiu que a menina não tinha corpo desenvolvido para suportar a gravidez. Mas em vez de aborto, foi autorizada a realização de uma cesariana, no hospital Eva Perón. O recém-nascido, com 23 semanas, está internado e tem 50% de chances de sobreviver.

Cecília Ousset descreveu como “tortura” a condição que forçou a menina a passar. Em 2018, ela participou ativamente do debate público em torno da legalização do aborto. Com 18 anos de prática ginecológica, argumentou: “EU QUERO o aborto legal, seguro e livre para todas as mulheres que estão numa situação exasperante e íntima.”

O jornal argentino Página 12 registrou o envolvimento e participação de autoridades no caso da “menina de Tucumán”.

– A ministra da Saúde, Roxana Chahla, se declarou contra o aborto da menina. – O governador e ex-ministro da Saúde Juan Manzur participou de marchas “pelas duas vidas” durante o debate sobre a legalização do aborto no Congresso.
– O secretário de Saúde da província, Gustavo Vigliocco, afirmou em um programa de rádio:  “A menina quer continuar com a gravidez. Nós consideramos os riscos, mas ela tem mais de 50 quilos.”
– Elizabeth Ávila, diretora do hospital Eva Perón, é conhecida por suas posições antiaborto.
– Washington Navarro Dávila, ministro da Defesa da província, teria instruído seus defensores a apresentar uma medida cautelar em nome do “por nascer”, para impedir a interrupção legal da gravidez. 
– Adriana Giannoni, promotora da jurisdição criminal, tentou a intervir no caso para prevenir o aborto.

Imagem destaque: manifesto antiaborto contra a saúde da menina (Foto: Juan Pablo Noli / La Gaceta)

Silvio Reis, jornalista brasileiro

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