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Até sempre, José Queirós

por Joffre Justino

Não alinhamos muito em louvaminhices mas rcordamos o passado com algum orgulho, entre os erros e as virtudese. Teríamos, por isso, que saudar a viagem que um de nós – o José Queiroz – agora iniciou.

A “malta” da geração do Jose Queiroz, vale recordar, foi uma geração apanhada por furacões – a guerra colonial ( que Botelho Moniz poderia ter travado, não fora o salazarento), o reconhecimento do dos dirigentes nacionalistas dos hoje PALOP pelo Papa Paulo VI , a invasão da Checoslováquia, a resistência Maoista ao sovietismo, as lutas estudantis no continente americano, o Maio 68 (um tornado que galgou fronteiras e continentes) – e que se deparou um dia com o inesperado 25 de abril, uns no exílio, outros nas prisões, outros nos combates do quotidiano, clandestinos ou não.

O José Queirós – que só conheci de nome mas que aqui saúdo como se deve a um resistente antifascista – foi um desses muito jovens que não se conformaram com a Ditadura . Entre
convergências e divergências, certamente – na sua militância no “Grito do Povo” /OCMLP, em cuja liderança estiveram os meus amigos e até mestres Hélder Costa e Pedro Baptista – os seus combates, que também foram nossos, mexeram com as mentalidades cinzentas dominantes neste país, como tão bem explicou Simone de Beauvoir.

Não ganhamos a utopia da Revolução, mas ganhámos esta Democracia que temos, embora tão frágil e demasiado controlada pelas mãos elitistas dos aparelhos partidários, como critica hoje o Daniel Adrião, um mais-novo que não desiste do combate democrático. E é por a acharmos por demais frágil e incipiente que também hoje não baixamos os braços nem abdicamos do pensamento crítico, e cá vamos incomodando os acomodados até que partamos , como o José Queirós, para outro Universo.

Que esta última viagem, José Queiroz, te traga a Paz e te mantenha firme a vontade de fazer mais Democracia – social, política, económica e cultural – em toda a parte.

Foto de destaque: Publico.pt

Joffre Justino

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1 comentário

João M.S.Batista 16 Fevereiro, 2019 - 16:13

Lamento saber esta partida do João.
Conheci o João e o seu irmão em 75 quando o Partido Socialista tinha uma Comissão de Trabalho no Rato onde se respirava intervenção a sério tanto na área sindical como nas Comissões de Trabalhadores, que era a minha área, aonde estavam a Carmelinda Pereira, Aires Rodrigues, Marcelo Curto, José Luis Gaspar , Janeiro e outros .
Vim a encontrá-lo mais tarde na origem do Ugt em Tróia e depois já na própria ugt.
Partiu um Socialista.
RIP…

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