Home Artes A fantasia da Responsabilidade Social das Organizações

A fantasia da Responsabilidade Social das Organizações

por Joffre Justino

,Pela Cultura pelo Saber e porque sabemos o quão pouco os empresários portugueses em geral entende o que deve aos seus concidadãos, estamos a recordar este caso dando lhe visibilidade.

Assim o realizador português Miguel Gonçalves Mendes lançou no dia 24 de dezembro uma campanha para angariar 350 mil euros a ver se termina o filme “O sentido da vida”, com estreia prevista para julho de 2020.

Usa Miguel Gonçalves Mendes a plataforma de financiamento coletivo Indiegogo, para os apoios que necessita para a montagem do documentário, perante uma equipa técnica que está há três meses sem receber salários, segundo a Lusa que cita o realizador

Para Miguel Gonçalves Mendes a ineficácia de uma lei do mecenato em Portugal e os empresários portugueses que “desconheçam a palavra filantropia”, leva a esta solução de um pedido do financiamento coletivo pela Internet (‘crowdfunding’) para finalizar o documentário.

“O sentido da vida” foi rodado durante cinco anos e conta a história de Giovane Brisotto, um jovem brasileiro portador de paramiloidose familiar, a doença degenerativa de origem portuguesa conhecida como “doença dos pezinhos”.

Para a rodagem, Giovane Brisotto, Miguel Gonçalves Mendes e uma pequena equipa técnica viajaram mais de 56 mil quilómetros em vários países – Islândia, Japão, Brasil, entre outros -, percorrendo a rota de disseminação daquela doença sendo que o documentário acompanha ainda a vida de sete figuras públicas, que se debruçam também sobre o sentido da vida: o escritor português Valter Hugo Mãe, o astronauta dinamarquês Andreas Mogensen, o juiz espanhol Baltazar Garzón, a artista plástica japonesa Mariko Mori, o compositor islandês Hilmar Örn Hilmarsson, o ator pornográfico Colby Keller e as então candidatas à presidência do Brasil Marina Silva e Dilma Russeff.

“Era o meu maior desejo: que as pessoas saíssem do filme com necessidade de mudar as suas vidas e mudar o mundo. E terem consciência real de que infelizmente o tempo está a contar. Ou somos felizes agora e lutamos por aquilo em que acreditamos ou não”, disse Miguel Gonçalves Mendes no verão de 2017 à agência Lusa, no final da rodagem, em Portugal.

Entretanto o jovem brasileiro, engenheiro cartógrafo que aceitou dar uma volta ao mundo para melhor entender a doença, morreu em fevereiro deste ano, aos 31 anos.

“Este filme é também dedicado a demonstrar que é possível viver uma vida plena com uma doença incapacitante. Infelizmente, Giovane morreu depois desta jornada e por isso cabe-nos a nós preservar a sua memória e o seu legado”, escreve o realizador no texto que acompanha a campanha de financiamento.

Na prataforma Indiegogo (https://igg.me/at/themeaningoflife/x/19956262) estão previstas várias modalidades de apoio à finalização do documentário. A campanha termina a 18 de fevereiro.

Miguel Gonçalves Mendes já realizou documentários como “José & Pilar” (2010) filmes como “Autografia” (2004), “Floripes” (2007), “Labirinto da saudade” (2018) e a série “Nada tenho de meu” (2013-2014).

O Estrategizando apela a que se apoie esta iniciativa em nome de um cinema de qualidade.

Foto de destaque:c1.staticflickr.com

Joffre Justino

0 comentário
0

RECOMENDAMOS

Comente

* Ao utilizar este formulário, você concorda com o armazenamento e gestão de seus dados por este site.