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Moçambique: RENAMO tem novo líder

por Mário Alves

A RENAMO é o segundo partido político Moçambicano e perante a morte do seu anterior líder e fundador Afonso Dhlakama elegeu o seu novo presidente, Ossufo Momade, que defendeu hoje a coesão no partido, e a mobilização para as eleições gerais de 15 de outubro, assegurando o “compromisso pela paz”.

Segundo a Lusa disse no seu primeiro discurso enquanto Presidente da RENAMO, Ossufo Momade, que “Precisamos de muita união [no partido], para a vitória nas próximas eleições” como presidente eleito do principal partido da oposição em Moçambique, no final do 6.º Congresso na Gorongosa, Sofala, centro de Moçambique.

Ossufo Momade, que já dirigia o partido interinamente há oito meses, após a morte do ex-líder Afonso Dhlakama, disse que para a sua governação vai prevalecer o lema da campanha que realizou: “Renamo unida rumo a vitória” e defendeu que a sua eleição fortaleceu a democracia interna do partido, agradecendo o apoio da ala militar, por permitir a realização do congresso na Serra da Gorongosa, “um sonho do ex-líder”, por ser o local onde Afonso Dhlakama se encontrou com o Presidente moçambicano Filipe Nyusi, durante as recentes negociações de paz.

Contudo, Momade disse que vai continuar a residir na serra da Gorongosa, durante a trégua, alcançada em 2016 entre o Governo e a Renamo, enquanto decorrem as negociações para “uma paz efetiva” no país e reiterou o “não retorno à guerra”.

“Essa lição [de não retorno à guerra] está nas nossas cabeças. Nós não vamos primar pela guerra, nunca”, reafirmou Ossufo Momade, garantindo que a Renamo “assumiu o compromisso” do ex-líder, para a pacificação do país através do diálogo.

Os candidatos alternativos derrotados consideraram que as eleições foram “pacificas e democráticas” e apelaram ao novo presidente eleito a não desperdiçar os seus manifestos e a integrar as ideias dos adversários no seu programa de governação, para o fortalecimento da Renamo.

“Tinha um manifesto muito rico, tinha a ver com a organização do partido, a gestão de recursos e apelávamos à união: a Renamo como um partido uno e indivisível”, disse Elias Dhlakama, um dos candidatos derrotados, reiterando o apoio ao partido, pelo qual recordou combater “desde os 14 anos”, quando se juntou ao irmão (Afonso Dhlakama), para lutar pela democracia em Moçambique.

Já Manuel Bissopo disse que o seu manifesto defendia “a continuidade dos ideias de Afonso Dhlakama”, afiançando que, com as eleições no 6.º Congresso da Renamo, ganhou a democracia.

Por sua vez, Juliano Picardo, que entrou na corrida com o apoio de generais e da juventude da Renamo, enfatizou a união, defendendo no seu manifesto o modernismo do partido.

Os candidatos desvalorizaram de forma unânime o risco de fricções no partido, após as eleições, sustentando que, a acontecer, seria uma imaturidade política e a traição dos ideais de Afonso Dhlakama, o líder histórico que morreu há oito meses numa das bases na serra da Gorongosa.

O 6.º congresso da Renamo deverá ainda hoje eleger a Comissão Política Nacional, o Conselho Nacional e o secretário-geral do partido.

O nome de Elias Dhlakama é apontado como favorito a secretário-geral nos corredores do congresso, em substituição de Manuel Bissopo.

Foto de destaque: dw.com

Antonio Sousa

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