Home Globalização O Tratado das Armas Nucleares está por um fio e a globalização “à la Trump” continua em mau caminho

O Tratado das Armas Nucleares está por um fio e a globalização “à la Trump” continua em mau caminho

por Joffre Justino

Convenhamos: em boa verdade não podemos imputar responsabilidades exclusivamente a este cavalheiro de estranha melena e mais estranhos pensares.E prova disso são as declarações do Governo português – um governo das Esquerdas, recorde-se! – que veio, ao que parece, admitir hoje que “será difícil” evitar a anulação do tratado das armas nucleares de médio alcance (INF)…

Trata-se de um acordo da era Reagan / Gorbachev, assinado entre entre os Estados Unidos e uma URSS já a caminho da atual Rússia, e em alternativa surge um discurso do empurra para o lado a defender a criação de “outros mecanismos” para não ocorrer uma corrida ao armamento.

“O risco [de corrida ao armamento] existe e aquilo que nós temos de fazer é, em primeiro lugar, fazer tudo para evitar que o tratado da não proliferação das armas nucleares seja denunciado [pelo que] estamos num esforço derradeiro para evitar isso”, declarou, em Bruxelas, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho … somos realistas e sabemos que vai ser extremamente difícil evitar o fim do tratado”, acrescentou o governante, no final de uma reunião dos ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Parece pois que a UE ( e Portugal…) antes sequer de assumir um debate com os Cidadãos dessa UE que querem representar já estão a ceder aos desvarios trumpistas pondo em causa perto de 30 anos de um status de Paz 

Aceitando sem mais a possibilidade do Tratado INF ser denunciado pelas duas partes, os Estados Unidos e a Rússia, não pondo sequer a possibilidade de se afirmar contra essa hipótese que até ao momento foi posta pelo trumpismo é absurdo dizer como fez o ministro da Defesa português que , “é preciso começar a trabalhar para encontrar um regime que permita evitar essa corrida aos armamentos”, porque essa corrida começa porque encontra nos que deveriam assumir uma alternativa um silêncio quase concordante.

Não basta referir que Esse findar deste Tratado “não é favorável para a paz e estabilidade internacional e, portanto, devemos procurar outros mecanismos”, havendo que criticar que põe em andamento a corrida ao armamentismo.

E mais grave ainda é quedar-se como fez o ministro da Defesa por um surreal “falta exatamente saber isso” perante a pergunta do como fazer para travar o armamentismo, complementado por um “…é necessário criar outras circunstâncias que tragam paz, estabilidade e previsibilidade às relações no âmbito dos armamentos nucleares”.

Na verdade sabemos todos que no início deste mês, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, confirmou que os EUA vão retirar-se do tratado de armas nucleares de médio alcance e o Presidente norte-americano, Donald Trump, responsabilizou a Rússia por violar esse acordo, tendo o presidente  russo, Vladimir Putin, respondido imediatamente que Moscovo também suspendeu a sua participação no acordo e a NATO ( isto é PORTUGAL) defendido que os Estados Unidos – o membro com mais “peso” no seio da organização – apenas estão a responder a uma clara violação do Tratado INF por parte da Rússia.

Recordemos que este tratado foi assinado em Washington entre os EUA e a União Soviética, em 1987, e entrou em vigor em 1988, estipulando a eliminação de todos os mísseis convencionais e nucleares com alcance entre 500 e 5.000 quilómetros sendo considerado uma importante vitória para uma Paz fragilíssima que estava em franco risco.

Parece-nos que dificilmente se pode dizer que este governo ou outro deste ou de outro país possa arrogar-se democraticamente de poderes que apontam para a morte de todos nós sem que sejamos ouvidos!

Foto de destaque: br.sputniknews.com

JJ

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