Home Opinião O CDS já não é aliado do PSD? E o PS não liderou o 25 de novembro de 1975?

O CDS já não é aliado do PSD? E o PS não liderou o 25 de novembro de 1975?

por Joffre Justino

Pelo que a líder do CDS-PP Assunção Cristas afirmou hoje, que os centristas são a “única alternativa à atual solução governativa”, estamos cientes de que Cristas não quer continuar a ser o parceiro menor à Direita, em  discurso anti PSD escondido nos ataques ao PS que acusou de “andar de braço dado com a esquerda mais radical”.

Numas declarações aos jornalistas numa conferência evocativa do 25 de Novembro de 1975, que decorreu no domingo passado na Amadora, Assunção Cristas afirmou que o CDS-PP é o único partido que “não quer ter nada com o PS e a apresentar um programa alternativo” marcando um rumo onde a existência do novo partido a Aliança não está esquecido bem pelo contrário. 

“É preciso haver uma alternativa de centro direita para Portugal, que explique que há outra forma de construir o nosso futuro, com ambição. Na verdade, essa alternativa eu vejo hoje no CDS que é, talvez, o único partido no nosso espectro partidário que diz que não quer ter nada a ver com o Partido Socialista e se vê do lado da construção de uma verdadeira alternativa para o futuro do nosso país”, afirmou Cristas que  fez aliás uma comparação entre a situação política atual e a de 1975, acusando os socialistas de, nestes 43 anos, terem mudado o seu posicionamento político, pois para ela  “Houve uma mudança de posicionamento das esquerdas, em especial do PS que, no Novembro de 75, esteve do lado do combate das derivas totalitárias de esquerda e, hoje em dia, está de braço dado e é apoiado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, a esquerda mais radical”, esquecendo que o PS não esteve ao lado mas sim à frente dessa deriva minoritária esquerdista.

Felizmente Portugal não teve as, pelo menos, 30 mil mortes que os Angolanos tiveram a 27 de maio de 1977 e tal aconteceu dada a liderança política de Mário Soares e a político militar de Eanes, Vasco Lourenço e Melo Antunes e claro ainda limitadamente Jaime Neves.

Na verdade não é possível desligar o chamado PREC, melhor dizendo a movimentação político social de 74/75 da movimentação para as Independências do Império luso, iniciado com a Declaração de Independência da República da Guiné Bissau e Cabo Verde em 1973 (mesmo que só vivido no contexto  guineense).

E enquanto que em Portugal a movimentação evoluiu para um momento expansivo no planos dos Direitos políticos económicos e sociais, que não teve em conta a inexistência de potencial em recursos humanos para esse processo que espalhava por via da gestão cooparticipada, do cooperativismo, da reforma agrária, do autogestionarismo, das empresas intervencionadas e das nacionalizadas do sindicalismo do Poder Local e claro do combate essencial  da gestão do Poder político nacional nas colónias, as circunstâncias eram bem mais complexas.

Aí não se lidava somente com os processos de transição, mas sim com um conflito no terreno entre os EUA a URSS (na altura a potência dominante dada a derrota dos EUA no Vietname) países europeus como a França a Alemanha o Reino Unido a Suécia ou os  aliados da URSS países latino americanos como Cuba e o Brasil ( não esqueçamos que em ditadura militar fascista mas que abraçou alegremente a saída de Portugal abrindo-lhe portas para novos luso negócios) e claro a à época a extremamente cautelosa posição da RPChina face ao desaparecimento do império português.

Este processo de Descolonização foi feito com 13 anos de atraso pois em 1961 foi o golpe de Salazar/ Tomás / Cerejeira contra o ministro da Defesa Botelho Moniz e Costa Gomes que impediu uma Descolonização organizada e pacífica e foi feito em ambiente de estimada lusa derrota.

Na realidade o 25 de abril tem como retaguarda uma derrota portuguesa na Guiné Bissau ( na verdade militarmente assumida) um empate em Moçambique ( com claro sabor a derrota diga-se)  e uma vitória portuguesa em Angola o que empurrou os militares para irem claramente alem de meras reivindicações económicas e levou ao derrube do fascismo. 

O 25 de abril foi  uma experiência político social inacreditável até porque sem liderança político ideológica e que talvez até por tal deixou o país em êxtase e o mundo em ânsias pois o país mudava sem sangue para um regime democrático e o mundo olhava estupefacto temeroso e ganancioso para o fim do império europeu mais antigo.

“Eu sabia” “eu desconfiava” “a mim disseram-me” ( com erro na data mas é verdade) mas a mais linda história mete um jantar um militar que quer avisar os exilados políticos da Revolução a vir uma viagem de avião o descrédito dos amigos parisienses e o acordar matinal com o 25 de abril nas inesperadas não ruas de Paris mas sim de Lisboa !

Entre conflitos internos sem real direção política, ocupações de fábricas bancos terras e até da Assembleia Constituinte depois da Guiné/Cabo Verde de São Tomé  e Príncipe de Moçambique Angola tornou-se Independente da pior forma com uma guerra civil especialmente posta a nu depois da guerra interna mais uma no MPLA a 11 de novembro de 1975 

E tal mudou tudo !

A “luta de classes” que nascera sem história de a ter havido antes do 25 de abril ( apesar das lutas dos bancários dos escritórios dos têxteis da TAP e claro das lutas estudantis ) morta que fora pelo Fascismo explodiu desorganizadamente sem quadros capazes de as orientar e motivar e o recuo organizado do PCP isolando à Esquerda Radical que aliás já estava dividida entre as que se preocupavam com a ascensão global da URSS tomada como social imperialista e as que optaram por uma fuga em frente que levou ao 25 de novembro de 1975 onde nem o centro nem à Direita teve qualquer influência e onde o derrotado estratégico foi a extrema esquerda mas onde o PCP resistiu até 1991 sofrendo claramente com a sua ligação exagerada à URSS que em 1989 se suicidou.

E foi por não ter qualquer influência  que é o 25 de novembro que bloqueia as unidades à Esquerda à exceção da segunda volta com toda ela ou com Mário Soares ou não contra ele !  

 

Foto de destaque: LUSA

Joffre Justino

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