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Variações sobre o Mito

por Mário Alves

1 – O mistério das santas facadas

Estava o Jair Bolsonaro, o Mito, a perorar no meio de um grupo ao ar livre, quando inesperadamente alguém o esfaqueou.

Gritos, escândalo, acusações contra partidos políticos, e o mártir vai de bolandas para o hospital. Fica de cama, quase moribundo. Mas recupera bem e dá entrevistas pela TV, tranquilizando os adeptos e o seu adorado povo. 

Quem teria sido o reles assassino?
Alguém de côr escura, vagamente ligado a um partido da Marina, talvez profundamente religioso.

Mas há um mistério. Como era possível um facínora infiltrar –se no meio de dezenas de guarda-costa e jagunços prontos a tudo para matar qualquer inimigo e salvar o chefe? Pior: como é possível ter ficado ileso e ninguém o exterminar imediatamente? Como foi possível não obedecer à voz do chefe que vai acabar com toda a pretalhada?

Mais . Não se sabe nada do que aconteceu a esse bandido. Terá sido perdoado pela intensa compaixão do Deus Mito, agora erigido num Jupiter inacessível no meio das nuvens brancas e angélicas?

Outro mistério, de difícil explicação é não conseguirmos ver os graves ferimentos provocados pelas facadas.

Todos sabemos que os mártires são eternizados pela exibição das chagas que lhe infligiram os incrédulos e ateus.

Será modéstia? Será que ELE não quer mostrar as chagas do Bolsonaro?

2 – O Mito

Um dos fenómenos mais curiosos da campanha e investidura do Bolsonaro foi o coro da multidão gritando MITO!MITO! MITO! Ora em português de Portugal quando se utiliza a palavra MITO é para denunciar algo de falso, de hipócrita ,de personagem ou coisa que não são realmente verdadeiras.

O que – indo por este caminho – , transformava aquela gritaria numa manifestação do PT, dos comunistas e da pretalhada a gozar com o falso e mentiroso defensor do seu BOLSO na linha do seu papá Trump.

Para quem apreciar ir às origens Gregas da palavra e vários conceitos, eu escolhi o Mito Narcísico. Na mitologia grega, um dos mais famosos mitos é o de Narciso, um jovem tão bonito que despertou o amor de Eco, uma bela ninfa. Narciso rejeitou esse amor, fazendo que a ninfa ficasse destruída com a rejeição. Como castigo, a deusa Nêmesis fez com que ele se apaixonasse pelo próprio reflexo no rio, de tal forma que Narciso morreu afogado.

Estejamos atentos ao percurso do Presidente capanga e militarão. Pode ser que no fim não seja ele quem acabe por rir melhor. Com a benção de Deus, claro!

Hélder Mateus da Costa | dramaturgo, encenador e escritor



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